domingo, agosto 09, 2009
Contemporaneidade Embalada para Consumo
terça-feira, julho 21, 2009
A UNE e o peleguismo Pós Moderno

No Aurélio pelego é: pele com lã do carneiro usada nos arreios à maneira de xairel; indivíduo subserviente, capacho.
No meio político o termo pelego foi popularizado nos anos 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1931 Vargas decretou a Lei de Sindicalização, inspirada na Carta Del Lavoro do fascista italiano Benito Mussolini. Entre outras coisas essa lei submetia os sindicatos ao Ministério do Trabalho. É nessa época que a palavra pelego ganha outros significados servindo para definir o líder sindical de confiança do governo que garantia o atrelamento da entidade ao Estado. Décadas depois o termo voltou à tona com a ditadura militar. Pelego então passou a ser o dirigente sindical apoiado pelos militares, sendo o representante máximo do chamado sindicalismo marrom. A palavra, que antigamente designava a pele ou o pano que amaciava o contato entre o cavaleiro e a sela, virou sinônimo de traidor dos trabalhadores e aliado do governo e dos patrões. Logo, é fácil entender que chamar uma pessoa de pelego é dizer que ela é subserviente/servil/dominada por outra, ou seja, capacho, puxa-saco, bajulador.
A era do conhecimento, da intensa comunicação global e da valorização da sociedade civil trouxe enormes benefícios, contudo, não extinguiu os antigos hábitos políticos nos países mais atrasados onde a nefasta tradição política sobrevive camuflada dentro do sistema democrático.
Um bom exemplo da força dessa sinistra reminiscência pode ser percebida nas palavras e atitudes de Augusto Chagas, presidente da União Nacional dos Estudantes que apresenta em 2009 para a sociedade brasileira a versão pós moderna do peleguismo.
As reações de Augusto Chagas as críticas de que a UNE teria se tornado um movimento chapa-branca (sinônimo de pelego), pelos recursos que recebe do governo Lula, me lembrou a atuação dos pelegos do passado. A parte sutis mudanças impostas pelo presente, o pensamento do atual líder estudantil é muito semelhante aos pelegos do passado tanto no tocante ao desprezo pela autonomia e a reflexão critica quanto pela a cretinice e a submissão. Mesmo diante de inúmeros problemas no sistema de ensino no país, Augusto Chagas coloca como prioridade da entidade a marcha de uma caravana nacional para debater as eleições de 2010 onde a UNE fará campanha para a pré-candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff.
Plagiando, de forma invertida, a pratica dos conservadores que viam o comunismo internacional como o grande vilão Chagas combate um demônio nacional, concentrador de todo mal do século XXI. Seu nome: FHC.-Nós vamos emitir opinião para 2010, sim. Não vejo problemas no fato de a UNE ter opinião. Vamos comparar os oito anos dos governos Fernando Henrique e Lula em vários debates. A UNE sempre foi extremamente crítica ao governo FHC, que foi ruim para o país. Mas não vê Lula da mesma forma - disse ele.
Em relação ao presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP),a UNE acha os ataques da oposição equivocados.
- A mera saída do Sarney não resolve nada.
Augusto também não vê problemas no fato de a UNE receber verbas públicas para realizar seu 51º Congresso e retribuir os donativos realizando uma movimentação estudantil contra a CPI da Petrobras.
- Não acreditamos que o objetivo da CPI seja apurar irregularidades. A CPI quer abrir flanco para a exploração do pré-sal por setores privados.
Augusto afirma que a imprensa,a opinião publica e os valores éticos fundamentais que deveriam nortear as relações das instituições de representação com o poder constituído não são impedimentos que levem a UNE a considerar nocivo o recebimento de verbas públicas.
- Movimentos sociais não têm a função de fazer oposição a governos, mas sim para ir atrás de conquistas.
As declarações de Augusto revelam o quanto o pragmatismo pode distorcer os valores mais elevados das causas sociais.Augusto cursa o primeiro ano de Sistemas de Informação na Universidade de São Paulo (USP), depois de desistir de dois outros cursos universitários. Ele disse que mora num apartamento mantido pelo pai, especialista em computação, e passará a receber da UNE uma ajuda de custo para alimentação e transportes de R$ 1.500 mensais.Antes, foi presidente duas vezes seguidas da União Estadual dos Estudantes (UEE), recebendo R$ 1.200 de ajuda de custo. Foram dois mandatos: 2005-2007 e 2007-2009.Com esse aporte de recursos é compreensível que Augusto diga: 'Não me sinto mal por não ter curso nem emprego'-Ora! Augusto, mas isso não é um emprego?Não,responde ele,ao contrário: eu sinto muito orgulho por ter aberto mão da minha trajetória profissional por um tempo. Quando encontro amigos que estudaram comigo e já se formaram eu me sinto bem, seguindo o meu próprio caminho. Não me sinto mal com as críticas de que não concluí um curso ou não tenho emprego. A UNE é o que é pela dedicação política de alguns estudantes. Pessoas passam, o movimento fica. No movimento estudantil, eu aprendi a importância das idéias coletivas.Para consagrar, junto a comunidade estudantil, suas aspirações peleguistas Chagas enaltece o Bolsa Família, vedete do governo Lula, defendendo que seja estendida para os estudantes com a criação da Bolsa UniversitárioAugusto Chagas já tem pronto o modelo da Bolsa que quer ter. Segundo ele a Bolsa Educação seria concedida a universitários de baixa renda e custeada pela União. Ele sugeriu que o benefício seja equivalente a 60% do salário mínimo, ou R$ 279. O valor ficaria bem acima do teto do Bolsa Família, de R$ 182, pago a famílias com cinco crianças na escola. Chagas disse que levará a proposta ao presidente Lula nas próximas semanas: - Não vamos popularizar a universidade no Brasil sem políticas desse tipo.Chagas quer que a bolsa seja concedida a alunos de universidades públicas e privadas. Hoje, a política de assistência estudantil é estabelecida e custeada por cada instituição de ensino, à exceção das bolsas do ProUni. Ele também defendeu que a União subsidie o passe livre de estudantes.
