quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Planta baixa dos sentidos artisticos contemporâneos

Adriano de Aquino

Termos arcaicos guardam mistérios encantadores para quem gosta da "onda" do pensamento. Uma das melhores coisas da vida é penetrar labirintos nos quais só se percebe algumas pistas quando já esta dentro dele.
Ah!Que prazer teria se as instalações fossem assim!Templos/labirínticos multi dimensionais que proporcionassem experiências únicas e estimulantes. Porém, na atualidade, os espaços míticos perderam a graça. Uma planta e indicações de percurso desviam o individuo para um trajeto projetado. Textos teóricos, miríades de citações das mais diversas correntes do pensamento moderno se fixam na entrada das instalações pós modernas. É uma espécie de mapa mental.Quase esqueci as placas de honrarias:Pavilhão Walter Benjamim;Pavilhão Merlau Ponty;Pavilhão Adorno(gostando ou não, de rituais consumistas). Seguindo as indicações curatoriais especialmente criadas em laboratório, o visitante não corre o risco de se perder, mas, também não tem nenhuma chance de achar, ou melhor, encontrar algo além da sensação de êxtase coletivo. Algo similar a um culto religioso arcaico, do qual o fiel só conhece os milagres.Na marcha, os "cordeiros" compartilham códigos, não descobertas. O fenômeno é a marcha em direção as Mona(s) Lisa(s) renascidas. Por muito menos Cristo expulsou fariseus do templo. Deus morreu para que a ciência triunfasse. Uma causa nobre, diria. Hoje, uma orda de templários Bienalicos (sic) faz o percurso da mesma forma que multidões de muçulmanos se dirigem a Meca. Celebrações coletivas. Nem Deus, nem Ciência (conhecimento) nem Arte.
Afinal, pra que?


quarta-feira, fevereiro 10, 2010

29 ª Bienal de São Paulo:Mais do mesmo!


