segunda-feira, novembro 02, 2009

Entropia



Luiz Fernando Marinho Nunes
Rio 01/11/2009
“Quanto ao destino, que alguns consideram o senhor de tudo, o sábio ri-se dele. De fato, mais vale ainda aceitar o mito sobre os deuses do que se sujeitar ao destino dos físicos. Pois o mito nos deixa a esperança de nos conciliarmos com os deuses através das honras que nós lhes rendemos, ao passo que o destino tem um caráter de necessidade inexorável“ – Epicuro
A Termodinâmica pode ser considerada uma filha da revolução industrial, já que seu objeto inicial como ciência foi compreender o conjunto das transformações da energia que naquele momento da história o homem aprendeu a mobilizar em quantidade e densidades jamais imaginadas anteriormente à criação da caldeira a vapor.
Ao longo de sua evolução a termodinâmica, que ampliou seu alcance para além das caldeiras e do Ciclo de Carnot, criou uma série de grandezas que visam explicar ou tornar quantificáveis certos fenômenos e comportamentos. Apropriando-se das definições de Energia, Trabalho e Calor originárias da Física, inventou a Entalpia, a Energia Interna, a Energia Livre de Gibbs, os coeficientes de atividade e também nossa querida Entropia.
A termodinâmica é uma ciência que tem uma particularidade interessante; nela jamais a variável tempo é considerada! Apesar disto, como veremos no final, pode auxiliar nas respostas às questões mais profundas sobre a natureza deste mesmo tempo.
Além disso ela tem um charme especial, só alcançado por não ciências como a poesia ou as primas matemática e filosofia. As variáveis termodinâmicas são produto de uma criação humana. Elas são construídas de forma a permitir que sejam quantificadas a partir de medidas tomadas de parâmetros observáveis na natureza, mas elas não existem no plano concreto, material: são produtos da mente tanto quanto o verso “minha terra tem palmeiras”.
A estrutura da termodinâmica se constitui em torno de duas leis que vão determinar os limites em que certas transformações podem ocorrer. Há uma terceira Lei, de Planck, que leva a outro conjunto de considerações que não pretendo examinar.
A primeira lei nos informa que a energia deve ser conservada em todos os processos usuais, ordinários, que não envolvam as transformações de massa em energia (e=mc2). Uma grandeza termodinâmica importante surge como necessidade de “operar” a primeira Lei, a Entalpia, usualmente expressa pela letra H. A entalpia não suscita apreensões, não nos remete a outros campos do conhecimento, não nos obriga a refletir sobre as cosmologias. É acessível mesmo aos cérebros não treinados, pois explica algo intuitivo, o princípio da conservação da energia. Daí nenhum filósofo tentar se apropriar dela para tentar explicar outra coisa, imitando as parábolas de Cristo. É verdade que Cristo foi certamente o Senhor das Parábolas, mesmo para aqueles que não acham que tenha qualquer parentesco divino. Já a maior parte dos filósofos, ao se apropriar de conceitos da termodinâmica, o fazem canhestramente, sem que a história contada e o objeto da explicação tenham uma simetria forte[1].
A Primeira Lei, entretanto, não impõe nenhuma restrição sobre o sentido das transformações.
Uma segunda lei vai tentar resolver este problema, e para isso foi criada outra variável, a Entropia (S).
A expressão matemática da segunda lei é:
∆Stotal ≥ 0
[1] Numa curiosa manifestação da Lei das Séries, justo hoje, 1/11/2009, ao escrever este parágrafo me deparei com um caso de lamentávelaplicação do conceito de entropia à sociologia, no texto do Ferreira Gullar publicado no O Globo e que colocarei em anexo como exemplo.
É surpreendente que uma expressão matemática tão simples esconda em si um conjunto de implicações com tão grande complexidade!
Antes de explorar estas nuances, vamos registrar o texto que define a Segunda Lei da termodinâmica e que ganhou a expressão matemática já mostrada: “todos os processos acontecem na direção em que a mudança de entropia total é positiva, aproximando-se de zero no limite quando o processo se torna reversível.”
Para completar o raciocínio é necessário definir ∆S, ou seja, a Variação da Entropia.
Tchan, tchan, tchan, tchan..., a partir deste momento todos saberão o que é Entropia!
Pois o ∆S é igual quantidade de calor trocada num processo reversível, dividido pela temperatura em que o processo acontece.
Ou seja, ∆S = ∫dQ rev/T. O dQ que apareceu aí é uma pequeníssima quantidade de calor trocada a cada passo. Já a Integral (∫) só indica que devemos ir somando o resultado da divisão destas pequenas quantidades pela temperatura, ao longo a transformação. Pronto. É só isso.
Um aspecto importante para o entendimento da Entropia, assim como da mais simplória Entalpia é que ambas são definidas como Funções de Estado. Explicando parabolicamente – meu Jesus Menino, que ousadia! - Função de Estado é como a beleza das mulheres. Não interessa como foi produzida, seja natural e selvagem, esculpida por um bisturi, criada pelo uso de cosméticos, modelada nas academias ou construída com ajuda de banhos de leite de cabra como fazia Cleópatra. A beleza está ali para nosso deleite e, se o observador tiver sorte, desfrute. As Funções de Estado são assim. Só dependem da situação específica do sistema num dado momento, como sua pressão, o volume e a temperatura. Não interessa o que aconteceu antes, como o sistema chegou àquela condição. São variáveis ahistóricas, não há como a partir delas buscar pegadas e deslindar o passado.
Mesmo sabendo que espremendo bem o que já foi dito obtenha-se quase nada, numa operação que o leitor não fará por condescendência ao autor, a Entropia já deve estar se tornando mais íntima. É como uma visita antes misteriosa que agora anda pela casa de peignoir e pode ser espreitada em portas entreabertas e pelos buracos de fechadura; o sucesso seria se alguns já estivessem pensando em chamá-la de Entrô.
Como afirmei no primeiro parágrafo, a termodinâmica foi criada para explicar fenômenos de um mundo que se industrializava. Daí a quantidade de coisas que podem ser facilmente entendidas no nosso cotidiano por aqueles tiveram um treinamento básico no assunto.
Com um pouquinho de termodinâmica entende-se porque um carro a gasolina ou a diesel é tão ineficiente, porque os carros elétricos podem almejar outro nível de aproveitamento da energia, o que seria elegantíssimo se na maior parte das vezes a energia elétrica não tivesse sido gerada em usinas térmicas através de processos quase tão ineficientes como o do próprio motor do automóvel. Também se pode entender porque a gela quando se abre a tampa provocando uma expansão adiabática, ou como funciona o ar condicionado. Andar num mundo decifrável nas suas pequenas coisas é um presentinho que a termodinâmica concede aos que passaram pela dificuldade de estudá-la.
Desde o início a termodinâmica, e a entropia em particular, cutucou aspectos do imaginário humano que de certa forma estão na base do que se constituiu como a fronteira da filosofia e da ciência, tão misturadas no início e que, a meu ver, começam a convergir novamente. Falo, por exemplo, das tentativas de se produzir o “moto–contínuo”, que foram transferidas dos laboratórios para as clínicas psiquiátricas depois que a termodinâmica desconstruiu qualquer expectativa de sucesso.
Abrindo um parêntese, já que falei de distúrbios psíquicos que se manifestam em buscas insensatas, identifico uma similitude entre os primeiros termodinâmicos e Freud, que ao procurar criar uma ciência da mente, construiu entidades como o Inconsciente, o Ego, o Superego e o Id. A diferença entre Freud e Carnot é que a Entalpia pode ser quantificada e serve para projetar uma caldeira, mas a tentativa de operar a mente a partir dos conceitos da psicanálise, com seu Inconsciente que anos de sofazinho não tangenciam decifrar, ainda não levou a nada.
Voltando à termodinâmica e à Entrô, ela permite especular sobre coisas menos terrenas. Por exemplo, os que acreditam no Inferno e estudaram termodinâmica sabem que ele é isotérmico. A alta temperatura do inferno tem que ser igual em todos os pontos desse espaço de ex-pecadores, pois se assim não fosse o espectro um engenheiro – não são só advogados e presidentes do BC que populam o inferno - acabaria aproveitando o diferencial de temperatura para construir uma máquina térmica que funcionaria como ar-condicionado. Parafraseando Galileu – dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio que moverei o mundo - o termodinâmico promete: dêem-me um diferencial de temperatura que eu construo uma máquina térmica.
A entropia, que até o momento foi abordada nos termos de sua relação com o calor também pode ser analisada sob a ótica da probabilidade. A entropia pode ser relacionada com o grau de aleatoriedade de uma distribuição molecular. Imaginem a água em estado sólido. Suas moléculas têm um grau de organização maior que a mesma água ao se transformar em vapor. A Entropia do vapor é maior que a do gelo.
Por extensão, a entropia explica que uma pedra que estava instavelmente equilibrada numa ravina e rola para o vale, atingindo um estado de menor energia e de maior probabilidade, não volta a subir. Tanto sabemos disto, e assim usamos intuitivamente a termodinâmica, que só perdemos tempo admirando com curiosidade algumas pedras quase que impossivelmente encarapitadas sobre outras e jamais as que estão no chão. Também a observação tão comum na política de que se o jabuti está na árvore é que alguém o colocou lá é termodinâmica pra caramba.
Outras reflexões mais complexas são induzidas pela análise termodinâmica. Por exemplo, a evolução do universo, que sendo um sistema fechado (no limite o único) estaria condicionada pela diminuição da quantidade de energia disponível para realização de trabalho?
Daí derivam os cenários imaginados pelos físicos, como a possibilidade de um universo oscilante, que pode colapsar e se recriar a partir de novos “big-bangs”, mexendo profundamente com o que Shakespeare chamou da vã filosofia dos que preferem não ver que há mais coisas entre o céu e a terra do que se pode explicar.
Num exemplo de mau uso da Entropia há a justificativa tosca dos toscos criacionistas que pretendem que o processo evolutivo dos seres vivos seria impossível já que o Universo caminharia obrigatoriamente da ordem à desordem, do mais complexo ao mais simples. Esquecem que a Terra não é um sistema fechado e que basta a luz do sol, um fluxo de energia externo, para permitir que se produzam organismos mais organizados, com uma diminuição local da entropia.
A partir deste ponto as coisas vão se complicando, tanto em sua formulação como em suas consequencias.
Há os estudos sobre os sistemas auto-organizadores, típicos da biologia, e tão superiores à nossa tecnologia habitual, herdeira direta de uma lógica cartesiana, operando em regiões longe do equilíbrio, muito organizadas mas também flexíveis, que nos remeteriam a outro conjunto de questionamentos para os quais a irreversibilidade – fortemente associada ao conceito de entropia - está na raiz.
Vou escolher de forma arbitrária um problema específico para encerrar este texto, que inicialmente foi “vendido” com uma promessa de entendimento e clareza, mas que agora se anuncia como gerador de mais perplexidade. Deixo de lado outros temas de interesse como a discussão do significado da informação sobre a entropia dos sistemas.
Trata-se da questão da flecha do tempo. Uma das curiosidades da física, tanto a Newtoniana como a Quântica, é que nelas o tempo é reversível. Nada na física obriga o tempo caminhar do passado para o futuro! Daí os construtores das máquinas do tempo não serem usualmente internados nos hospitais psiquiátricos, como os que perseguem o moto-contínuo – os alquimistas que buscavam a pedra filosofal estão definitivamente incorporados ao mainstream depois do domínio das reações nucleares– mas ao contrário, passaram a ser sistematicamente convidados a participar de eventos científicos.
Para nos ajudar a escapar do mundo de Einstein, dominado pelo tempo reversível e pelo determinismo, que se apoiou em Espinosa, transformando o homem num autômato[2] em nome da unidade da natureza, sobraram as indagações dos filósofos, com destaque para Bergson e muito bem expressa por Popper ao escrever: “considero o determinismo laplaciano – confirmado como parece estar, pelo determinismo das teorias físicas e pelo brilhante sucesso delas – o obstáculo mais sólido e mais sério no caminho de uma explicação e de uma apologia da liberdade, da criatividade e da responsabilidade humanas”.
Pois no centro de um novo mundo onde a flecha do tempo não admite simetria se insere com certeza o conceito de Entropia que nos auxiliará a percorrer o caminho estreito mas promissor entre a prisão do mundo determinístico e o mundo arbitrário e ininteligível do acaso.
[1] A afirmação é de Ilya Prigonine, prêmio Nobel de Química
Anexo
Exemplo de mau uso da Entropia a serviço de outros interesses
Trecho comentado do Artigo “Em Direção à desordem”
(Ferreira Gullar – O Globo 1/11/09)
A sociedade carioca entrou em entropia desde que o tráfico instalou-se nas favelas.
Conforme a segunda lei da termodinâmica, os sistemas físicos tendem à desordem (errado, como já vimos – a menos que seja um sistema fechado). A perturbação da ordem em um sistema chama-se entropia (pode dar o nome que quiser mas a perturbação não é entropia, que no máximo seria uma medida probabilística da ordem/desordem). Como, por exemplo, os ruídos numa transmissão radiofônica (meu deus, que exemplo!). Isto vale para outros sistemas como a sociedade humana (isto o que, o ruído ou a tendência a desordem?), cuja ordem é mantida pelas leis que regem o comportamento de seus integrantes(o problema é que as leis não regem de fato os comportamentos, não é?). A sociedade carioca entrou em entropia (entrar em entropia – na qual não se entra, pois como vimos, sendo uma função de estado, a cada instante tem-se uma - deve ser para ele algo como entrar em coma) desde que nos anos 70, o tráfico começou a instalar-se nas favelas. Essa tendência a desordem pode ser revertida se o governo e a sociedade (que obviamente inclui os traficantes, que não se disporão a reverter nada), se dispuserem a isso. (não se separa com vírgula o sujeito do predicado, como acabou de me lembrar o Windows Office)
[1] Numa curiosa manifestação da Lei das Séries, justo hoje, 1/11/2009, ao escrever este parágrafo me deparei com um caso de lamentável aplicação do conceito de entropia à sociologia, no texto do Ferreira Gullar publicado no O Globo e que colocarei em anexo como exemplo.
[2] A afirmação é de Ilya Prigonine, prêmio Nobel de Química