Com essas iniciativas Augusto Chagas nos mostra que o peleguismo também se transforma com o tempo. Os pelegos pós modernos continuam servis, porém, um pouco mais pragmáticos.
segunda-feira, julho 20, 2009
Vanguarda Histérica

O que essas intenções tentam nos sugerir? Afinal, Hörl não queria ferir ou ofender ninguém ao reproduzir a saudação nazi. Ele afirma que em uma exposição em Ghent, na Bélgica, no final do ano passado, não houve nenhuma queixa. Ele argumenta que na ocasião: "Eles(os gnomos nazis) faziam parte de uma exposição contra a extrema direita”... "Ninguém teve um problema com eles". Cada um dos gnomos vem com a seguinte inscrição em sua base: "As pessoas podem ser ideologicamente enganadas, assim como foram pelos nazis alemães”. Depois desse adendo Hörl não precisava fazer mais nada. Pra que defender seu trabalho como uma forma de sátira?Afinal, ele só queria se divertir um pouco, dando cotoveladas nos nazistas, retratando-os como gnomos. "Eu provavelmente teria sido morto pelos nazistas, se me atrevesse a mostrar os arianos a " super raça "como gnomos em
Escrever alguma coisa sobre mais um ato oportunista parece uma ação inútil, porém, é impossivel se calar diante de tanta manipulação. Já falei, em textos anteriores, sobre a frágil posição critica em tempos de relativismo cultural. Tal contaminação atingiu em cheio boa parte da produção estética contemporânea. Em tempos de liberalismos extremos, criticar alguma coisa que ocorra numa instituição cultural ou no mercado de arte tornou-se uma atitude previamente condenada e combatida pelos adeptos do vale tudo dominante.Uma névoa densa envolve a crença de que a abolição dos critérios e a paralisia critica é a mais eficaz garantia da liberdade criativa. A expansão dessa idéia invadiu a vida contemporânea de tal modo que se generalizou como argumento "politicamente correto". A expansão e a longa permanencia do relativismo cultural liberou forças descomunais capaz de destruir cerebros na fase de formação uterina.
sexta-feira, julho 17, 2009
UNE ingressa no ramo dos negócios ideológicos.

Entidade recebe quase R$ 1 milhão do governo e defende Petrobras em passeata
BRASÍLIA - Orçado em R$ 2,5 milhões, o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) recebeu ajuda de, pelo menos, R$ 920 mil do governo federal e de empresas estatais. A Petrobras, que doou R$ 100 mil - a exemplo do que já havia feito no congresso anterior, em 2007 -, ganhou o apoio dos universitários em passeata, nesta quinta, na Esplanada dos Ministérios. Segundo os manifestantes, mais de 5 mil pessoas participaram do ato; a Polícia Militar estimou em 1.500.
terça-feira, julho 07, 2009
Jackson é o pop.O pop é Jackson
A morte súbita de Jackson precipitou algumas reflexões sobre aspectos da cultura de nosso tempo. Coisinhas da vida diária, obras no ateliê e outros afazeres práticos, me impediam de entrar num ambiente mental propicio ao alargamento da perspectiva de visão sobre os efeitos das subseqüentes e rápidas transformações culturais por que passamos nos últimos trinta anos. As leituras, o acesso aos sites, uma razoável freqüência de visitas nas paginas das redes sociais e uma serie de textos, frutos de alguns insights, que postava no meu blog, apaziguavam, até certo ponto, as questões que suscitavam maior dedicação. Entrementes, a morte de Michael Jackson inverteu essa situação.
Seria um exagero considerar a morte de um dos maiores emblemas da cultura pop, um pressagio que afeta o amplo espectro da cultura de nossos dias?
Não, ao contrario, a simultaneidade entre a emoção de uma perda e a reflexão perante o desaparecimento de um personagem que pulsou,viveu e dividiu conosco o mesmo tempo do mundo é uma experiência única. A oportunidade de sentir e conjecturar sobre um evento dessa proporção, no tempo em que ocorre, tem algo de fantastico. M.Jackson cresceu diante dos nossos olhos. Durante sua longa carreira o vimos acender artisticamente, se transformar fisicamente e contribuir, como poucos em nossa época, para consolidar uma cultura que transcendeu gerações. Esse momento, em que fãs de todo mundo se comovem com a perda de um ídolo é também o melhor momento para refletirmos sobre o significado desse artista na cultura de nosso tempo, melhor dizendo, em nossas vidas. Um minuto de silencio, estamos participando intensamente de um importante momento da nossa historia,quer dizer,da historia de nosso tempo.
As polemicas levantadas por suas atitudes, a confusão que envolve as informações sobre sua morte, os aspectos sinistros que abrangem seu funeral etc., não nublaram sua relevante e múltipla existência, menos ainda sua trajetória artística. A obra e a pessoa de Jackson, suas metamorfoses, artísticas e corporais, se fundem com a construção da cultura pop e se consolidam como um registro único. Em resumo: Jackson é o pop, o pop é Jackson.
Há algum tempo vinha escrevendo no blog artigos sobre as transições que vinham ocorrendo no ambiente das artes plásticas. Ainda que se trate de um campo bastante especifico, nem por isso deixou de ser agitado por signos advindos da cultura pop, da mídia e dos códigos de uma era onde os signos do corpo, da aparência e da eterna juventude ganharam uma enorme importância.