Reedição ampliada do texto
Bienal de São Paulo: Um morto barulhento
Postado em 04/10/2006 no HiperBlog
Controvérsias reaparecem a cada nova edição da Bienal São Paulo. Elas se originam do esgotamento das formas de mostragem de arte, conceituação e modelo de gestão dos grandes eventos. Muitos afirmam que as mega-exposições há muito deixaram de ser um elo ativo entre a pluralidade das experiências estéticas e o publico. Essas opiniões coincidem com os protestos de vários grupos contra a investida mercantil sobre os produtos artísticos, associados a esse tipo de evento.
Críticos das feiras de arte e das grandes mostras internacionais focam suas ofensivas sobre os métodos do marketing cultural que enfiou turismo, antropologia, divertimento, arte e cultura num mesmo saco, melhor dizendo, num mesmo ambiente refrigerado e lacrado contra ruídos da cultura contemporânea que acontecem do lado de fora.
As grandes mostras tornaram-se paquidermes em processo de desintegração. Os curadores investem sobre o que resta de orgânico num material em decomposição.
As sucessivas mudanças artísticas, provenientes, entre outras coisas, da dinâmica da era dos meios eletrônicos, expandiram consideravelmente as formas de expressão.Qualquer pessoa minimamente informada sabe que a variedade de informações hoje disponibilizadas, produziu um enorme impacto na vida social. Acreditar que a criação artística ficou imune, protegida no casulo da genialidade criativa é tolice. Para quem enxerga para além da propaganda o que se evidencia na manutenção do velho sistema é uma estratégia que beneficia grupos de interesses mercantis e econômicos.
Porém, os curadores não vêem isso e se prontificam a salvar os restos mortais da instituição reabilitando-a como uma espécie de zumbi transglobal.
Será que acreditam poder voltar no tempo e nos surpreender, reeditando as polêmicas bienais dos anos 60 e 80?
A Bienal de Veneza de 1980, que serviu de vitrine à versão de Charles Jencks para o pós-modernismo, decretou o fim desse modelo de exposição. Essa Bienal foi o último elo de ligação efetivo das grandes mostras com as questões mais radicais da arte e que teve como resposta o entusiasmo do público.
Como esse fato histórico não é uma advertência contra a mesmice, o publico é coagido a assistir as repetições infindáveis do mesmo show, com pequenos cortes particulares. Lamentavelmente, mais medíocres.
Os cientistas, em coro com alguns artistas, acham melhor isso do que nada.
Francamente, sem querer estragar a festança nem sujar a vitrine, prefiro o nada. É mais estimulante.
Se o sopro criativo dos curadores, ou melhor, dos atuais “cientistas da criatividade” conseguisse superar os feitos do passado marcando uma diferença crucial com o sistema de arte dominante eu não seria tão incrédulo. Porém, não é o que vemos. As grandes mostras de arte da atualidade são como rituais arcaicos que orbitavam em torno dos curandeiros. Os cientistas da criatividade são hoje cultuados e temidos como os curandeiros do passado remoto. Essa nova espécie de “meteur em scene” vem perturbando o sono de muitos artistas. De um tempo para cá o mundo das artes foi envolvido numa atmosfera artificial carregada de ansiedade.
Motivos não faltam.
O mais significativo tem origem nas vertentes da vanguarda contemporânea que, ao contrario da vanguarda histórica, derreteu o outsider no insider.
As obras que não se encaixam no esquema em voga não são nem outsider nem insider, portanto, não merecem atenção dos cientistas da criatividade.
Eles não almejam apenas organizar uma mostra de arte, pretendem isso sim, precipitar-se à história.
As atitudes artísticas que antecederam os últimos trinta anos, marcadas pela transitoriedade, romperam barreiras e descortinaram conceitos, trazendo à tona novas formas de expressão. Uma enorme variedade de estilos coincidiu com a atração generalizada pelo efêmero, despindo as obras de arte das características outrora reconhecíveis como “arte burguesa”.
Porém, tais atitudes resultaram num paradoxo que parece não preocupar alguns artistas e gestores das instituições culturais. Dentre as inúmeras questões a mais aparente é a consolidação de um estilo mundial de arte inscrito nas performances, instalações, intervenções coletivas, grafites, pichações e outros gestos identificados como formas de arte mais representativas da atualidade.
Ocorre, entretanto, que tais gestos já duram mais de vinte anos, ou seja, se projetam acima da média de vida de quase todo estilo internacional de arte. A história é farta em exemplos que nos confirmam que a longa permanência de um modo de arte conduz ao esgotamento levando grande parte da produção a procedimentos quase mecânicos e a ostensiva banalidade. É inconcebível, mesmo para um leigo, que artistas, diretores e curadores desconheçam o calendário das correntes estéticas da segunda metade do século XX, quando a Bienal de São Paulo passou a existir.
Uma rápida olhada sobre a descontinuidade de estilos pode esclarecer muita coisa. A pop art que surgiu na Inglaterra de meados dos anos 50 realizou todo o seu potencial na Nova York dos anos 60. O expressionismo abstrato dominou as décadas de 1940 e 1950. O minimalismo desenvolveu-se durante os anos 50/60 etc.
É, portanto, no mínimo curioso que as diversas variantes da produção artística atual, ligadas às referencias artísticas que antecedem os anos 80, sejam tão longevas.
Além disso, a relutância da Bienal de São Paulo em permanecer surda às criticas contra a idéia de reunir obras de arte em torno de um tema (2010- Arte Política –por exemplo) é uma teimosia típica das dinastias do passado. Na edição 2006, a falta de inspiração da cientista da criatividade responsável pela organização da Bienal, a levou a se apropriar de um “mote” de outros campos do saber para conferir substancia a sua proposta de vinculação da arte a teses de antropologia cultural. Foi nesse nicho que a cientista da criatividade escolheu o titulo Como Viver Junto, inspirado nos seminários de Roland Barthes no Collège de France realizados em 1976-77. O que essa escolha nos revela? Dentre os muitos tropeços, a falta de parâmetros apropriados ao tempo presente e uma enorme incompetência frente à diversidade da produção artística da atualidade. Reflexos objetivos dessa política podem ser vistos na perda da visibilidade pública das expressões estéticas comprometidas com a tecelagem de tramas simbólicas, ou seja, narrativas. Em resumo, na sua extensão mais objetiva essa política impõe uma visão “única” da arte da atualidade.Atitude velha e comum ao autoritarismo. Seja em São Paulo, Kassel, Lisboa, Madri, Istambul ou Turquistão Oriental.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Neurônios Ágora- O lugar do afeto



-Pai, por que a obra de um artista fica mais cara depois que ele morre?
O flash de respostas automáticas para filhos estava prestes a ser disparado quando a sensação de que algo mais poderia ocorrer se eu consentisse, tomou conta dos meus sentidos. O acesso ao diálogo aparece veloz como um raio, se não for apanhado pela cauda desaparece tão rápido quanto surgiu. A Ágora, para os gregos da Era clássica, o lugar da palavra, local de múltiplas atividades onde as pessoas conversavam sem que houvesse uma voz dominante, acontece em nossa vida a todo instante sem que às vezes percebamos. Isso porque, no meu entender, a matriz de Ágora se transmutou no correr dos séculos convertendo-se num valioso patrimônio da espécie humana. Por não possuir os contornos físicos de outrora, muitas vezes o acesso aos seus domínios parece invisível. Não vamos mais para Ágora, não trilhamos os caminhos e partilhamos incidentes para chegar a ela. A Ágora se moldou em nossos neurônios e, muitas vezes, não lhe damos a devida atenção.
A pergunta do Antonio atravessava as colunas de Ágora e quase escapava em respostas pré-concebidas quando fui alertado pela enorme banalidade contida no ato de restringir as respostas a sua idade cronológica. Vencida essa premissa iniciamos o dialogo que aqui reproduzo.
_Antonio, existem várias respostas para sua pergunta. Vou me fixar em duas opções para tentar te passar como entendo sua dúvida: a primeira opção é curta e grossa e se reduz ao fato de que hoje em dia o preço das coisas se confunde com valor.