terça-feira, outubro 13, 2009

Arte Moderna!Ver para crer,não acreditando no que está vendo

Artoons -Pablo Helguera


Acabo de ler a tradução brasileira (Lya Wiler) do polêmico livro de Tom Wolfe 'A Palavra Pintada' (The Painted Word) lançado recentemente.
Em 1975, quando li a primeira edição, morava em Paris. Lembro que na ocasião, aos 28 anos, a leitura desse livro me revoltou. Pudera! Meus anseios se fundiam aos movimentos culturais,estéticos e sociais que mobilizavam minha geração. O livro de Tom Wolfe, um sucesso de mídia e vendas, caiu como uma bomba nos salões 'cult' revestindo com mordacidade  e ironia os argumentos mais intransigentes. O “inimigo” recebeu munição nova, esse era o entendimento de parte das pessoas do meu convívio como forma de rebater o perigoso - porque inteligente-conservadorismo de Wolfe  Posições polarizadas tornavam as discusões um campo de batalha.
Agora, mais de um quarto de século depois,a escrita mordaz de Wolfe, contida nesse pequeno livro, não ressoam com o mesmo vigor. A epifanía de Wolfe, habilidoso esgrimista de palavras, nos entrega um texto delicioso, sem duvida, porém, passado tanto tempo suas criticas se tornaram opacas e as questões que nela jazem tornaram-se impotentes, incapazes de acalorar discussões.
Além disso, os supostos danos à arte modernista da década de 1950 e 60 em particular e a pintura abstrata em geral, se é que houve algum, não se tornaram relevantes com o passar dos anos. Ao contrario, murcharam.
Alguns clones nativos se esforçam ainda hoje para obter êxito na campanha contra o modernismo iniciada pelo papa do 'new journalism', contudo, por não possuírem a mestria do original, embaçam o espelho ao tentarem refletir suas imagens no vulto de Wolfe. Portanto, falar deles é irrelevante.