Partindo de algumas cogitações sobre aspectos da cultura que antecedeu a cultura pop poderei explicar melhor o que penso sobre a importância de Michael Jackson na cultura da atualidade.
Nos anos 60/70, período de grande ebulição cultural que precedeu o surgimento da cultura pop, ocasião em que iniciei minha atividade artística, brotou nas ruas dos grandes centros urbanos o que se convencionou chamar de “cultura jovem”. Até então não se conhecia esse termo.
Intercomunicando-se, a partir de enormes concertos de musica, movimentos estudantis e manifestações culturais diversas, os jovens de vários lugares do mundo, ligados por um aparente compromisso com a identidade “jovem”, aspiravam mudar as regras do jogo social a partir da cultura. Essa identidade de que falo se expandia para alem da conotação estritamente pessoal, é claro. Fatores mais amplos, como identidade regional, social, étnica, sexual, cultural enfim, informavam sobre as atitudes, obras ou pensamentos de um novo tempo, através de um conjunto, quase hegemônico, de intenções. A contra cultura em seus procedimentos mais radicais, os hippies, os “heróis” desertores do Vietnam, os combates estudantis nas ruas de Paris, as lutas contra as ditaduras etc. pareciam então aos “conservadores” uma revolta mundial orquestrada. Hoje, um olhar distanciado nos permite pinçar diferenças entre essas correntes de militância e afirmar que não havia uma idéia especifica, ou melhor, uma ideologia condutora, que concentrava a energia dos jovens numa direção pré determinada.
Contudo, no centro dos eventos, podemos perceber um ponto comum -uma contestação objetiva – o desejo por mudanças radicais. Algumas vezes cheguei a conjecturar que o objetivo, ou melhor, o ponto de fusão, desses movimentos, visava à manutenção ad infinitum da dinâmica contestatória. Mas, como tudo nesse mundo, a dinâmica dos eventos acaba por se cristalizar em novas formulas que suscitam outros enfrentamentos. Essa tendência, se pudermos assim qualificar, se espraiou entre os jovens do ocidente e deu inicio a uma produção estética e intelectual “independente”, porquanto em confronto com as diretrizes econômicas, industriais, políticas e culturais dominantes. Sabemos que as utopias, sejam quais forem, não extirpam as agruras do mundo a um só tempo. Contudo, não seria incorreto afirmar que nos anos 60/70 os jovens do ocidente deram inicio a um movimento utópico espontâneo, de afastamento das doutrinas políticas, religiosas, dos hábitos e culturas locais, adotando uma cultura que aspirava por mais liberdade que, num certo sentido, se converteu, progressivamente, numa aspiração global, reduzindo,paulatinamente, o poder excludente dos preconceitos raciais, de gênero etc. e abrindo novas perspectivas de convívio,contribuiu para expandir os direitos individuais. As utopias, ainda que não tenham o poder das bombas e do dinheiro, concentram energias formidáveis, no final das contas fazem a diferença.
No ambiente artístico essa cultura se converteu numa abertura fantástica, permitindo a ascensão das diferenças e banindo, até certo ponto, o centralismo cultural que entravava a ascensão, em maior escala, das artes negras, latinas e de outras minorias.
Michael Jackson é fruto desse amalgama cultural. Seu enorme talento e esmero artístico não o tornaram apenas, por sorte do acaso, um ícone que perdurou mais de três décadas. O poder de sua arte, calcada em enorme talento e escolhas acertadas, transformou suas referencias culturais numa arte de tal forma poderosa que transcendeu o tempo, ajudando a consolidar o que hoje chamamos de cultura pop.
Suas metamorfoses corporais, a aparência de indistinta sexualidade, suas performances coreográficas, timbre vocal e interpretações cênicas se misturam, indeléveis, com sua vida pessoal. Separá-las, ou analisá-las a luz de um conhecimento especifico ou fundamento moral é puro reducionismo. Jackson homem é inseparável de Jackson artista. São de tal forma integrados que um sem o outro morre para si e desaparecem diante de nós. Sempre olhei com desconfiança as citações que tentam vincular ao extremo arte e vida. As considerava demasiado teóricas para se provarem factíveis e reais. Contudo, ainda que mantenha esse ponto de vista, devo admitir que Michael Jackson, gentilmente, como era de seu estilo, me revelou outro aspecto da realidade. Uma realidade POP>
sábado, junho 27, 2009
Os clinicamente vivos e o morto Michael Jackson
Requentando velhos assuntos polêmicos, pra lá de conhecidos sobre Jackson, os “clínicos da vida equilibrada” se dedicam a avaliar o cadáver não sepulto à luz das mesmices de sempre. Nas ultimas vinte quatro horas venho ouvindo e lendo “vozes divinais” surgirem por entre lagrimas, tributos e tristeza e de seus púlpitos de razão esclarecida, discorrem sobre uma espécie de “morte anunciada” de Michael Jackson.
Até as pedras sabiam que Jackson era um ser atormentado e sofrido. O bonito de sua historia é que, acima disso, ele não se embasbacou com o sucesso precoce. Ao contrario, transcendeu com esforço e muita dedicação seu enorme talento natural. Durante sua carreira transformou-se artística e fisicamente. Suas varias metamorfoses físicas, por serem mais objetivas e de comunicação imediata, deram margem as mais severas interpretações. Em nossa sociedade as questões relativas à aparência física e identidade pessoal são bastante confusas. Uma sociedade racista descrimina, ainda mais, um negro que se torna branco. É aceitável que os brancos se tornem o que bem entenderem. Um negro virar branco gera ruídos inconvenientes nas duas etnias. Quando tal desconforto não é imediatamente execrado é cinicamente explicado e mesmo convenientemente tolerado. O que se tenta esconder com essa atitude é que o individuo pouco ou nada importa. Não esqueçamos que essa é a mais poderosa fórmula de dissolver as identidades.