_Mas, pai, não é a mesma coisa?
_Não, valor e preço são dois fenômenos distintos. O preço das coisas está ligado a um mecanismo que reúne uma gama de fatores vinculados ao sistema produtivo e ao lucro. Esse mecanismo, fundado nas necessidades de troca de produtos e serviços entre as pessoas, deu origem a complexos conceitos econômicos no correr da historia humana. Por força do habito aprendemos a lidar com esse engenho sem saber muito bem como ele foi construído ou como funciona.Muitos pensadores esmiuçaram esse mecanismo.Um filosofo alemão elaborou uma critica a esse sistema que deu origem ao termo "mais valia",ainda hoje muito debatida. Mas, o que importa é que o poder desse sistema, a tradição arraigada, a falta de tempo ou paciência reduzem a questão para o cidadão comum a dois pólos: caro ou barato. Se for caro, porém, precisarmos ou desejarmos muito, pode-se possuí-lo através do financiamento. Mas, ainda que o financiamento altere a composição do preço falar sobre ele nos levará para longe do objetivo de nossa conversa. O fato é que a formação do preço, via de regra, se basea em procedimentos, formulários, planilhas e indicadores que circundam a rede produtiva e definem seu custo e margem de lucro. Hoje, na pratica você vivenciou o fenômeno do preço versus valor quando ficou em dúvida se comprava o livro que acabou comprando, lembra? Venceu a decisão de comprá-lo porque, gostando do que aquele escritor escreve você resolveu pagar o preço.
_Claro!Só fiquei em dúvida porque estaria com menos notas na minha carteira.
_Exatamente!E, você só comprou porque entendeu que o que aquele escritor escreve tem valor para você, já que o que está escrito numa nota de dinheiro nunca te interessou ler, não é verdade?
_É mesmo!Nem sei o que está escrito numa nota. Só vejo cor e números.
_Pois então, o preço das coisas que rodeiam nosso dia a dia só se torna complicado em circunstancias especificas, sobretudo, aquelas que, ao contrario dos produtos industriais disponibilizados no comercio, tem características únicas. Por exemplo, parte da formação do preço do livro que você comprou tem características similares a de todos os livros fabricados por todas as editoras. Porém, algo de especifico o diferencia dos demais e pode explicar uma parte da questão; seu autor. Os segmentos, industrial e comercial, de um livro são mais ou menos iguais,dependendo, é claro, da qualidade de impressão, do papel usado e demais itens que entram na fabricação e divulgação do livro. Isso significa que acolá do talento do escritor e, em diferente dimensão, o fato de que o preço que ele cobra por sua criação ser um item específico, todos os demais que formam o preço final do livro depende de métodos produtivos mais ou menos parecidos. Depois de pronto e colocado na estante das livrarias a única coisa que o diferencia dos demais, afora o preço e o volume de vendas, é a qualidade literária. Esse predicado não é adicionado a um livro pelo fato de ter bom ou mau acabamento industrial, da popularidade ou a fama do escritor. Um escritor muito famoso tende a vender mais livros que um menos reconhecido, contudo, esse fato não quer dizer que o que vende muitos livros é um escritor esplêndido, superior aos demais. Porém, a grande vendagem de um autor aumenta a quantidade de livros a serem impressos e distribuídos. Esse procedimento torna um determinado livro um objeto com maior visibilidade e, por conseqüência, mais ambicionado que outros. Mecanismos alheios a qualidade da escrita podem subitamente tornar um livro de baixa qualidade literária em best- seller atraente para o publico e lucrativo para as editoras. Contudo, nenhum desses fatores é expressão inconteste do valor de uma obra literária.
_Por que não?
_ No inicio da conversa disse que preço e valor são coisas diferentes.
_É, disse!
_Você entendeu meu comentário de como o preço se cola sobre as coisas?
_Entendi!
_O vinculo dos escritores com a indústria editorial e as formas de circulação do livro desenham a fronteira na qual o escritor ganha seu sustento. É nesse lugar onde se organiza o preço de seu trabalho. Se carecer de mais grana para viver ele terá que escrever em jornais, revistas, dar aulas ou fazer conferencias. Na maior parte dos casos, fazer tudo isso numa só vida. Isso quer dizer que o resultado econômico de seu trabalho principal, ou melhor, o preço de seu trabalho criativo, estará sempre ligado ao contrato com seu editor e a venda dos seus livros. Os escritores não produzem objetos que escorregam para uma alternativa que admita uma oscilação, para cima, dos preços praticados pelas livrarias e do qual seja o único beneficiado, Alguns exemplares de uma edição magnífica podem até se tornar raridades e,quando adquiridos por colecionadores, atingir grandes somas. Todavia, os escritores não estarão vivos ou, se estiverem, não receberão nem um tostão por isso. Espero que essas considerações sobre a formação do preço tenham sido claras.
_Entendi sim!
_Já o valor da obra de um artista independe dos fatores relacionados ao preço. Digo isso porque o valor, ao contrario do preço, é gerado dentro nós, se processa no cerne da nossa consciência e é fruto das múltiplas experiências que vivenciamos desde o nascimento. Nossa visão do mundo se reflete numa lente interior, digamos assim, que vai se ajustando à medida que vamos coletando sensações, experiências, talentos e saberes vida afora. Consciência e valor são, portanto, irmãos gêmeos, poderia dizer que são extensões de um mesmo ramo molecular. As causas externas são fatores cruciais na formação de valor de uma pessoa porque agem diretamente no desenvolvimento da própria consciência. A consciência que nos possibilita escolher o que avaliamos como precioso se expande à medida que nos emancipamos das normas herdadas, da tutela de terceiros e das fórmulas consagradas . Num sentido figurado, consciência e valor atingem melhor desempenho quando se fundem na forma de uma fita circular, sem rupturas ou emendas. No ambiente onde se desenvolve o valor/consciência a fusão preço/valor se desintegra e as doutrinas dos arautos da verdade absoluta tornam-se ecos distantes,parecidos com os gestos e berros dos feirantes. A arte, a ciência, a filosofia, a religião, a ideologia, a historia, a política e todas as abas do pensamento se acumulam num dique que chamamos cultura. Nas fissuras da parede de contenção vivem os artistas. É lá que surgem as belas e inquietantes obras de arte. Quando um artista morre um desses vazamentos se fecha. Suas obras se tornam raras e, por uma serie de razões, mais cobiçadas. Essas coisas acontecem porque a matriz que as gerou não mais existe. Como nunca sabemos o que fazer quando algo que nos abastecia deixa de existir, abrimos um gargalo automático a fim de substituir de modo simplificado nossa admiração. Então, a obra do artista morto é cultuada de diversas maneiras, dentre elas a do preço que se torna mais alto do que quando ele vivia. Eu diria que isso é nada mais que um culto onde se tenta mesclar coisas díspares a fim de transferir significado elevado para o dinheiro e dar prosseguimento a um código simples que exprime um conceito equivocado: quanto maior o preço melhor a arte. Como o ser humano é um bicho fascinado por cultos e o culto ao dinheiro hoje é soberano, essa pratica persiste. Deu pra entender?
_Um pouco, estava prestando atenção em outra coisa.