Algumas recordações despertadas pela publicação brasileira e que não se encontram no livro tocam em polêmicas ativas na época. Sei que muitas pessoas não gostaram do livro e outros não gostarão. Espero que isso não os impeça de conhecer esse confronto entre personalidades da crítica, editores e jornalistas que teve uma considerável repercussão no ambiente artístico. Wolfe inicia dizendo que o fato que o mobilizou a escrever o livro foi uma critica de Hilton Kramer para exposição Sete Realistas: Pearlstein, Bailey, Mangold, Wiesenfeld, Peixe, Posen, Hanson, na Yale Art Gallery (Universidade de Yale). Esse contexto não obrigou Kramer a “adorar” o livro. Ele revelou que não tinha gostado quando foi publicado pela primeira vez, e provavelmente ainda não gosta. Afinal, ser referencia de um fato,obra ou texto não obriga o citado concordar com as ideias de quem o mencionou. Não é verdade?
O certo é que a ideia para o livro surgiu de alguma coisa que ele havia escrito um ano antes.Nas páginas de abertura do seu livro 'A Palavra Pintada,' Wolfe diz que foi "empurrado" para fora de seu devaneio habitual ao ler a critica de Kramer para a exposição da Yale Art Gallery no encarte dominical do New York Times e o reproduz: “O realismo não carece de adeptos, mas carece, visivelmente, de uma teoria convincente. E dada a natureza de nosso intercambio intelectual com as obras de arte, carecer de uma teoria convincente é carecer de algo crucial – o meio pelo qual nossa experiência de obras individuais se soma à nossa compreensão dos valores que elas simbolizam” Sacudido por essa citação, Wolfe se deparou com o fenômeno Ah!Saquei!
Foi esse viés que permitiu Wolfe vislumbrar pela fenda o lado “oculto” da arte contemporânea. Então,animado, mergulhou num mar “translúcido” de conjeturas carregadas com as cores ácidas  da ironia:“Agora, finalmente, em 28 de abril de 1974, eu podia ver. Eu tinha ficado para trás o tempo todo. Não é "ver para crer", que bobinho, mas "crer é ver". A Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustrar o texto. ”
Na última sentença, Wolfe foi visionario.
O que não enxergou no modernismo,viu -de ante mão - no Pós Modernismo.
Ao prever com muita antecedencia a consagração posterior do método 'Temático' implantado pelas curadorias de arte, que vimos  triunfar são conjuntos de artistas e obras se sujeitando a ilustrar um  tema 'criado' por um curador. 
Os ataques de Wolfe ao pós-modernismo não chateavam Kramer. Segundo comentaristas próximos, Kramer sentia uma considerável simpatia pelos arroubos do jornalista contra grupos pós – modernos.
O fato que mais desagradou Hilton Kramer foi a critica de Wolfe à Clyfford Still, um artista que Kramer considerava "um dos mais originais" pintores do expressionismo abstrato. Porém, o que estendeu  a  irritação do decano da critica do 'NYT' foi o escárnio de Wolfe com todo movimento abstrato, incluindo os críticos e teóricos que o apoiavam e escreviam com frequencia matérias nos cadernos de cultura.
Para Kramer esse foi o disparate que faltava, visto que ele próprio muito contribuiu para difusão desse movimento da arte americana.
As tentativas de ridicularizar Clement Greenberg e Harold Rosenberg, defensores influentes início do expressionismo abstrato, se estendem no livro a todos os movimentos importantes do século XX- do Cubismo a Pop Art. Primeiramente publicado na revista Harper's em Abril de 1975 com o titulo "A Palavra Pintada: A Arte Moderna chega ao Ponto de Fuga”. O artigo atingiu em cheio o nervo de varias prima-donas da critica. Kramer respondeu imediatamente com uma longa análise, intitulada "Tom Wolfe e A Vingança dos filisteus." Dez anos depois, esse artigo foi reproduzido em um volume de opiniões e ensaios de Kramer que deram origem a publicação intitulada A Vingança dos filisteus: Arte e Cultura 1972-1984. Sua resposta a Wolfe inclui uma serie de provocações divertidas e outras nem tanto, como essas: “Se alguém tinha alguma dúvida que a vingança dos filisteus está sobre nós o ataque de Tom Wolfe a arte contemporânea, no número de abril da revista Harper's , acaba de extingui-la. Sobre arte, moderna ou não, Wolfe parece não saber nada”.“The Painted Word de Wolfe chega ao grande público que não sabe nada sobre a arte modernista, mas sabe muito sobre os rumores [fofocas] que são lançados em seu nome.Quando se trata da análise de idéias... quando ela se resume a obras de arte reais e inspiradas que nos levam a pensar, Wolfe, irremediavelmente, não é profundo(...)A [incompreensão de Wolfe] sobre o papel da crítica da arte - [sua] hostilidade com a teoria - identificada em The Painted Word, apesar de sua sabedoria e diversão literária, é um enunciado filisteu, um ato de vingança contra uma qualidade da mente com a qual não se integra e, portanto, trata como piada."
Wolfe não tem, certamente, o conhecimento de Kramer sobre a história do modernismo, assim como certamente não passou sequer uma fração do tempo de Kramer investigando a arte abstrata. 
Porém, Wolfe é sagaz e brilhante em suas argumentações. Ele percebeu num piscar de olhos o poder da revelação ao ler: "o realismo não tem uma teoria plausível”. Lamentavelmente, sua observação de que "a falta de uma teoria convincente é a falta algo crucial"- no que tange a produção artística- poderia ter ido mais fundo,atingindo o amago do problema que mescla a arte à ideologias. O açodamento de Wolfe em proferir resenhas espertas o levou a cometer um baita equivoco. 'Ver para crer, não acreditando no está vendo', não é um problema. Ao contrario, pode ser uma incitação positiva para despertar no espectador 'O' olhar inquisidor,  não apenas contemplativo, o emancipando da tutela dos  eruditos e o lançando numa experiencia nova e pessoal.Esse,aliás, esse foi um dos fatores que inspirou os artistas a produzirem as obras mais surpreendentes do modernismo. O desprezo por esse detalhe fundamental enveredou Tom Wolfe por vias mal pavimentadas.Para um sujeito de pensamento e argumentação tão sofisticadas, essa é uma falha imperdoavel.

Adriano de Aquino out/2009


























quinta-feira, setembro 24, 2009

Arte Contemporânea

Artoons -Pablo Helguera


Arte Contemporânea é maior parte das vezes entendida como um movimento artístico.No Brasil fala-se de arte contemporânea como se fala do Impressionismo ou Modernismo por exemplo. Se fosse um movimento artístico seria o mais durável dos movimentos estéticos da recente história da arte. O termo ganhou essa dimensão a partir dos anos 80 do século passado, quando uma casta de artistas, curadores, mercadores e admiradores se apropriaram do caráter difuso do termo para ali abrigarem seus paradigmas estéticos. A ampla visibilidade dessas produções nas grandes mostras públicas, nas Bienais, nas instituições de arte, no mercado e na mídia vivifica um paradoxo que aflige a cultura brasileira há muito tempo. Aqui, as iniciativas inovadoras tornam-se tímidas quando confrontam a mentalidade provinciana que se arrasta desde a era colonial, submetendo todos a uma ordem soberana que abate os opostos e banaliza os anseios por mudanças. Um conjunto de coisas, objetos, gestos, conceitos, instalações e outros programas estéticos que repartem procedimentos aparentemente não tradicionais e dividem códigos análogos apontam para um padrão estético dominante. As propostas que não se alinham a esse padrão enfrentam muitas dificuldades para emergirem à visibilidade publica.

Numa palestra realizada em 2005 na cidade do México Donald Kuspit definiu primorosamente a questão.Diz ele: “é muito difícil, mesmo impossível, escrever uma história da arte contemporânea -uma história que faça justiça a toda a arte considerada contemporânea: essa é a lição do pós-modernismo. Se escrever a história é algo como unir as partes de um enigma, como sugere o psicanalista Donald Spence, então, arte contemporânea é um enigma cujas partes não surgem juntas. Não há nenhuma narrativa cabível entre elas, para usar o termo de Spence, sugerindo, a principio, apenas incertezas. Porém, em suas partes individuais podem ser compreendidas. O contemporâneo por definição não é necessariamente o histórico, isto é, o contemporâneo é uma quantidade de eventos associados em um presente plausível, ou melhor, uma narrativa consistente que integra algum destes eventos em um sistema ou padrão que, simultaneamente, os qualifica, dando - lhes uma espécie de intencionalidade em relação ao seu propósito”.

Zelosos em suas estratégias pessoais, aplicados nas relações institucionais e com visão centrada no sucesso os segmentos da corrente de pensamento predominante na contemporaneidade acumulou conquistas. Nesse curto espaço de tempo vimos museus de arte tradicional e moderna abrir núcleos de arte contemporânea, operações mercantis se tornarem destaque na mídia que, exaltando os recordes de preços das obras de artistas da atualidade,descartaram as analises criticas sobre o valor intrínseco da arte. Proliferaram curadorias enaltecendo a “genialidade” do próprio curador. As assessorias de marketing galgaram status cultural. Vimos brotar “novas” idéias baixadas de updates temáticos que vagam pelo mundo. Expandiram as exposições e debates “polêmicos” tomados de forma imprópria de outros campos do saber.Esse conjunto de feitos revela o triunfo do entretenimento na vida contemporânea. Tamanha visibilidade ratifica a certeza de que vivemos sobre a égide de um modelo estético dominante.

O vale tudo que permeia a abundancia de modos e estilos confluindo num mesmo viés, consolidou uma permanência estética de longa duração. Nos últimos 30 anos fomos intimados a tolerar um modelo de expressão artística. O custo disso foi seu esgotamento.Cronos, o deus grego que representa o tempo, é o ícone mais adequado a esse período. Porém, sua maldição é austera com os homens. Primeiro os ilude, depois os abandona a própria sorte, diante da impossibilidade de subverter o tempo.

Adriano de Aquino

09/09

domingo, setembro 06, 2009

Fragmentação do $ e n a d o .000.000.000,00


A tentativa de cercear a campanha política de 2010 na internet tornou publica mais uma safadeza do Senado Federal. As manobras que já circulavam nos bastidores e recentemente apareceram na mídia, ensejavam impor limitações ao uso livre da internet na próxima campanha eleitoral. Para muitos senadores os descalabros que produzem, os quais somos intimados a assistir todos os dias, não são suficientes para nos esgotar. É preciso ir além, mais fundo na ignorância e no desprezo pela inteligência do cidadão. A recente tentativa de restringir o uso das novas tecnologias de comunicação revela o grau de atraso mental a que estão sujeitos. Essa tentativa de agora, não é a primeiro caso. Outras maquinações parlamentares, a titulo de legislação especifica que visam restringir a livre circulação da informação virtual, já foram aventadas. O pouco que sabem a respeito das transformações culturais impulsionadas pela internet já é o suficiente para alertá-los de que um novo inimigo, mais poderoso que os bandos políticos locais, constitui uma grande ameaça. A maneira de um censor boçal não pretendem estudar o novo fenômeno de comunicação global. Suas mentalidades tacanhas só produzem reações viscerais. Proibir, controlar, cecear são palavras que lhes trazem paz.,Experts em corrupção e auto favorecimento, atos secretos e nomeação de familiares, não conseguem, no âmbito das idéias, ir além do velho habito coercivo. Falam para o povo até onde o povo entende de política. E, basta!

Subvertem o dicionário alegando que o cambalacho que prolifera no ambiente parlamentar é Política real, com P maiúsculo.Coisa de Profissional - com P maiúsculo também.Incapazes de entender as mudanças de nosso tempo produzem asneiras sucessivas. Entendem como poucos de transações mesquinhas e retrogradas. Contudo, mesmo se beneficiando de informações privilegiadas temem as mudanças que se instalam no processo de construção de uma nova cultura. Sabemos que as transformações de mentalidade ocorrem no mesmo tempo das reações conservadoras. Tal percurso é sempre tortuoso, entulhado de personagens e praticas arcaicas que se debatem para prosseguir usufruindo. Os patriarcas senatoriais, parte dominante da ralé política, ainda que não vislumbre a extensão e a profundidade das mudanças em curso, já intuíram que tal movimentação tem na internet um foco contundente. Com os meios intelectuais de que dispõem alguns senadores só conseguem ver salvação para sua espécie se tiverem como controlar a rede virtual. Imagino as bobagens que pensam sobre as comunidades virtuais, as redes sociais e etc.