Alguns dizem que depois de Thriller Michael Jackson iniciou uma descida vertiginosa rumo ao desastre e a morte como astro de primeira grandeza. Parecem querer nos lembrar que o MJ era um ser humano cheio de problemas. Talvez pensem que “nosotros” não sabíamos ou seriamos incapazes de imaginar. Já estávamos carecas de ouvir as incontáveis e historias dos moralistas sobre a brancura de Jackson que nasceu negro, acusado de pedofilia, apontado como dependente químico, infantilizado e de sexualidade confusa, derrotado por seu próprio ego e financeiramente falido. O que querem nos dizer reprisando essas informações? Que os homens que sobem demais um dia caem? Que poetas, artistas e seres sensíveis merecem o castigo e a dor por não seguirem os receituários de boa conduta? Existe disponível nessa sociedade hipócrita uma receita de equilíbrio emocional e afetivo que sirva igualmente para todos os indivíduos? Ou um ingrediente cientifico que arranca a dor das experiências pessoais e familiares? Enfim, um astro rico e famoso estaria acima das pressões de um mercado altamente competitivo e de uma sociedade ávida por novos estímulos.
MJ artista é resultado do homem que foi. Múltiplo e poderoso criador.
terça-feira, junho 23, 2009
O tempo passa, o tempo voa.

Ler o texto é possível, refletir sobre ele é inviável. O artigo é escrito seguindo o velho modelo de textos ideológicos simplificados misturado a episodios de conspiração. O autor expõe dois ou três aspectos da política internacional das grandes potencias. Fala das suas perversas estratégias, da ganancia e do controle dos recursos naturais e das riquezas dos países subdesenvolvidos, do conluio das classes dominantes provinciais com o rico empreendedor estrangeiro. Porém,nada fala dos anseios por liberdade manifestado pelo povo iraniano e das possíveis razões internas que incendeiam os tumultos que vem ocorrendo em Teerã.
Isso porque para Meyssan (como para boa parte da esquerda) povo não existe,quando existe não tem vontade própria. Nesse pensamento tudo que o povo produz, pensa ou faz é manipulado,quando não imposto pela força ou interesse vil,como é o caso das manifestações que vem ocorrendo em Teerã.Para ele o “caos é provocado com muita astucia pela CIA, que semeia a confusão inundando os iranianos de mensagens SMS contraditórias”.
Para dar corpo a suas idéias o autor volta a “março de 2000 quando a secretária de Estado Madeleine Albright admitiu que a administração Eisenhower havia organizado uma mudança de regime no Irã, em 1953(...)A Operação Ajax visava derrubar Mossadegh, com a ajuda do xá, e substituí-lo pelo general nazi Fazlollah Zahedi, até então detido pelos britânicos”
Essa lenga-lenga serve para levantar a suspeita de que as atuais manifestações em Teerã seriam inspiradas nas ações que ocorreram naquela ocasião quando a “CIA imaginou um cenário que desse a impressão de um levantamento popular quando se tratava de fato do andamento de uma operação secreta. O auge do espetáculo foi uma manifestação em Teerã com 8000 figurantes pagos pela Agência a fim de fornecer fotos convincentes à imprensa ocidental”. A partir dessa historinha Meyssan penetra nos velhos métodos de ajustar a realidade e as informações aos seus interesses político/ideológicos. Coisa que os stalinistas faziam com muita astucia. Diz ele que o que estamos vendo é “mais uma vez, o Iran se tornar um campo de experimentação de métodos inovadores de subversão. A CIA utiliza agora uma arma nova: o domínio dos telefones móveis. Desde a generalização dos telefones móveis, os serviços secretos anglo-saxões multiplicaram as suas capacidades de intercepção (...). Em primeiro lugar, trata-se de difundir por SMS durante a noite dos tumultos a notícia segundo a qual o Conselho dos Guardiões da Constituição (o equivalente ao Tribunal Constitucional) havia informado Mir-Hossein Mousavi da sua vitória. A partir daí, o anúncio, várias horas mais tarde, dos resultados oficiais — a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad com 65% dos votos expressos — parecia uma fraude gigantesca. Entretanto, três dias antes, Mousavi e os seus amigos consideravam a vitória maciça de Ahmadinejad como certa e esforçavam-se por explicá-la pelos desequilíbrios na campanha eleitoral. Assim, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani pormenorizava as suas queixas numa carta aberta. Os institutos de sondagem dos EUA no Iran prognosticavam um avanço de 20 pontos percentuais de Ahmadinejad sobre Mousavi. Em momento algum a vitória de Mousavi pareceu possível, mesmo sendo provável que fraudes tenham acentuado a margem entre os dois candidatos. Nos países que ocupam — Iraque, Afeganistão e Paquistão —, os anglo-saxões interceptam a totalidade das conversações telefônicas quer seja emitidas por tele móveis ou por aparelhos com fio. A finalidade não é dispor de transcrições de tal ou tal conversação, mas identificar as "redes sociais". Por outras palavras, os telefones são espiões que permitem saber com quem uma dada pessoa está
Mais adiante o autor revela toda montagem da conspiração: “Simultaneamente, num esforço novo, a CIA mobiliza os militantes anti-iranianos nos EUA e no Reino Unido para aumentar a desordem. Um Guia da revolução no Iran foi distribuído. Ele inclui vários conselhos práticos, tais como: acertar as contas Twitter no fuso horário de Teerã; centralizar as mensagens nas contas Twitter@stopahmadi e não atacar os sítios internet oficiais do Estado iraniano. "Deixem isso para o exército dos EUA (sic).Uma vez aplicados, estes conselhos impedem toda autenticação das mensagens Twitter. Já não se pode saber se eles são enviados por testemunhas das manifestações em Teerã ou por agentes da CIA em Langley, não se pode mais distinguir o verdadeiro do falso. O objetivo é criar cada vez mais confusão e levar os iranianos a lutarem entre si."