terça-feira, dezembro 22, 2009

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Brincando de Deus


Copenhagen- Segundo informa um grande jornal carioca, nessa madrugada surgiu o esboço de um documento que define em 2 graus centígrados o aumento da temperatura global. De inicio pensei que a informação havia sido produzida por algum estagiário e despachada para publicação enquanto o editor dormia. Consultei outras fontes e verifiquei que esse dado não era destaque nas demais redes. Supus, então, que o dado era pautado no estilo reality show do matutino. Mas, imaginemos que o jornal informou corretamente o que esta rolando nas reuniões em Copenhagen Bem, nesse caso, minha preocupação sobre a sobrevivência da espécie se agrava.Alguns cientistas trazem à baila um dado importante: o fenômeno climático esta sujeito a um enorme conjunto de fatores que vão da utilização inadequada dos recursos naturais, industrialização crescente e descontrolada, uso de fontes de energia suja, poluição, desmatamento, etc.(hoje abrigados na sigla CO2) até fenômenos naturais devastadores; como atividade vulcânica, deslocamento das placas tectônicas, magníficas explosões solares, altas emissões radioativas e outras atividades cósmicas. É compreensível que o homem possa intervir em fatores criados por ele, reduzindo e substituindo os meios de produção industrial convencional e a poluição gerada pelo consumo humano. Porém, suponhamos que os cientistas que criticam o conceito da maioria presente em Copenhagen estejam certos? Eles afirmam que os ciclos climáticos são fenômenos naturais poderosíssimos que submetem o planeta de tempos em tempos, a transformações radicais e sobre as quais o ser humano ou qualquer outra espécie viva, não tem poder de conversão. Bem, nesse caso, a reunião de Copenhagen deveria trazer os participantes de volta para Terra. Se o objetivo é criar um novo pacto global que redirecione os meios de produção e consumo, que isso seja claro. Lula disse que: “O Brasil não veio barganhar, nossas metas não precisam de dinheiro externo, planejamos fazer tudo com nossos recursos”. Só não disse por que o país não consegue ter até hoje uma rede sanitária minimamente civilizada que beneficie todos os brasileiros. Certamente, ele entende que isso é culpa do FHC. Tudo bem, em parte ele tem razão, o país esta atolado historicamente em sujeiras. De sua fala uma citação merece destaque: “Eu acredito em milagres”. Até agora foi o único presidente que humildemente, coisa rara no personagem, entregou a Deus o destino climático do planeta.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Estamos salvos!