Com a tentativa recente uma coisa ficou clara: se pudessem controlar os novos meios de comunicação através de um ato secreto estariam mais tranqüilos. Mas, ao contrario do coronel do sertão que controla os currais eleitorais, não há como controlar a internet, restringir a opinião livre e democrática, a crescente participação política e o clamor por reformas.

domingo, agosto 09, 2009

INHOTIM: A Grande Lavanderia Mineira

Contemporaneidade Embalada para Consumo

A matéria investigativa sobre Inhotim, publicada no Novo Jornal (link acima) - deu margem a muitos comentários. Sobre cada um deles poderia desenvolver reflexões extensas que não seriam suportadas pelo fluxo desse tipo de pagina de um site da rede social. Porém, uma preocupação comum a todos os comentários sobre as velhas e nefastas praticas políticas merece uma consideração à parte, pois, reflexo da tradição política ainda envolvem e submetem a cultura brasileira ao atrazo. A manipulação “coronelista” se impõe sobre tudo e sobre todos, desencadeando a degradação de grande parte das instituições publicas e revelando o grau de comprometimento da cultura política nacional com as velhas praticas da corrupção. As iniciativas privadas que se beneficiam desse ambiente promiscuo são cúmplices da subserviencia cultural e da submissão política.
Sarcasmo? Não. Safadeza!
Os interesses pessoais, permeados de pragmatismo de marketing, hoje convergem com as novas tendencias estéticas atraves das bordas do anseio contemporâneo por novidade. No Brasil as coisas funcionam assim. Nesse país os opostos convivem harmonicamente. Aqui, o “coronelismo pós moderno” é mecenas da vanguarda contemporânea. Vanguarda contemporânea é aquela que se apóia na matriz da arte global e se ampara nas finanças institucionais para desenvolver um programa estético “genial”. Poucos ligam para o fato de que tais injunções acabam por elevar às alturas e garantir a permanência de um velho sistema que, por esperteza, se apoderando dos códigos estéticos correntes na contemporaneidade, vem neutralizando o poder de comunicação da arte, manipulando mercados e enchendo de peças ornamentais os parques temáticos de arte tipo Bienais e outros mega eventos pelo mundo afora, visando objetivos mais ambiciosos e lucrativos.
O desprezo pela critica e pelos critérios nos fez aportar num lugar onde as autoridades acadêmicas e os financistas regem seus empreendimentos ao mesmo tempo em que geram movimentos artísticos.
É a teoria do “salto de etapas” colocado em prática de forma magnífica.

terça-feira, julho 21, 2009

A UNE e o peleguismo Pós Moderno



No Aurélio pelego é: pele com lã do carneiro usada nos arreios à maneira de xairel; indivíduo subserviente, capacho.

No meio político o termo pelego foi popularizado nos anos 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1931 Vargas decretou a Lei de Sindicalização, inspirada na Carta Del Lavoro do fascista italiano Benito Mussolini. Entre outras coisas essa lei submetia os sindicatos ao Ministério do Trabalho. É nessa época que a palavra pelego ganha outros significados servindo para definir o líder sindical de confiança do governo que garantia o atrelamento da entidade ao Estado. Décadas depois o termo voltou à tona com a ditadura militar. Pelego então passou a ser o dirigente sindical apoiado pelos militares, sendo o representante máximo do chamado sindicalismo marrom. A palavra, que antigamente designava a pele ou o pano que amaciava o contato entre o cavaleiro e a sela, virou sinônimo de traidor dos trabalhadores e aliado do governo e dos patrões. Logo, é fácil entender que chamar uma pessoa de pelego é dizer que ela é subserviente/servil/dominada por outra, ou seja, capacho, puxa-saco, bajulador.

A era do conhecimento, da intensa comunicação global e da valorização da sociedade civil trouxe enormes benefícios, contudo, não extinguiu os antigos hábitos políticos nos países mais atrasados onde a nefasta tradição política sobrevive camuflada dentro do sistema democrático.

Um bom exemplo da força dessa sinistra reminiscência pode ser percebida nas palavras e atitudes de Augusto Chagas, presidente da União Nacional dos Estudantes que apresenta em 2009 para a sociedade brasileira a versão pós moderna do peleguismo.

As reações de Augusto Chagas as críticas de que a UNE teria se tornado um movimento chapa-branca (sinônimo de pelego), pelos recursos que recebe do governo Lula, me lembrou a atuação dos pelegos do passado. A parte sutis mudanças impostas pelo presente, o pensamento do atual líder estudantil é muito semelhante aos pelegos do passado tanto no tocante ao desprezo pela autonomia e a reflexão critica quanto pela a cretinice e a submissão. Mesmo diante de inúmeros problemas no sistema de ensino no país, Augusto Chagas coloca como prioridade da entidade a marcha de uma caravana nacional para debater as eleições de 2010 onde a UNE fará campanha para a pré-candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff.

Plagiando, de forma invertida, a pratica dos conservadores que viam o comunismo internacional como o grande vilão Chagas combate um demônio nacional, concentrador de todo mal do século XXI. Seu nome: FHC.-Nós vamos emitir opinião para 2010, sim. Não vejo problemas no fato de a UNE ter opinião. Vamos comparar os oito anos dos governos Fernando Henrique e Lula em vários debates. A UNE sempre foi extremamente crítica ao governo FHC, que foi ruim para o país. Mas não vê Lula da mesma forma - disse ele.

Em relação ao presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP),a UNE acha os ataques da oposição equivocados.

- A mera saída do Sarney não resolve nada.

Augusto também não vê problemas no fato de a UNE receber verbas públicas para realizar seu 51º Congresso e retribuir os donativos realizando uma movimentação estudantil contra a CPI da Petrobras.

- Não acreditamos que o objetivo da CPI seja apurar irregularidades. A CPI quer abrir flanco para a exploração do pré-sal por setores privados.

Augusto afirma que a imprensa,a opinião publica e os valores éticos fundamentais que deveriam nortear as relações das instituições de representação com o poder constituído não são impedimentos que levem a UNE a considerar nocivo o recebimento de verbas públicas.

- Movimentos sociais não têm a função de fazer oposição a governos, mas sim para ir atrás de conquistas.

As declarações de Augusto revelam o quanto o pragmatismo pode distorcer os valores mais elevados das causas sociais.Augusto cursa o primeiro ano de Sistemas de Informação na Universidade de São Paulo (USP), depois de desistir de dois outros cursos universitários. Ele disse que mora num apartamento mantido pelo pai, especialista em computação, e passará a receber da UNE uma ajuda de custo para alimentação e transportes de R$ 1.500 mensais.Antes, foi presidente duas vezes seguidas da União Estadual dos Estudantes (UEE), recebendo R$ 1.200 de ajuda de custo. Foram dois mandatos: 2005-2007 e 2007-2009.Com esse aporte de recursos é compreensível que Augusto diga: 'Não me sinto mal por não ter curso nem emprego'-Ora! Augusto, mas isso não é um emprego?Não,responde ele,ao contrário: eu sinto muito orgulho por ter aberto mão da minha trajetória profissional por um tempo. Quando encontro amigos que estudaram comigo e já se formaram eu me sinto bem, seguindo o meu próprio caminho. Não me sinto mal com as críticas de que não concluí um curso ou não tenho emprego. A UNE é o que é pela dedicação política de alguns estudantes. Pessoas passam, o movimento fica. No movimento estudantil, eu aprendi a importância das idéias coletivas.Para consagrar, junto a comunidade estudantil, suas aspirações peleguistas Chagas enaltece o Bolsa Família, vedete do governo Lula, defendendo que seja estendida para os estudantes com a criação da Bolsa UniversitárioAugusto Chagas já tem pronto o modelo da Bolsa que quer ter. Segundo ele a Bolsa Educação seria concedida a universitários de baixa renda e custeada pela União. Ele sugeriu que o benefício seja equivalente a 60% do salário mínimo, ou R$ 279. O valor ficaria bem acima do teto do Bolsa Família, de R$ 182, pago a famílias com cinco crianças na escola. Chagas disse que levará a proposta ao presidente Lula nas próximas semanas: - Não vamos popularizar a universidade no Brasil sem políticas desse tipo.Chagas quer que a bolsa seja concedida a alunos de universidades públicas e privadas. Hoje, a política de assistência estudantil é estabelecida e custeada por cada instituição de ensino, à exceção das bolsas do ProUni. Ele também defendeu que a União subsidie o passe livre de estudantes.