E continua:"Os estados-maiores, por toda a parte do mundo, seguem com atenção os acontecimentos
Resumindo: o pedante texto insiste na velha ideia de que apenas pessoas como Meyssan e outros pressunçosos esquerdistas enxergam através da cortina de fumaça dos tumultos sociais.Os demais,quer dizer,todos que lutam de alguma forma por liberdade e transparência, o povo iraniano que se manifesta pelo respeito ao voto que se traduziria em pequenas reformas, os pensadores do ocidente que apoiam a expansão do conhecimento,dos direitos humanos e da liberdade em escala global são para Meyssan apenas massa de manobra,ingênuos úteis,manipulados com astucia pelos mais destacados ‘gênios da espécie humana’ –os agentes da CIA.
O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/
segunda-feira, junho 22, 2009
Marcel Duchamp and Maya Deren First Part
Este filme é uma experiência da "vanguarda" histórica.Depois que vanguarda deixou de ser "experiência" e se tornou disciplina escolar e estilo artistico consolidado,virou maneirismo repetitivo e monótono.
domingo, junho 21, 2009
Mousavi x Ahmadinejad e o povo no meio
quinta-feira, junho 04, 2009
Santa Paciencia

Veneza dá início a Bienal mais "magra"
Esse é o título da matéria publicada hoje na Folha de São Paulo
Faz sentido! No mundo dominado pela cultura dietética e torturado pela estética esquelética, "ficar mais magra" é sinal de conformidade aos padrões da atualidade. É uma mentira, sabemos, mas, tem gente que acredita.
"O título é "Fazer Mundos" no maior número possível de línguas", explica curador da Bienal, que começa hoje para convidados
A Bienal de Veneza, mais tradicional exposição de artes do mundo, chega à sua 53ª edição mais "enxuta”, diz o jornalista. Acho que deve estar vestindo um modelinho adequado aos novos tempos.
Não sei onde nasce a pretensão de achar que num mundo conturbado por enormes transformações que atinge a grande mídia, a economia e afeta a vida de milhões de pessoas uma Bienal "mais magrinha" possa renovar um modelo antiquado de exposição de arte tipo Bienal. Para muitos artistas esse "modelinho" já esta pra la de ultrapassado, não da mais conta da enorme diversidade e mobilidade da produção artística da atualidade.
Adriano de Aquino
Adriano, meu caro,
Hoje a sua indignação permitiu a ironia e verifiquei como você é um bom polemista. É uma espada afiada.
Falam coisas mirabolantes sobre bienais, salões, museus. Tive há uma semana uma conversa com um conselheiro da bienal. Ele ficou pasmo com a minha simplicidade camponesa: eu disse que todos os problemas se devem ao afastamento destas entidades do fenômeno arte. Uma coisa é a responsabilidade financeira, vergonhosamente recusada pelas prefeituras, estados e união. Outra coisa é a essência: estes locais devem expor arte. Idéias sobre comunicação, relação arte e público, a crítica e a educação do burguês, o sofrimento dos filhos paralíticos de motoristas de veículos coletivos, a sobrevivência ou não da mídia impressa, a inclusão da minoria armênia, a gravidez precoce das meninas da periferia urbana, são questões realmente importantes e devem ser discutidas em simpósios, no congresso nacional, ser tese universitária , objeto de comunicação à UNESCO e, quem sabe, devem receber até a opinião dos doutos Sarney e lula. No espaço bienalesco propriamente dito, nos espaços museológicos, nos centros culturais, devemos ter a humildade de acreditar na arte e na sua capacidade de ampliar a nossa consciência e expor a obra dos artistas. Não é necessário fazer exposições gigantescas. Basta escolher alguns artistas, todos referendados pelo passado, pela obra já construída (este critério é uma das bases), e mostrar a sua produção dos últimos anos. Aos muitos jovens, mesmo aos que são apontados com tanta ligeireza como gênios, devemos reservar espaços institucionais, universitários, etc.. O resto é com o mundo.
Um abraço forte deste camponês que vos fala,
Jacob Klintowitz
Caro amigo
Seus comentários são estímulos ao pensamento. Abrem portas no corredor estreito onde o transito das idéias é prejudicado pela aglomeração de poderes, desejos, aspirações e ambições conflitantes. Minha ironia, no “curto e grosso” comentário para a matéria da Folha é filha de impaciência. A impaciência é como uma filha adolescente, rebelde e mal educada. Sou um péssimo educador. Mal consigo conviver com minha própria má criação. Após a leitura de seu comentário, recobrada a serenidade, é bom que ela prevaleça, lembrei que desde o inicio dos diálogos de blog sobre a Bienal de Veneza trilhei uma passagem que me levasse ao interior do sistema de exibição de arte. É bom dizer que os assuntos relativos aos modelos de exibição de arte, as artimanhas do mercado e do mundo da mídia, as transas curatoriais e as politicagens protecionistas de grupos gestores não são assuntos que me encantam. Ao contrario, me entediam. Não existe substancia nutritiva nesse ambiente amorfo. Porém, ainda não atingi a perfeição de poder viver sem desembainhar a espada e colocá-la a serviço de uma boa causa. Amigos dizem que a causa é a própria arte. Contesto veementemente essa idéia, pois a considero a seiva mais nutritiva dos usurpadores. Temo as grandes idéias sobre arte com o mesmo rigor com que me previno contra as grandes idéias sobre a vida. A historia comprova o gigantesco poder das grandes idéias em exterminar as diferenças.