Copenhagen- A reunião de ontem tranqüilizou o planeta. Sobretudo os banqueiros e financistas que aguardavam ansiosos os novos acessos ao lucro.Felizes ficaram por saber que seu dinheiro não vai virar CO2.Ja o nosso! Preparem-se, o ar condicionado brasileiro custará a bagatela de US$160 bilhões, incluindo instalação, comissões, jetons e as boquinhas de praxe.
Se essa montanha de dinheiro fosse investida em cérebros e desenvolvimento humano certamente, em 2020, o Brasil respiraria melhor. Porém, o poder de convencimento do profeta Al Gore, escorado por fundamentos econômicos muito sólidos, arrastou para a platéia de seu filme uma horda de poderosos bem intencionados. Estamos salvos! Também, pudera, com esse custo é possível até nascer de novo.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O músculo mais forte do corpo humano é a lingua


Ontem,retornando de viagem, resolvi dar inicio a um pacto de convivência pacifica comigo mesmo.De cara me impus uma dieta preparatória para a convenção secular do “Ano Novo,vida nova”.Fucei meus hábitos e entre as coisas mais nocivas em minha dieta diária identifiquei  uma que pede providencias urgentes:descartar,no período festivo, o consumo excessivo de informações produzidas pela industria da comunicação. Com os fatos que brotam diariamente em Brasilia essa decisão é difícil de ser cumprida.Naquelas plagas a fartura de infos industrializadas é gigantesca, quando vou para lá carrego um bom suprimento literário.O  livro O Artífice de Richard Sennett é um alimento rico e nutritivo que me manteve bem alimentado durante parte de minha estadia. Contudo,os amigos que la estavam me relatavam os episódios da politica local .Como sou escravo de uma mórbida curiosidade por fenômenos grotescos, acabava abandonando a saborosa leitura e ligando a TV, o mais poderoso ícone da fast info indigesta. Nesses momentos o pico de colesterol nocivo  espalha pelo  organismo desencadeando uma reação física e mental desconfortável prostrando o individuo na cama do hotel com os olhos vidrados no espetáculo da noticia. Sei que isso engorda e não traz nenhum beneficio para saúde.Sou obrigado a reconhecer que o marketing dos maitres da noticia é muito poderoso. Em todos os canais de noticia a “piece de resistence” do momento é O Aquecimento Global.Ha algum tempo uma unica vertente de opinião sobre o fenômeno climático é disponibilizada pelos fornecedores de fast info. Essa fantástica convergência merece,no minimo, uma reflexão mais aprofundada do consumidor de noticia.
No menu nacional a tradição impera. Os pratos mais requisitados são sempre os mesmos.Todos de reconhecida toxidade :Tornedor a la Temer, Tostado de Arruda, MST provençal, Mexilhões ao estudante rebelado,Arrumadinhos do Senado,Posta de Sarney fessandée,Pizza de CPIs, Lula a la Maitre d’hotel. No menu internacional : Cosidos a la Ahmadinejad, Al Gore gratinado etc.Esses pratos, temperados ao gosto do chef de edição, interferem consideravelmente na digestão do consumidor.
Um sinal de alerta me induzia alcançar a mesa onde repousava meu EEBook.Se conseguisse, poderia acessar outras fontes.Reuni forças e abri as páginas virtuais. Penetrei na blogosfera e respirei aliviado ao dar de cara com delicioso artigo de Ivan Lessa- Caetano Veloso e outras curiosidades- no site da BBC, que coloca,qual um Diderot contemporâneo, a influência dos almanaques na formação da minha geração.Se a Enciclopédia de Diderot foi um passo importante em direção ao Iluminismo,porque não admitir que o Almanaque tenha surtido grande efeito na formação da geração pós segunda grande guerra?Num viés diferente,raso e muito objetivo, a cultura dos Almanaques mostra sua potencia na forma de atuação de alguns ícones da pós-modernidade. O grupo de cientistas e intelectuais que contribuíram com Diderot na elaboração da Enciclopédia (aqui Sennett entra na discussão) “pautavam pelo método de experimentação e erro.(...)esse processo seguia um caminho que ia dos muitos erros para número de erros menor,num constante e progressivo aperfeiçoamento através da experiência..(...)”Faça-se aprendiz e produza maus resultados para tornar-se capaz de ensinar aos outros como produzir bons resultados”.Os maus resultados induzirão as pessoas a raciocinar com mais afinco,e assim melhorar.”
Para os companheiros de Diderot, os criadores do Almanaque  
seriam figuras antagônicas   
antagônicas dado que seus verbetes são afirmações peremptórias de verdades inúteis e, maior parte das vezes, inócuas para a formação de um sentido critico sobre si próprio.Porém,é aceitável a ideia de que a cultura do Almanaque consolidou o mito do marketing.
Em síntese: qualquer coisa,objeto ou ideia,independentemente de seu valor intrínseco  tem um preço e comprador certo.
Lessa nos lembra em seu artigo que a controvérsia provocada por Caetano Veloso na entrevista em que chamou o presidente Lula de “analfabeto”, “cafona” e “grosseiro” era um instrumento dessa lógica com objetivo de nos assegurar uma coisa: vem aí lançamento de show, disco ou DVD dele mesmo.
Entre outras curiosidades, Lessa informa que Almanaque divulgou uma pesquisa, sem referências precisas, que conclui: “O músculo mais forte do corpo humano é a língua”.
Depois dessa deliciosa passagem visitei as paginas do Facebook,Twitter e blogs e me voltou a sensação de que o sabor das palavras e das idéias é alimento melhor digerido por consumidor exigente.
postado eeBook Adriano de Aquino