Com essas iniciativas Augusto Chagas nos mostra que o peleguismo também se transforma com o tempo. Os pelegos pós modernos continuam servis, porém, um pouco mais pragmáticos.

segunda-feira, julho 20, 2009

Vanguarda Histérica


As justificativa do artista alemão Ottmar Hörl :"não compreendo tanto barulho sobre minha proposta estética,. eu não pretendia ofender ninguém", me permite dizer que ele não compreende nem mesmo o mundo que vive. Diante da inconsistente resposta me senti obrigado a retornar a discussão sobre as conseqüências do vale tudo na arte.Há algo oculto nesse tipo de resposta irresponsável que pode explicar parte das propostas estéticas contemporâneas. Esse tipo de atitude permea uma mentalidade complacente e acrítica. Afinal, num mundo inundado pelas mais idiotas banalidades por que dar importância a aparição na vitrine da Weigl Galeria, na Alemanha de um bonequinho que reproduz o gesto de mão da saudação nazi de Adolf Hitler e seus seguidores?
Aliás, por que se indignar também com as propostas de Günter Von Hagens? Anatomista alemão que ficou famoso em seu país e ganhou as manchetes internacionais através das exposições que realizou sobre os “vários estágios da vida humana” que incluía cena de sexo entre cadáveres além de outros 200 corpos inanimados, submetidos ao controvertido processo de "plastinação", nome de sua invenção“cientifica” dos anos 70. Por que se revoltar contra Guillermo Vargas Habacuc,artista nicaraguense que colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e sede. Em 2009 a Bienal Centro-americana de Arte convidou Vargas Habacuc a repetir a ação. Os curadores da Bienal alegam que a grandeza da obra de Habacuc não pode se intimidar frente às criticas das pessoas que nada sabem de arte contemporânea.Os curadores correram em seu auxilio,pouco se lixando para a quantidade de cães que devem morrer frente aos olhos de um publico avido por experiencias estéticas contemporaneas..

O que essas intenções tentam nos sugerir? Afinal, Hörl não queria ferir ou ofender ninguém ao reproduzir a saudação nazi. Ele afirma que em uma exposição em Ghent, na Bélgica, no final do ano passado, não houve nenhuma queixa. Ele argumenta que na ocasião: "Eles(os gnomos nazis) faziam parte de uma exposição contra a extrema direita”... "Ninguém teve um problema com eles". Cada um dos gnomos vem com a seguinte inscrição em sua base: "As pessoas podem ser ideologicamente enganadas, assim como foram pelos nazis alemães”. Depois desse adendo Hörl não precisava fazer mais nada. Pra que defender seu trabalho como uma forma de sátira?Afinal, ele só queria se divertir um pouco, dando cotoveladas nos nazistas, retratando-os como gnomos. "Eu provavelmente teria sido morto pelos nazistas, se me atrevesse a mostrar os arianos a " super raça "como gnomos em 1942.”

Seu argumento tem algo de similar aos de Günter Von Hagens que também não pretendia desonrar os mortos e de Hababuc que considera sua obra uma denuncia contra a hipocrisia.

Von Hagens, não explica porque recorreu a seu invento cientifico fracassado o tornando experiência artística economicamente rentável. No fim das contas são apenas corpos sem vida, vazios de alma, de onde se extrai os líquidos dos tecidos corporais os substituindo por uma substância plástica especial tornando a matéria inerte, que seria devorada pelos vermes, em bem cultural com valor econômico declarado. Vargas Habacuc se valeu do argumento de que o mal está no intimo do espectador insultado, afinal: ”milhares de cães morrem nas ruas todos os dias. Por que se ofender ao ver um cão morrer de fome e sede numa galeria de arte? Pura hipocrisia!” diz ele.

Os gnomos de Hörl são imagens carregadas de ambiguidade. Será que ele não pensou nisso? Claro que pensou! Tanto pensou que anexou à base dos gnomos uma explanação com intenção de desviar uma imediata conotação de ode ao nazismo. Porém,ainda que a informação visse neutralizar a ambigüidade latente na própria imagem, ela é um adendo inútil,pois, a visão do objeto é um fenomeno especifico.Portanto,tal breviário, é puro cinismo que tenta eliminar a 'posteriori' qualquer duvida contida no precário conceito que levou o autor a produzir os bonequinhos nazis.A elaboração de um ícone capaz de gerar interpretações conflitantes com as intenções do próprio autor é um problema de criação não de interpretação. Artistas desatentos a esse contexto estão sujeitos a surpresas desagradáveis. A enorme complexidade da vida e dos signos contemporâneos exige muito mais esmero de um autor.Os preguiçosos, descuidados e oportunistas estão sujeitos a retornos indesejáveis.Esse parece o caso dos gnomos nazi de Hörl. Eles se confundem com os seres mágicos, carregados de conotações positivas, no imaginario alemão.Hörl,desprezou a polifonia interpretativa, um fenômeno contemporâneo de grande importancia.Sua experiência é um equivoco desde o começo. Ao tentar formular textualmente o que não conseguiu passar nas imagens Horl novamente fracassou. .Suas justificativas tentam, em vão, limitar a leitura de sua própria criação. Tal ingenuidade seria mais adequada a um artista naif que, por prudência, se mantêm afastado de temas de grande complexidade.

Escrever alguma coisa sobre mais um ato oportunista parece uma ação inútil, porém, é impossivel se calar diante de tanta manipulação. Já falei, em textos anteriores, sobre a frágil posição critica em tempos de relativismo cultural. Tal contaminação atingiu em cheio boa parte da produção estética contemporânea. Em tempos de liberalismos extremos, criticar alguma coisa que ocorra numa instituição cultural ou no mercado de arte tornou-se uma atitude previamente condenada e combatida pelos adeptos do vale tudo dominante.Uma névoa densa envolve a crença de que a abolição dos critérios e a paralisia critica é a mais eficaz garantia da liberdade criativa. A expansão dessa idéia invadiu a vida contemporânea de tal modo que se generalizou como argumento "politicamente correto". A expansão e a longa permanencia do relativismo cultural liberou forças descomunais capaz de destruir cerebros na fase de formação uterina.

sexta-feira, julho 17, 2009

UNE ingressa no ramo dos negócios ideológicos.



Entidade recebe quase R$ 1 milhão do governo e defende Petrobras em passeata

BRASÍLIA - Orçado em R$ 2,5 milhões, o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) recebeu ajuda de, pelo menos, R$ 920 mil do governo federal e de empresas estatais. A Petrobras, que doou R$ 100 mil - a exemplo do que já havia feito no congresso anterior, em 2007 -, ganhou o apoio dos universitários em passeata, nesta quinta, na Esplanada dos Ministérios. Segundo os manifestantes, mais de 5 mil pessoas participaram do ato; a Polícia Militar estimou em 1.500.

terça-feira, julho 07, 2009

Jackson é o pop.O pop é Jackson



A morte súbita de Jackson precipitou algumas reflexões sobre aspectos da cultura de nosso tempo. Coisinhas da vida diária, obras no ateliê e outros afazeres práticos, me impediam de entrar num ambiente mental propicio ao alargamento da perspectiva de visão sobre os efeitos das subseqüentes e rápidas transformações culturais por que passamos nos últimos trinta anos. As leituras, o acesso aos sites, uma razoável freqüência de visitas nas paginas das redes sociais e uma serie de textos, frutos de alguns insights, que postava no meu blog, apaziguavam, até certo ponto, as questões que suscitavam maior dedicação. Entrementes, a morte de Michael Jackson inverteu essa situação.

Seria um exagero considerar a morte de um dos maiores emblemas da cultura pop, um pressagio que afeta o amplo espectro da cultura de nossos dias?

Não, ao contrario, a simultaneidade entre a emoção de uma perda e a reflexão perante o desaparecimento de um personagem que pulsou,viveu e dividiu conosco o mesmo tempo do mundo é uma experiência única. A oportunidade de sentir e conjecturar sobre um evento dessa proporção, no tempo em que ocorre, tem algo de fantastico. M.Jackson cresceu diante dos nossos olhos. Durante sua longa carreira o vimos acender artisticamente, se transformar fisicamente e contribuir, como poucos em nossa época, para consolidar uma cultura que transcendeu gerações. Esse momento, em que fãs de todo mundo se comovem com a perda de um ídolo é também o melhor momento para refletirmos sobre o significado desse artista na cultura de nosso tempo, melhor dizendo, em nossas vidas. Um minuto de silencio, estamos participando intensamente de um importante momento da nossa historia,quer dizer,da historia de nosso tempo.

As polemicas levantadas por suas atitudes, a confusão que envolve as informações sobre sua morte, os aspectos sinistros que abrangem seu funeral etc., não nublaram sua relevante e múltipla existência, menos ainda sua trajetória artística. A obra e a pessoa de Jackson, suas metamorfoses, artísticas e corporais, se fundem com a construção da cultura pop e se consolidam como um registro único. Em resumo: Jackson é o pop, o pop é Jackson.

Há algum tempo vinha escrevendo no blog artigos sobre as transições que vinham ocorrendo no ambiente das artes plásticas. Ainda que se trate de um campo bastante especifico, nem por isso deixou de ser agitado por signos advindos da cultura pop, da mídia e dos códigos de uma era onde os signos do corpo, da aparência e da eterna juventude ganharam uma enorme importância.

Partindo de algumas cogitações sobre aspectos da cultura que antecedeu a cultura pop poderei explicar melhor o que penso sobre a importância de Michael Jackson na cultura da atualidade.

Nos anos 60/70, período de grande ebulição cultural que precedeu o surgimento da cultura pop, ocasião em que iniciei minha atividade artística, brotou nas ruas dos grandes centros urbanos o que se convencionou chamar de “cultura jovem”. Até então não se conhecia esse termo.

Intercomunicando-se, a partir de enormes concertos de musica, movimentos estudantis e manifestações culturais diversas, os jovens de vários lugares do mundo, ligados por um aparente compromisso com a identidade “jovem”, aspiravam mudar as regras do jogo social a partir da cultura. Essa identidade de que falo se expandia para alem da conotação estritamente pessoal, é claro. Fatores mais amplos, como identidade regional, social, étnica, sexual, cultural enfim, informavam sobre as atitudes, obras ou pensamentos de um novo tempo, através de um conjunto, quase hegemônico, de intenções. A contra cultura em seus procedimentos mais radicais, os hippies, os “heróis” desertores do Vietnam, os combates estudantis nas ruas de Paris, as lutas contra as ditaduras etc. pareciam então aos “conservadores” uma revolta mundial orquestrada. Hoje, um olhar distanciado nos permite pinçar diferenças entre essas correntes de militância e afirmar que não havia uma idéia especifica, ou melhor, uma ideologia condutora, que concentrava a energia dos jovens numa direção pré determinada.