Portanto, retornando ao inicio do dialogo, tentarei justificar porque tomei um trecho do livro de Alloway sobre a Bienal de Veneza escrito há algum tempo atrás. Nesse livro o autor coloca a “diversidade extrema” que hoje admitimos como território consensual da arte contemporânea, no centro da discussão. Falar isso hoje soa como lugar comum, contudo, até a Bienal de 1968 não era. Alloway diz que “a diversidade extrema da Bienal, sobretudo, as mudanças estéticas dos trabalhos exibidos colocaram em questão o conceito do trabalho de arte como símbolo permanente”. Nesse contexto, não só os artistas, mas, os críticos e gestores institucionais - não existiam os curadores na concepção que hoje conhecemos - foram artífices de um novo modelo de exibição de arte que revolucionou as formas de mostragem e estabeleceu novos paradigmas para a arte e para própria instituição Bienal. Esse conjunto de fatores não surgiu por acaso foi fruto de muito esforço, trabalho e inteligência de todos componentes em jogo. A permanência desse modelo por longo período acabou por estagnar o sistema dando inicio a decadência e a agonia de um modelo outrora bem sucedido. Muitos pensam que isso ocorre por força das características estéticas das obras contemporâneas. Ledo engano, a crise das instituições de arte é fruto do descompasso entre produção, critica e a concepção dos modelos expositivos. Confundi-la com uma crise ou “vazio” da arte é um grande engano.
Em resumo: a usura, a ambição, a vaidade excessiva, os artifícios do mercado, o capitalismo “selvagem” etc. são, sem duvida, fatores de considerável importância, porém, não são o foco das questões artísticas fundamentais pelo fato de não o serem para a própria existência humana. São fatores importantes, falam muito do tipo de sociedade que vivemos, mas, não servem como matéria de reflexão sobre nossa própria existência como individuo. Quando vamos a uma exposição de arte a ultima coisa que perguntamos é como esses fatores incidem em nossa percepção da arte. Nós apenas percebemos, avaliamos e interagimos. A vida, por mais tecnologia que se coloque no nosso dia a dia, é coberta por um manto de mistério, por que a arte seria diferente dela?
Adriano
Magnífica a tua resposta. Não respondi imediatamente porque faria uma conferência no dia 6 e precisava pensar sobre ela. O que foi ótimo, pois me possibilitou reler o que escrevestes. Tenho para mim que você deveria transformar num artigo e enviar para as pessoas. Já está quase pronto.
O reconhecimento da diversidade é uma conquista européia sobre o euro-centrismo. Não é de hoje, pois a alteridade que permitiu o reconhecimento de civilizações antigas ou coevas, mas diferentes, como detentoras de um corpo de saber válido, data do início do século XX. É um avanço permanente. E sabemos, nós dois, a imensa influência que a arte africana, australiana e pré-colombiana teve na formação do modernismo europeu. Você coloca a questão muito bem.
Entretanto, Adriano, eu me pergunto sobre a arte como eternidade/universalidade na medida em que ela formaliza essências modelares. A teoria dos arquétipos é fundada nesta questão. E é um produto do século XX oriundo do plano das idéias perfeitas, de Platão. Os modelos perfeitos é a concepção do universo divino, parece-me. A concepção de um universo espiritual, certamente confere um papel importante para a arte. Sei bem que não é o seu caso, mas a idéia da diversidade e de sua validade, de sua equivalência, levou, na vida universitária americana, ao absurdo de equivaler um poeta qualquer africano à Shakespeare... Desde muito cedo estive habituado à idéia da diversidade. Primeiro, porque eu sou diverso... depois, pela fascinação que as antigamente chamadas artes primitivas – hoje, artes primeiras - exerciam sobre mim. Nunca vi a diferença essencial entre uma certa escultura pré-colombina de uma mulher parindo (está num museu especializado em Washington) e o melhor do Picasso. Eu simplesmente alargava a minha concepção do que era arte, sem perder a fascinação ou deixar de considerá-la uma manifestação do mais elevado do ser humano. Nunca senti qualquer frisson pela concepção da arte como manifestação da super-estrutura ou derivada de determinadas condições sócio-econômicas.
Eu também acho que a arte não está em crise e não é a crise. A crise está no que acreditamos ser a arte e as formas expositivas.
Fico com receio destas comunicações rápidas. Há tanto a dizer, tantos meios-tons, tantas sombras, e eu digo estas coisas apressadas. Conto com a sua benevolência
Jacob Klintowitz
Caro Jacob
Inevitável não ir adiante depois de ler seu comentário. Concordo que esse espaço "virtual" inibe as nuances mais sutis do pensamento. Todavia, a crueza dos fatos e a dimensão das calamidades que deságuam no campo da arte todos os dias nos pedem abordagens criticas urgentes sobre as ocorrências da arte na atualidade. Concordo totalmente com sua colocação: "a idéia da diversidade e de sua validade, de sua equivalência, levou, na vida universitária americana, ao absurdo de equivaler um poeta qualquer africano a Shakespeare". Cristalino!Acertou na mosca! Em uma palestra realizada em dezembro de 2007, publicada na integra no HiperBlog, identifiquei o mesmo artifício "acadêmico",tão bem descrito por você, como um dos vetores da crise do pensamento critico na atualidade.A idéia é que:"A subsistência de um pensamento desconstrucionista que, tendo solapado de dentro para fora a tradição racionalista da filosofia ocidental e deixado a modernidade sem uma base filosófica profunda para suas crenças e instituições,vem impedindo que apareçam novas respostas ao relativismo contemporâneo".Compartilho dessa sintese de Fukuyama sobre a crise da atualidade.Ao testemunhar a profussão de produções estéticas concebidas como um simulacro de "tese acadêmica" esse entendimento se fortalece.Tal artificio confirma que as propostas estéticas supostamente "revolucionarias" são, de fato, calcadas num sistema hierarquico "academico" bastante convencional.