terça-feira, dezembro 15, 2009

A grande farsa do Aquecimento Global 1

O maciço fluxo de informações "quentes" sobre a agenda de Copenhagen (acompanhe debate ao vivo na CNN/ YT com Kofi Anana,Thomas Friedman,somado a milhares de artigos ja produziram um consideravel "congelamento" de ideias.O aquecimento global tornou-se unanimidade global.Nessas horas é bom pensar que nem tudo está tão gelado.Existem opiniões bem fundamentadas que contestam o aquecimento. Postar de novo esse video é uma forma de retardar o derretimento mental.

sábado, dezembro 05, 2009

Oscar versus Al Gore e os achaques da imprensa


O cenário pronto,os detalhes da produção ajustados para a entrada retumbante do super eco man Al Gore.
Um telão fantástico, ferramentas virtuais de ponta e o ancora do show de auditório O aquecimento global abre a tabula rasa do novo milênio: "Uma verdade inconveniente"
O filme foi um sucesso, rendeu milhões de dólares de bilheteria, abocanhou vários prêmios, inclusive um Oscar, agora contestado por dois membros da academia. Esse fato passaria distante das manchetes não fosse o assanhamento de uma corrente do jornalismo que posiciona na direita toda contestação aos “movimentos unânimes”, projetados em laboratório por grupos poderosos e influentes. Assim impresso,todo aquele que contesta, seja cientificamente, politicamente ou economicamente a “verdade inconveniente” é automaticamente fichado como membro ativo da direita. O imaginário popular é afetado, em grande parte, pelos achaques da imprensa. Al Gore, no papel de Noé da “esquerda”, tornou-se o apóstolo do aquecimento global. Amparado por forte esquema empresarial, uma produção de imagem impecável e blindado pela imprensa, Al Gore, o homem verdade, representa o BEM. Os autores de sérios trabalhos científicos contra o consenso do aquecimento global, os depoimentos de políticos envolvidos com a maquinação da “farsa” climática, bolada na Inglaterra dos anos Thatcher, se tornaram invisíveis, representam o MAL para a grande imprensa. Qualquer voz dissonante se tornou uma peça do discurso da direita. Ideologia! É isso que importa. Conhecimento e questionamentos tornaram-se, de um tempo para cá, um empecilho ao grande projeto da nova ordem global.
“Uma manobra da “direita”. Esse é o viés da matéria que divulgou o argumento dos dois membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que pediram que o Oscar concedido ao documentário "Uma verdade inconveniente", de Al Gore, seja retirado. O argumento dos membros da academia que contestam o prêmio concedido ao documentário que se baseia em afirmações sobre o clima que, segundo eles, estariam erradas, não tem nenhuma importância. A matéria nem ao menos pergunta o que estaria errado nas afirmações de Al Gore. Apenas registra que os membros da Academia de Hollywood são ligados a “direita” e se basearam no fato de que cientistas da uma universidade inglesa revelaram ter manipulado dados sobre o aquecimento global. Essa denúncia veio à tona em meados de novembro, depois que hackers roubaram milhares de emails de cientistas de clima que sugerem que houve manipulação de dados.
Quem assistiu ao documentário A Farsa do Aquecimento Global, produzido pela BBC (postado no You Tube) e que passou quase despercebido pelo grande publico, teve oportunidade de conhecer as opiniões bem embasadas de varias personalidades cientificas e políticas que contestam os argumentos expostos como “verdade” por Al Gore. Curioso é que nenhum canal de televisão nos EUA e na America Latina exibiram o documentário.
O espetáculo não pode parar sob o risco de o dinheiro mudar de destino. Por isso o diretor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), Rajendra Pachauri, disse que o caso de East Anglia( a instituição envolvida na denuncia) deve ser investigado para que "nada fique sob o tapete". Pachauri, no entanto, disse que mesmo que tenha havido manipulação na universidade isso não muda em nada o conhecimento que se tem sobre o aquecimento global.
Quando o dinheiro é grande, manipulação se torna uma VIRTUDE.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Como? Poder atômico para todos?