Contudo, no centro dos eventos, podemos perceber um ponto comum -uma contestação objetiva – o desejo por mudanças radicais. Algumas vezes cheguei a conjecturar que o objetivo, ou melhor, o ponto de fusão, desses movimentos, visava à manutenção ad infinitum da dinâmica contestatória. Mas, como tudo nesse mundo, a dinâmica dos eventos acaba por se cristalizar em novas formulas que suscitam outros enfrentamentos. Essa tendência, se pudermos assim qualificar, se espraiou entre os jovens do ocidente e deu inicio a uma produção estética e intelectual “independente”, porquanto em confronto com as diretrizes econômicas, industriais, políticas e culturais dominantes. Sabemos que as utopias, sejam quais forem, não extirpam as agruras do mundo a um só tempo. Contudo, não seria incorreto afirmar que nos anos 60/70 os jovens do ocidente deram inicio a um movimento utópico espontâneo, de afastamento das doutrinas políticas, religiosas, dos hábitos e culturas locais, adotando uma cultura que aspirava por mais liberdade que, num certo sentido, se converteu, progressivamente, numa aspiração global, reduzindo,paulatinamente, o poder excludente dos preconceitos raciais, de gênero etc. e abrindo novas perspectivas de convívio,contribuiu para expandir os direitos individuais. As utopias, ainda que não tenham o poder das bombas e do dinheiro, concentram energias formidáveis, no final das contas fazem a diferença.

No ambiente artístico essa cultura se converteu numa abertura fantástica, permitindo a ascensão das diferenças e banindo, até certo ponto, o centralismo cultural que entravava a ascensão, em maior escala, das artes negras, latinas e de outras minorias.

Michael Jackson é fruto desse amalgama cultural. Seu enorme talento e esmero artístico não o tornaram apenas, por sorte do acaso, um ícone que perdurou mais de três décadas. O poder de sua arte, calcada em enorme talento e escolhas acertadas, transformou suas referencias culturais numa arte de tal forma poderosa que transcendeu o tempo, ajudando a consolidar o que hoje chamamos de cultura pop.

Suas metamorfoses corporais, a aparência de indistinta sexualidade, suas performances coreográficas, timbre vocal e interpretações cênicas se misturam, indeléveis, com sua vida pessoal. Separá-las, ou analisá-las a luz de um conhecimento especifico ou fundamento moral é puro reducionismo. Jackson homem é inseparável de Jackson artista. São de tal forma integrados que um sem o outro morre para si e desaparecem diante de nós. Sempre olhei com desconfiança as citações que tentam vincular ao extremo arte e vida. As considerava demasiado teóricas para se provarem factíveis e reais. Contudo, ainda que mantenha esse ponto de vista, devo admitir que Michael Jackson, gentilmente, como era de seu estilo, me revelou outro aspecto da realidade. Uma realidade POP>

sábado, junho 27, 2009

Os clinicamente vivos e o morto Michael Jackson

Esse desagravo, com cara de tributo, foi escrito após uma sequencia de artigos sobre a vida e a obra de Michael Jackson. Não sou propriamente um ingênuo que acredita em compensações justas advindas da sociedade ou por parte da midia ou do publico.O que me indignou em alguns informes foi a enorme banalidade e uma especie de dissecação revestida de moralismos e lições de vida sobre um cadáver insepulto.Poucas vezes testemunhei tal cinismo. No estado em que se encontra MJ não tem mais nada a aprender ou se indignar.Identifiquei o tratamento "clinico" e debochado de alguns artigos como um desrespeito a inteligência e a sensibilidade dos leitores.


Menos de três dias da morte de Michael Jackson e parte da mídia, alguns blogs e paginas das redes de relacionamento, se enchem de textos explorando os aspectos pessoais, a personalidade e esquisitices da vida de Michael Jackson. Muitos dos textos em tom “clinico” exaltam os aspectos geniais do compositor, coisa obvia e difícil de contestar, ao mesmo tempo em que se arrogam a analisar o comportamento pessoal do homem recém morto.

Requentando velhos assuntos polêmicos, pra lá de conhecidos sobre Jackson, os “clínicos da vida equilibrada” se dedicam a avaliar o cadáver não sepulto à luz das mesmices de sempre. Nas ultimas vinte quatro horas venho ouvindo e lendo “vozes divinais” surgirem por entre lagrimas, tributos e tristeza e de seus púlpitos de razão esclarecida, discorrem sobre uma espécie de “morte anunciada” de Michael Jackson.

Até as pedras sabiam que Jackson era um ser atormentado e sofrido. O bonito de sua historia é que, acima disso, ele não se embasbacou com o sucesso precoce. Ao contrario, transcendeu com esforço e muita dedicação seu enorme talento natural. Durante sua carreira transformou-se artística e fisicamente. Suas varias metamorfoses físicas, por serem mais objetivas e de comunicação imediata, deram margem as mais severas interpretações. Em nossa sociedade as questões relativas à aparência física e identidade pessoal são bastante confusas. Uma sociedade racista descrimina, ainda mais, um negro que se torna branco. É aceitável que os brancos se tornem o que bem entenderem. Um negro virar branco gera ruídos inconvenientes nas duas etnias. Quando tal desconforto não é imediatamente execrado é cinicamente explicado e mesmo convenientemente tolerado. O que se tenta esconder com essa atitude é que o individuo pouco ou nada importa. Não esqueçamos que essa é a mais poderosa fórmula de dissolver as identidades.

Alguns dizem que depois de Thriller Michael Jackson iniciou uma descida vertiginosa rumo ao desastre e a morte como astro de primeira grandeza. Parecem querer nos lembrar que o MJ era um ser humano cheio de problemas. Talvez pensem que “nosotros” não sabíamos ou seriamos incapazes de imaginar. Já estávamos carecas de ouvir as incontáveis e historias dos moralistas sobre a brancura de Jackson que nasceu negro, acusado de pedofilia, apontado como dependente químico, infantilizado e de sexualidade confusa, derrotado por seu próprio ego e financeiramente falido. O que querem nos dizer reprisando essas informações? Que os homens que sobem demais um dia caem? Que poetas, artistas e seres sensíveis merecem o castigo e a dor por não seguirem os receituários de boa conduta? Existe disponível nessa sociedade hipócrita uma receita de equilíbrio emocional e afetivo que sirva igualmente para todos os indivíduos? Ou um ingrediente cientifico que arranca a dor das experiências pessoais e familiares? Enfim, um astro rico e famoso estaria acima das pressões de um mercado altamente competitivo e de uma sociedade ávida por novos estímulos.

MJ artista é resultado do homem que foi. Múltiplo e poderoso criador.


terça-feira, junho 23, 2009

O tempo passa, o tempo voa.


A CIA e o laboratório iraniano - é o titulo do artigo de Thierry Meyssan divulgado esta semana por vários amigos.Recebi dúzias de emails indicando esse texto para leitura e reflexão. A unica coisa que conclui é que o tempo passa,o tempo voa e a esquerda continua a mesma de sempre.

Ler o texto é possível, refletir sobre ele é inviável. O artigo é escrito seguindo o velho modelo de textos ideológicos simplificados misturado a episodios de conspiração. O autor expõe dois ou três aspectos da política internacional das grandes potencias. Fala das suas perversas estratégias, da ganancia e do controle dos recursos naturais e das riquezas dos países subdesenvolvidos, do conluio das classes dominantes provinciais com o rico empreendedor estrangeiro. Porém,nada fala dos anseios por liberdade manifestado pelo povo iraniano e das possíveis razões internas que incendeiam os tumultos que vem ocorrendo em Teerã.

Isso porque para Meyssan (como para boa parte da esquerda) povo não existe,quando existe não tem vontade própria. Nesse pensamento tudo que o povo produz, pensa ou faz é manipulado,quando não imposto pela força ou interesse vil,como é o caso das manifestações que vem ocorrendo em Teerã.Para ele o “caos é provocado com muita astucia pela CIA, que semeia a confusão inundando os iranianos de mensagens SMS contraditórias”.