Abraço
Adriano
sábado, maio 30, 2009
Vargas Llosa, Jorge Castañeda e Enrique Krauser "encaram"Hugo Chávez
Brasil Atômico

Qual o significado da atitude brasileira?
A “esquisita” simpatia do governo brasileiro foi algumas vezes demonstrada ao apoiar os governantes do Irã e Sudão e grupos terroristas como o Hammas. Porém, no caso da Coréia do Norte, essa atitude ganha uma dimensão mais inquietante. Trata-se de endossar uma política investida em poderio militar atômico e mísseis balísticos de longo alcance. A abertura de uma embaixada brasileira na Coréia do Norte, na mesma semana em que Kim Jong-Il detonou uma bomba nuclear, é uma mensagem facilmente entendível por qualquer idiota e produzira reações antagônicas ao Brasil oriundas de países comprometidos com o desarmamento nuclear. As escolhas de Lula e Celso Amorim estão conduzindo nossa diplomacia por uma trilha muito arriscada. Bancam os imparciais, como se isso fosse possível, alegando que o Brasil deve fazer negócios com qualquer um. Esse argumento,sabemos, é relativamente positivo até mesmo para balança comercial, mas, certamente desastroso para recepção do Brasil entre as nações que sustentam os direitos a vida e a liberdade de expressão e a própria democracia.
quarta-feira, maio 20, 2009
"Fare Mondi / making worlds"- Dialogo de Blog

Ele digita:
Desculpe, não era minha intenção confundir estações. O péssimo habito de resumir pensamentos complexos sempre resulta
Lawrence Alloway em seu livro a Bienal Veneza 1895-1968 foi claro e preciso sobre essa questão. Alloway anota que em 1966 o Bienal mostrou 2.785 trabalhos de artistas de 37 países; para 181.383 freqüentadores, 800 críticos da arte, jornalistas além de negociantes de arte. Esses números dão uma ordem de grandeza e estimam o valor da exposição e a escalada e a velocidade das novas comunicações internacionais. Alloway comenta sarcasticamente que "para os que gravitam em torno de uma opinião elitista a abundância de produtos estéticos mostrados na Bienal foi identificada como uma diluição da essência pura da arte.Os críticos da esquerda se opuseram a mostra por causa da preponderância de estilos internacionais sem utilidade social manifesta". Talvez, Alloway tenha sido demasiado irônico ao afirmar que a orgia do contato é "uma comunicação" na Bienal de Veneza de 1968.Nas 112 outras mostras e nas feiras oficiais e comerciais que aconteceram na Itália naquele ano, apontavam que o alvo principal era discutir a competitividade e a diversidade extrema da Bienal, sobretudo, as mudanças esteticas dos trabalhos exibidos e questionar o conceito do trabalho de arte como símbolo permanente. Ao invés de, ainda segundo Alloway, se debater a complexidade das estruturas e das inúmeras formas de interpretações. Isto é: a arte física e conceitualmente móvel, vista sob vários contextos e que freqüentemente muda de significado a cada contexto. Para Alloway, o trabalho de arte não é exatamente um objeto e sim sua particularidade, quer dizer, é parte de um sistema de comunicação. Se pode dizer que na pós- modernidade o trabalho de arte comemora a desestabilização e a dessacralização da "obra de arte"- ideia que começõu a tomar corpo na modernidade. Alloway vê uma vantagem intelectual ou uma oportunidade interpretiva nesta desestabilização(eu também). Quando o trabalho de arte se torna menos seguro em sua identidade, torna-se mais aberto à interpretação e dessa forma mais significativo e comunicativo. Isto realça sua contemporaneidade, pois, há mais comunicação na interpretação. Quanto mais isso acontece mais contemporâneo parece,quer dizer,mais vivo no presente. Dessa forma, dispensa a necessidade de permanência. Nesse sentido, os pluralismos turbulentos de interpretações, se opondo aos valores dominantes, confirmam que a diversidade turbulenta da arte moderna parece ter aumentado exponencialmente na pós-modernidade, contribuindo para que a multiplicidade de interpretações a mantenha no jogo da contemporaneidade.Sem isso,tudo se desvanece no esquecimento, ou seja, transforma algo abstrato em concreto, melhor dizendo, em algum marco histórico na estrada de uma narrativa predeterminada do progresso artístico. Nesse caso não se aventa nenhuma dúvida acadêmica, trata-se de uma complexa realidade. Mas, algo estranho aconteceu na Bienal de Veneza,"o contrapeso entre a tentativa de mostrar a abundância da arte contemporânea e, por outro lado, afiançar qual será a arte historicamente importante(isso se tornou o mote das bienais subsequentes) para o futuro, sendo especialmente preciosa no presente, desviou para longe o que assinalamos como positivo anteriormente. Para mim essa atitude foi sinal de uma tentativa de remover as ervas daninhas da incerteza para fora do contemporâneo, predeterminando a história da arte. Apesar da diversidade entre os pavilhões nacionais, as nações tentaram mostrar um PERFIL histórico sob o viés do "vejam quão contemporâneos somos" credenciado por um suposto julgamento da história(uma espécie de "historia do presente" conduzida por curadores) .As nações estreitaram a escolha dos artistas a serem exibidos sob o pretexto de que dessa forma tornam suas representações mais seletivas. Isso, de certa forma, justifica a negligencia em relação a muitos artistas contemporâneos e a uma perda de consciência critica. A tentativa prematura de remover ervas daninhas, excluindo muitos outros modos de arte da atualidade, deu lugar a exclusividade sobre a abundância, ocultando a espontaneidade contemporânea e dando visibilidade a uma espécie de processo histórico manufaturado de permanência - as instalações,por exemplo,que surgiram nesse período como uma manifestação "efêmera" se tornaram,desde então, um "estilo" dominante nesse tipo de mostra.Ocorre, entretanto, que tal triunfo falsifica ambos,contemporâneos e históricos. O disparate da tentativa de afirmar qual arte tem valor permanente para o futuro e que artistas tem mais perspectivas de permanência histórica,assim como as listas pseudopluralistas dos melhores artistas do ano que proliferam nos ambientes de arte cosmopolita, acreditam ter o poder de tornar permanente uma parte da arte contemporânea. Muitos agentes, curadores e intermediários hoje funcionam como uma "casta imprimatur" um tipo de Deus “ ex -machina”que, ao contrario que muitos supõe,têm efeito entrópico na arte que escolhem como importante.