Ontem, no encontro com a chanceler da Alemanha Ângela Merkel, Lula se embaralhou todo ao tentar desenrolar do cérebro um conceito complexo sobre a ambição nuclear iraniana. Antes, a dirigente alemã lembrou que está tentando negociar a questão nuclear com o Irã há quatro anos, sem sucesso, e que a paciência está se esgotando.Sua fala refletia o que já começa a ser um consenso na União Européia — até a Rússia e a China votaram a favor da censura ao Irã na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Na sua vez de falar, Lula ponderou:- “O melhor é acreditarmos nas negociações e termos muita paciência. E eu espero que aconteça o melhor, sabe? Que não tenha arma nuclear no Irã, que não se tenha arma nuclear em nenhum país do mundo…”
Após a calma introdução Lula se empolgou, elevou o tom e deu assas a sua habitual confusão mental. A gravidade do assunto requer muita prudência, não é um tema para exibição de demagogia populista. Quando a tradução simultânea despertou a chanceler alemã da lenga lenga lulista Ângela Merkel tirou os olhos de Lula e vagou pela audiência,por vezes mirando o chão enquanto Lula,entusiasmado com o que falava, apontado os dois indicadores para Merkel,mandou sua mensagem: “e que os Estados Unidos desativem as suas [bombas], que a Rússia desative as suas, porque a autoridade moral para a gente pedir para os outros não terem é a gente também não ter”.
Realmente!O cérebro de Lula não vislumbra as conseqüências de suas falas. Ele deve crer que o desarmamento nuclear das potencias seria um fato “milagroso” prontamente correspondido pelas nações que hoje desenvolvem um programa nuclear, como a Coréia do Norte e o Irã. Ele deve ter pensado também no plano de desarmamento elaborado por Rubem Cezar e seu Vivo Rio, que gastou milhões de reais num plebiscito que em nada contribui para redução da violência no país. Ao contrario, indicadores revelam um crescimento acentuado do trafico de armas e de crimes.
O pior de tudo na fala de Lula foi o desconhecimento inaceitável de um fato polemico. Em 1975 o Brasil firmou um acordo nuclear com a Alemanha. O acordo determinava transferência de tecnologia e construção de nove usinas nucleares, administradas pela Nuclebrás. Na ocasião os países do hemisfério sul protestaram contra a pretensão atômica dos generais que governavam com mão de ferro o país. É impressionante que os ativistas diplomáticos; Marco Aurélio Garcia e seu subordinado direto Celso Amorim não alertaram Lula para a fortíssima oposição do governo dos Estados Unidos contra o projeto atômico brasileiro. Vejam que naquela ocasião a posição do governo militar foi mais dura,objetiva e determinante contra os opositores do programa brasileiro do que os anúncios inócuos e disparatados de Lula a favor do projeto nuclear (pasmem) do Irã. Em 1977, a posição brasileira em defesa do projeto nuclear se acirrou a tal ponto,dizem alguns, que levou a ditadura a romper o Acordo Militar Brasil - Estados Unidos. Perto desse episodio desafiador as intenções do lado “esquerdo” do cérebro de Lula dão margem a especulações sobre sua simpatia com a escalada nuclear do Irã. Sem duvida trata-se de uma confusão mental temerária e inconseqüente.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Rupert Murdoch: "O bom jornalismo é uma commodity cara"