Para dar corpo a suas idéias o autor volta a “março de 2000 quando a secretária de Estado Madeleine Albright admitiu que a administração Eisenhower havia organizado uma mudança de regime no Irã, em 1953(...)A Operação Ajax visava derrubar Mossadegh, com a ajuda do xá, e substituí-lo pelo general nazi Fazlollah Zahedi, até então detido pelos britânicos”

Essa lenga-lenga serve para levantar a suspeita de que as atuais manifestações em Teerã seriam inspiradas nas ações que ocorreram naquela ocasião quando a “CIA imaginou um cenário que desse a impressão de um levantamento popular quando se tratava de fato do andamento de uma operação secreta. O auge do espetáculo foi uma manifestação em Teerã com 8000 figurantes pagos pela Agência a fim de fornecer fotos convincentes à imprensa ocidental”. A partir dessa historinha Meyssan penetra nos velhos métodos de ajustar a realidade e as informações aos seus interesses político/ideológicos. Coisa que os stalinistas faziam com muita astucia. Diz ele que o que estamos vendo é “mais uma vez, o Iran se tornar um campo de experimentação de métodos inovadores de subversão. A CIA utiliza agora uma arma nova: o domínio dos telefones móveis. Desde a generalização dos telefones móveis, os serviços secretos anglo-saxões multiplicaram as suas capacidades de intercepção (...). Em primeiro lugar, trata-se de difundir por SMS durante a noite dos tumultos a notícia segundo a qual o Conselho dos Guardiões da Constituição (o equivalente ao Tribunal Constitucional) havia informado Mir-Hossein Mousavi da sua vitória. A partir daí, o anúncio, várias horas mais tarde, dos resultados oficiais — a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad com 65% dos votos expressos — parecia uma fraude gigantesca. Entretanto, três dias antes, Mousavi e os seus amigos consideravam a vitória maciça de Ahmadinejad como certa e esforçavam-se por explicá-la pelos desequilíbrios na campanha eleitoral. Assim, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani pormenorizava as suas queixas numa carta aberta. Os institutos de sondagem dos EUA no Iran prognosticavam um avanço de 20 pontos percentuais de Ahmadinejad sobre Mousavi. Em momento algum a vitória de Mousavi pareceu possível, mesmo sendo provável que fraudes tenham acentuado a margem entre os dois candidatos. Nos países que ocupam — Iraque, Afeganistão e Paquistão —, os anglo-saxões interceptam a totalidade das conversações telefônicas quer seja emitidas por tele móveis ou por aparelhos com fio. A finalidade não é dispor de transcrições de tal ou tal conversação, mas identificar as "redes sociais". Por outras palavras, os telefones são espiões que permitem saber com quem uma dada pessoa está em relação. Partindo daí, pode-se esperar identificar as redes de resistência. Num segundo tempo, os telefones permitem localizar os alvos identificados — e neutralizá-los".

Mais adiante o autor revela toda montagem da conspiração: “Simultaneamente, num esforço novo, a CIA mobiliza os militantes anti-iranianos nos EUA e no Reino Unido para aumentar a desordem. Um Guia da revolução no Iran foi distribuído. Ele inclui vários conselhos práticos, tais como: acertar as contas Twitter no fuso horário de Teerã; centralizar as mensagens nas contas Twitter@stopahmadi e não atacar os sítios internet oficiais do Estado iraniano. "Deixem isso para o exército dos EUA (sic).Uma vez aplicados, estes conselhos impedem toda autenticação das mensagens Twitter. Já não se pode saber se eles são enviados por testemunhas das manifestações em Teerã ou por agentes da CIA em Langley, não se pode mais distinguir o verdadeiro do falso. O objetivo é criar cada vez mais confusão e levar os iranianos a lutarem entre si."

E continua:"Os estados-maiores, por toda a parte do mundo, seguem com atenção os acontecimentos em Teerã. Cada um deles tenta avaliar a eficácia deste novo método de subversão no laboratório iraniano. É evidente que o processo de desestabilização funcionou. Mas não é seguro que a CIA possa canalizar os manifestantes para que eles façam por si mesmo aquilo que o Pentágono recusou fazer e que eles não têm qualquer vontade de fazer: mudar o regime, acabar com a revolução islâmica."

Resumindo: o pedante texto insiste na velha ideia de que apenas pessoas como Meyssan e outros pressunçosos esquerdistas enxergam através da cortina de fumaça dos tumultos sociais.Os demais,quer dizer,todos que lutam de alguma forma por liberdade e transparência, o povo iraniano que se manifesta pelo respeito ao voto que se traduziria em pequenas reformas, os pensadores do ocidente que apoiam a expansão do conhecimento,dos direitos humanos e da liberdade em escala global são para Meyssan apenas massa de manobra,ingênuos úteis,manipulados com astucia pelos mais destacados ‘gênios da espécie humana’ –os agentes da CIA.

O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article160639.html

segunda-feira, junho 22, 2009

Marcel Duchamp and Maya Deren First Part


Este filme é uma experiência da "vanguarda" histórica.Depois que vanguarda deixou de ser "experiência" e se tornou disciplina escolar e estilo artistico consolidado,virou maneirismo repetitivo e monótono.

domingo, junho 21, 2009

Mousavi x Ahmadinejad e o povo no meio




O que Mousavi e Ahmadinejad têm em comum?
Ambos foram militantes de primeira hora da Revolução Islâmica de 1979 – em que religiosos xiitas, comunistas e liberais derrubaram a monarquia do xá Reza Pahlevi.Os dois têm opiniões semelhantes quanto à importância do projeto nuclear para o país. No que tange à estrutura dos poderes, os dois políticos são coincidentes e não propõe mudanças no sistema de governo vigente – no qual clérigos mulçumanos xiitas fiscalizam os políticos eleitos. Para se ter uma idéia do poder e das incumbências desse conselho religioso basta dizer que é ele que escolhe quem chefiara o Poder Judiciário. O que a academia chama de governo teocrático é o que permanecerá sendo praticado no Iran com um ou outro lider politico no poder.
O que difere Ahmadinejad de Mousavi?Ou,a luta pela transparência eleitoral.
Ahmadinejad enfrenta acusações de corrupção e é contrário a reformas políticas e institucionais internas. No plano externo, especializou-se em atacar os americanos e o estado de Israel. Sobre os judeus, aliás, tornou-se famoso por ofender a história e defender o indefensável: a esdrúxula versão de que o Holocausto – o assassinato de cerca de 6 milhões de judeus pelos nazistas na II Guerra Mundial – não aconteceu. A bravata lhe valeu a condenação por parte de nações de todo o mundo, incluindo líderes islâmicos. Outro desafio ao mundo foi o anúncio da criação de um programa nuclear, o que resultou em sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Além disso, Ahmadinejad, nega direitos às mulheres. Seus eleitores são, em maioria, pessoas mais velhas, de classe baixa e menor grau de escolaridade.
Mousavi foi primeiro-ministro do Irã entre 1981 e 1989, quando o presidente era o atual líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. É favorável a uma abertura no regime, com mais direitos democráticos às mulheres e diálogo com os Estados Unidos. Seus eleitores são, em maioria, representantes da classe média, vivem nos centros urbanos e tem maior grau de escolaridade.Muitos consideram que as mortes nos recentes confrontos de rua não justificam a reduzida possibilidade de reformas importantes que permitam,por exemplo,maior participação das mulheres na sociedade,a extinção e a punição da brutalidade policial contra as minorias etc. Contudo, maior liberdade opinativa,ainda que não mude as coisas de forma radical, permitira aos poucos que a tolerancia e o convivio de ideias descortine outros caminhos.

quinta-feira, junho 04, 2009

Santa Paciencia


Veneza dá início a Bienal mais "magra"

Esse é o título da matéria publicada hoje na Folha de São Paulo
Faz sentido! No mundo dominado pela cultura dietética e torturado pela estética esquelética, "ficar mais magra" é sinal de conformidade aos padrões da atualidade. É uma mentira, sabemos, mas, tem gente que acredita.
"O título é "Fazer Mundos" no maior número possível de línguas", explica curador da Bienal, que começa hoje para convidados
A Bienal de Veneza, mais tradicional exposição de artes do mundo, chega à sua 53ª edição mais "enxuta”, diz o jornalista. Acho que deve estar vestindo um modelinho adequado aos novos tempos.
Não sei onde nasce a pretensão de achar que num mundo conturbado por enormes transformações que atinge a grande mídia, a economia e afeta a vida de milhões de pessoas uma Bienal "mais magrinha" possa renovar um modelo antiquado de exposição de arte tipo Bienal. Para muitos artistas esse "modelinho" já esta pra la de ultrapassado, não da mais conta da enorme diversidade e mobilidade da produção artística da atualidade.
Adriano de Aquino

Adriano, meu caro,
Hoje a sua indignação permitiu a ironia e verifiquei como você é um bom polemista. É uma espada afiada.
Falam coisas mirabolantes sobre bienais, salões, museus. Tive há uma semana uma conversa com um conselheiro da bienal. Ele ficou pasmo com a minha simplicidade camponesa: eu disse que todos os problemas se devem ao afastamento destas entidades do fenômeno arte. Uma coisa é a responsabilidade financeira, vergonhosamente recusada pelas prefeituras, estados e união. Outra coisa é a essência: estes locais devem expor arte. Idéias sobre comunicação, relação arte e público, a crítica e a educação do burguês, o sofrimento dos filhos paralíticos de motoristas de veículos coletivos, a sobrevivência ou não da mídia impressa, a inclusão da minoria armênia, a gravidez precoce das meninas da periferia urbana, são questões realmente importantes e devem ser discutidas em simpósios, no congresso nacional, ser tese universitária , objeto de comunicação à UNESCO e, quem sabe, devem receber até a opinião dos doutos Sarney e lula. No espaço bienalesco propriamente dito, nos espaços museológicos, nos centros culturais, devemos ter a humildade de acreditar na arte e na sua capacidade de ampliar a nossa consciência e expor a obra dos artistas. Não é necessário fazer exposições gigantescas. Basta escolher alguns artistas, todos referendados pelo passado, pela obra já construída (este critério é uma das bases), e mostrar a sua produção dos últimos anos. Aos muitos jovens, mesmo aos que são apontados com tanta ligeireza como gênios, devemos reservar espaços institucionais, universitários, etc.. O resto é com o mundo.
Um abraço forte deste camponês que vos fala,
Jacob Klintowitz