Arbitrar, prematuramente, sobre uma parte da art apontando como historicamente importante um estilo ou um artista é uma pretensão descabida de antever sua recepção em um futuro próximo ou remoto.Nesse sentido, as Bienais se tornaram uma espécie de antítese arqueológica quando esse campo do conhecimento revela ao mundo a "descoberta" da tumba de um desconhecido faraó que de fato um dia foi soberano.
Ela digita:
17 de maio às 18:12
Oi, belo folego! Pelo visto temos muito o que conversar. Eu estava brincando e indo para a praia lavar a alergia ao polén, a tal da "hay fever" que bate' durante a primavera. Ha' alguns anos percebi que o "Wasteland" do T.S. Eliot deve aquelas extraordinarias e misteriosas imagens poeticas a uma crise de alergia ao polén: "april is the cruellest month, breeding lilacs out of the dead land, mixing memory and desire..." e o texto continua de forma eloquente.Quanto às Bienais, elas realmente se aproximaram muito das Feiras de Arte. O mercado avançou em cima de tudo nas ultimas decadas. E' curioso porque voce cita um texto do anos '60; daquele momento que convencionamos datar o inicio da chamada arte contemporanea. Priscas eras. Exatamente naqueles anos a arte estava parindo mil propostas novas, radicais, utopicas, novas teorias e novas linguagens que propunham a dissoluçao do objeto de arte, a criaçao de formas de arte que nao tivessem atrativas para o mercado. Nao demorou muito tempo e os xerox, as fotos desfocadas, as folhas rabiscadas com os projetos das performances, começaram a ser cobiçados pelo mercado e logo vendidos por preços altissimos. Faz tempo que a arte nao desova uma nova teoria que sacuda os parametros da percepçao artistica e o que assistimos, como voce observou, é todo mundo querendo fazer parte da historia. Historia com H maiusculo. E os exemplos sao tantos. Acho que faz parte deste momento de decadencia. E como tudo tem andado muito rapido, espero que este momento também passe logo.Tenho ido à Bienal del Veneza nos ultimos vinte anos ou quase isso. Estou curiosa para ver como sera' a Bienal da crise. O titulo "Fare Mondi / making worlds" me parece uma homenagem aos anos '60, uma maneira de se apelar àquel emomento da arte como isnpiraçao. O curador justificou o titulo dizendo que interessa a capacidade dos artistas de criarem mundos.... nao necessariamente objetos. Nos ultimos dez anos a Bienal ganhou o espaço imenso do antigo Arsenal de Veneza (14.000 mq) para fazer a sua exposiçao curatorial além dos pavilhoes do paises e os Giardini. Alias, voce se referia a 37 paises; este ano sao 77!!! Ao lado desses ha' 38 eventos colaterais promovidos por instituiçoes internacionais de arte espalhados pela cidade. De maneira que acho interessante. Mesmo quando nao gosto, me faz pensar em um monte de coisas. Depois conversaremos mais.Por ora, lavei a alergia em um belo banho de mar... Para quem nao tem mar na porta de casa, e nem mesmo o ano todo, foi um evento memoravel. beijos.
Ele digita:
18 de maio às 17:23
Essa edição repete os mesmos erros das edições anteriores.Centrar num tema o fluxo da produção contemporânea.Os scholars da academia de arte global usam a temática como um guarda - chuva para abrigar suas mais "fashions" teorias,pouco importa o que esteja ocorrendo por baixo da cobertura.Uma chatura insuportável acompanhada por textos mais chatos ainda.A Bienal de São Paulo usou do mesmo recurso ao recorrer a temas de bienais anteriores.Um desastre.Um dos problemas é a regência de um TEMA para a arte.Por que insistir no mesmo problema tanto tempo?
Ela digita:
18 de maio às 18:59
Como tema esse é bem aberto; nao é um tema, é um titulo; é quase tudo o que os artistas fizerem. Me parece uma tomada de posiçao do lado dos artistas e não do lado dos curadores tipo bienal do vazio...
Ele digita:
18 de maio às 19:34
Porém,continua um tema e como tal um equivoco.Existem erros mais grosseiros,claro!
quarta-feira, maio 13, 2009
Morte a Venezia, diVisconti
A parceria de Visconti /Thomas Mann produziu um dos melhores dialogos sobre a arte e o artista.Suas duvidas e angustias atravessam o tempo.
quinta-feira, maio 07, 2009
O Relativismo Cultural e suas conseqüências.
Em Heidelberg, onde O Ciclo da Vida esteve por quatro meses até o fim de abril, 300 mil pessoas visitaram a exibição. A mostra fica em cartaz na capital alemã até 30 de agosto. Atualmente, outras exposições do projeto estão ocorrendo em Grã-Bretanha, Espanha, Israel e em duas cidades americanas.(esqueceram de revelar o custo do projeto em que só o VIVO ganha grana e fama)