Caro amigo
Seus comentários são estímulos ao pensamento. Abrem portas no corredor estreito onde o transito das idéias é prejudicado pela aglomeração de poderes, desejos, aspirações e ambições conflitantes. Minha ironia, no “curto e grosso” comentário para a matéria da Folha é filha de impaciência. A impaciência é como uma filha adolescente, rebelde e mal educada. Sou um péssimo educador. Mal consigo conviver com minha própria má criação. Após a leitura de seu comentário, recobrada a serenidade, é bom que ela prevaleça, lembrei que desde o inicio dos diálogos de blog sobre a Bienal de Veneza trilhei uma passagem que me levasse ao interior do sistema de exibição de arte. É bom dizer que os assuntos relativos aos modelos de exibição de arte, as artimanhas do mercado e do mundo da mídia, as transas curatoriais e as politicagens protecionistas de grupos gestores não são assuntos que me encantam. Ao contrario, me entediam. Não existe substancia nutritiva nesse ambiente amorfo. Porém, ainda não atingi a perfeição de poder viver sem desembainhar a espada e colocá-la a serviço de uma boa causa. Amigos dizem que a causa é a própria arte. Contesto veementemente essa idéia, pois a considero a seiva mais nutritiva dos usurpadores. Temo as grandes idéias sobre arte com o mesmo rigor com que me previno contra as grandes idéias sobre a vida. A historia comprova o gigantesco poder das grandes idéias em exterminar as diferenças.
Portanto, retornando ao inicio do dialogo, tentarei justificar porque tomei um trecho do livro de Alloway sobre a Bienal de Veneza escrito há algum tempo atrás. Nesse livro o autor coloca a “diversidade extrema” que hoje admitimos como território consensual da arte contemporânea, no centro da discussão. Falar isso hoje soa como lugar comum, contudo, até a Bienal de 1968 não era. Alloway diz que “a diversidade extrema da Bienal, sobretudo, as mudanças estéticas dos trabalhos exibidos colocaram em questão o conceito do trabalho de arte como símbolo permanente”. Nesse contexto, não só os artistas, mas, os críticos e gestores institucionais - não existiam os curadores na concepção que hoje conhecemos - foram artífices de um novo modelo de exibição de arte que revolucionou as formas de mostragem e estabeleceu novos paradigmas para a arte e para própria instituição Bienal. Esse conjunto de fatores não surgiu por acaso foi fruto de muito esforço, trabalho e inteligência de todos componentes em jogo. A permanência desse modelo por longo período acabou por estagnar o sistema dando inicio a decadência e a agonia de um modelo outrora bem sucedido. Muitos pensam que isso ocorre por força das características estéticas das obras contemporâneas. Ledo engano, a crise das instituições de arte é fruto do descompasso entre produção, critica e a concepção dos modelos expositivos. Confundi-la com uma crise ou “vazio” da arte é um grande engano.
Em resumo: a usura, a ambição, a vaidade excessiva, os artifícios do mercado, o capitalismo “selvagem” etc. são, sem duvida, fatores de considerável importância, porém, não são o foco das questões artísticas fundamentais pelo fato de não o serem para a própria existência humana. São fatores importantes, falam muito do tipo de sociedade que vivemos, mas, não servem como matéria de reflexão sobre nossa própria existência como individuo. Quando vamos a uma exposição de arte a ultima coisa que perguntamos é como esses fatores incidem em nossa percepção da arte. Nós apenas percebemos, avaliamos e interagimos. A vida, por mais tecnologia que se coloque no nosso dia a dia, é coberta por um manto de mistério, por que a arte seria diferente dela?
Adriano
Meu caro Adriano,
Magnífica a tua resposta. Não respondi imediatamente porque faria uma conferência no dia 6 e precisava pensar sobre ela. O que foi ótimo, pois me possibilitou reler o que escrevestes. Tenho para mim que você deveria transformar num artigo e enviar para as pessoas. Já está quase pronto.
O reconhecimento da diversidade é uma conquista européia sobre o euro-centrismo. Não é de hoje, pois a alteridade que permitiu o reconhecimento de civilizações antigas ou coevas, mas diferentes, como detentoras de um corpo de saber válido, data do início do século XX. É um avanço permanente. E sabemos, nós dois, a imensa influência que a arte africana, australiana e pré-colombiana teve na formação do modernismo europeu. Você coloca a questão muito bem.
Entretanto, Adriano, eu me pergunto sobre a arte como eternidade/universalidade na medida em que ela formaliza essências modelares. A teoria dos arquétipos é fundada nesta questão. E é um produto do século XX oriundo do plano das idéias perfeitas, de Platão. Os modelos perfeitos é a concepção do universo divino, parece-me. A concepção de um universo espiritual, certamente confere um papel importante para a arte. Sei bem que não é o seu caso, mas a idéia da diversidade e de sua validade, de sua equivalência, levou, na vida universitária americana, ao absurdo de equivaler um poeta qualquer africano à Shakespeare... Desde muito cedo estive habituado à idéia da diversidade. Primeiro, porque eu sou diverso... depois, pela fascinação que as antigamente chamadas artes primitivas – hoje, artes primeiras - exerciam sobre mim. Nunca vi a diferença essencial entre uma certa escultura pré-colombina de uma mulher parindo (está num museu especializado em Washington) e o melhor do Picasso. Eu simplesmente alargava a minha concepção do que era arte, sem perder a fascinação ou deixar de considerá-la uma manifestação do mais elevado do ser humano. Nunca senti qualquer frisson pela concepção da arte como manifestação da super-estrutura ou derivada de determinadas condições sócio-econômicas.
Eu também acho que a arte não está em crise e não é a crise. A crise está no que acreditamos ser a arte e as formas expositivas.
Fico com receio destas comunicações rápidas. Há tanto a dizer, tantos meios-tons, tantas sombras, e eu digo estas coisas apressadas. Conto com a sua benevolência
Jacob Klintowitz
Caro Jacob
Inevitável não ir adiante depois de ler seu comentário. Concordo que esse espaço "virtual" inibe as nuances mais sutis do pensamento. Todavia, a crueza dos fatos e a dimensão das calamidades que deságuam no campo da arte todos os dias nos pedem abordagens criticas urgentes sobre as ocorrências da arte na atualidade. Concordo totalmente com sua colocação: "a idéia da diversidade e de sua validade, de sua equivalência, levou, na vida universitária americana, ao absurdo de equivaler um poeta qualquer africano a Shakespeare". Cristalino!Acertou na mosca! Em uma palestra realizada em dezembro de 2007, publicada na integra no HiperBlog, identifiquei o mesmo artifício "acadêmico",tão bem descrito por você, como um dos vetores da crise do pensamento critico na atualidade.A idéia é que:"A subsistência de um pensamento desconstrucionista que, tendo solapado de dentro para fora a tradição racionalista da filosofia ocidental e deixado a modernidade sem uma base filosófica profunda para suas crenças e instituições,vem impedindo que apareçam novas respostas ao relativismo contemporâneo".Compartilho dessa sintese de Fukuyama sobre a crise da atualidade.Ao testemunhar a profussão de produções estéticas concebidas como um simulacro de "tese acadêmica" esse entendimento se fortalece.Tal artificio confirma que as propostas estéticas supostamente "revolucionarias" são, de fato, calcadas num sistema hierarquico "academico" bastante convencional.
Uma grave contradição despiu grande parte das iniciativas artisticas contemporaneas de qualquer intenção critica, revelando o quanto a produção vem gradativamente se submetendo a modelos suscetiveis de serem manipuladas por interesses difusos.
Num trecho do livro O Dilema Americano Francis Fukuyama ataca frontalmente o problema,por isso relaciono a analise do pensador americano a crise do momento.É muito claro que a paralisia em relação a crise que vivemos ocorre,em parte,pela continuidade de um modelo dominante. Fukuyama enfatiza um trecho do livro de Allan Bloom intitulado The Closing of the American Mind que toca no centro desse problema. Nas palavras dele, Allan Bloom "relaciona de forma brilhante o Rectoratsrede de Heidegger com a crise contemporânea da universidade americana, bem como com sexo, drogas, musica e outras tendências da cultura popular". Este livro toca no nervo exposto da crise ao identificar um problema real (assim como voce o identificou). O problema reside na longa regência do relativismo cultural. Essa permanência tornou possível a difusão e a expansão da crença de que a "razão é incapaz de se erguer acima dos horizontes herdados pelas pessoas".O que,convenhamos,revela o poder de um determinismo sufocante,submetendo todos a ideia de que a realidade é imutavel.Tal fenômeno acabou por se tornar um dogma da contemporaneidade. “Na “verdade, essa ideia ganhou tal repercussão que passou a fazer parte da vida intelectual contemporânea.” Foi legitimada, em um nível elevado por pensadores sérios como Nietzsche e Heidegger, transmitida por modismos intelectuais como o pós – modernismo e o desconstrucionismo e traduzida na pratica pela antropologia cultural e por outras partes da academia contemporânea”. Alguns artistas da atualidade adotaram a ideia como modelo se sujeitando a produzir coisas a partir dessa dissimulada doutrina.Os modelos expositivos tipo Bienal e outras megas mostras de arte foram levados nessa onda e acabaram por se colocar na posição de presa fácil dos aventureiros gestados nos bancos das academias.As boas praticas da critica de arte foram,gradativamente,sendo excluídas dos centros de discussão sobre a produção contemporânea.Tal feito acabou por detonar a parceria mais produtiva que os artistas tinham com as idéias e a reflexão critica mais férteis fundamentadas na experiencia impar da criação e do fazer artístico.
Abraço
Adriano