Na blogosfera, até ontem, o acesso a informação jornalistica era gratuito. É sempre a mesma choradeira quando frente a crise o dinheiro escapa do bolso dos poderosos.Discutir as diversas razões do problema por que passa o sistema de comunicação vem sendo assunto tratado em profundidade por jornalistas serios e comprometidos eticamente com a atividade que desempenham.Empresarios,na sua grande maioria,passam ao largo das inumeras questões que a provocaram e focam na sangria financeira,se distanciando gradativamente de uma solução compativel com a dinamica da informação nos dias atuais.A urgencia de solução economica é compreensivel,contudo, é uma ilusão acreditar que os sites de busca são os motores da crise que atravanca o retorno de leitores e anunciantes aos jornais e revistas. O fato é que, diante das múltiplas possibilidades de acesso à informação hoje disponiveis,as grandes empresas foram encurraladas entre a reinvenção e a recessão.Não me agrada a ideia de que a crise leve a gradual demissão de bons profissionais e a extinção de jornais e revistas.Porém,também não sou simpatico a tendencia de sempre se achar um “diabo” responsavel pelo problema. O diabo da vez se chama Google. Imaginem uma mesa repleta de “anjinhos” gestores das megas empresas de comunicação vociferando para espantar o demônio de suas contabilidades. Depois de muitas noites sem dormir,o papa Murdoch chegou a conclusão que mesmo a união das grandes empresas jornalísticas enfrentaria dificuldades para encurralar o Google e desviar o interesse dos internautas para "o bom jornalismo".Um fato incontestavel é que muitos internautas optaram por novos recursos de acesso a informação porque ja estavam esgotados de pagar por um enorme volume de papel impresso com publicidade só para lerem as noticias do dia.Todavia,para Murdoch, o maior produtor de commodity jornalística do mundo, a crise é culpa do Google.Para dar uma dimensão mais ampla a sua cruzada Murdoch se aliou ao arquiinimigo do Google: Bill Gates. Ora, não é novidade para ninguém que a Microsoft há muito deseja reduzir a expansão do Google. Bing, o “site de busca” da Microsoft, mesmo com todo dinheiro investido, não consegue sair da posição de “site perdido”. Elevar o Bing a posição de concorrente do Google é um dos sonhos de Gates. Não creio que a Microsoft se interesse como Murdoch, em proteger a commodity jornalística. Se o Bing estivesse em posição confortável estaria lutando com todos os argumentos contra imposições dos meios tradicionais de comunicação a limitação do livre transito de informações na internet. Ainda que o assunto seja polemico, o Google resolveu encurtar a discussão aceitando que as empresas jornalísticas que trabalham com conteúdo pago limitem o número de artigos gratuitos que poderão ser acessados por internautas utilizando sua ferramenta de busca. A concessão segue diversas críticas de empresas de mídia em relação às práticas do Google - principalmente a News Corp, de Rupert Murdoch - que argumenta que o gigante da internet lucra dando acesso a sites de notícias. Josh Cohen diretor de produtos do Google disse que a companhia atualizou seu programa "Primeiro Clique Grátis" (First Click Free) para que editores possam limitar o acesso a seus artigos a não mais de cinco por dia. Após esse número, o usuário precisaria se registrar ou pagar uma assinatura pelo produto. "Se você é um usuário do Google, pode ser que comece a ver páginas de registro quando clicar mais de cinco vezes nos artigos de um mesmo site de notícias que usa o "Primeiro Clique Grátis", disse Cohen.O Google News é um serviço que agrega notícias da maioria dos sites jornalísticos do mundo, permitindo uma busca rápida e objetiva. O site fornece títulos e resumos das notícias, com links para o conteúdo original. Vencido essa etapa e alegre da vida Murdoch disse que as empresas deveriam cobrar por conteúdo e proibir agregadores de notícias como o Google de "se alimentar dos duros esforços e investimentos alheios". Espero,porém não creio, que essas providencias salvem as empresas jornalísticas da crise que vivenciam.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Suiça- Ferrugem nos nervos de aço inox


UDF – Partido dos cristãos fundamentalistas quer proibir a construção de minaretes na Suíça.
O governo federal já se manifestou publicamente contra a iniciativa popular, criticada no exterior, e vai recomendar aos eleitores e ao Parlamento a rejeição da proposta. A iniciativa "contra a construção de minaretes", com 114.895 assinaturas de apoio, foi entregue ao Ministério do Interior, em Berna, nesta terça-feira (08/07), pela União Democrática do Centro (UDC) e pela União Democrática Federal (UDF). Os dois partidos pedem a inclusão na Constituição suíça de um artigo com o seguinte teor: "A construção de minaretes é proibida". Eles argumentam que, com isso, querem impedir um "símbolo de ambição pelo poder e domínio político-religioso".
O ataque histérico dos fundamentalistas cristãos é digno de tratamento. Segundo o site Swissinfo a religião vem gradualmente perdendo importância naquele país. Um recurso disponibilizado no site permite visualizar a oscilação do numero de fieis e suas religiões. Podemos ver que em 1970 os cristãos representavam 97,76% da população. Em 2000, reduziram para 79,27%, ao mesmo tempo em que os suíços sem filiação religiosa passaram de 1,14% para 11,11% da população, quer dizer que o numero de pessoas sem filiação religiosa é bem superior ao numero de islâmicos que em 2000 representavam 4,26% da população.A diminuição do numero de cristãos - católicos ou evangélicos – e a reduzida presença mulçumana é um dado importante e,no meu entender reflete uma perspectiva otimista de uma sociedade que detém alto grau de escolaridade e desenvolvimento humano. A crescente tensão motivada por lutas religiosas inspiram “cruzadas” intolerantes e destrutivas. A expansão dos conflitos religiosos, manipuladas por correntes religiosas fundamentalistas que, aterroriza os povos do Oriente Médio, é um testemunho do tamanho do abismo que seremos obrigados a encarar. Espero que os cristãos fundamentalistas suíços não queiram através de atos coercivos, reproduzi-los na Europa.

Arruda:"SOU INOCENTE"


Arruda: Gosto do modelinho. Não posso usá-lo. Sou inocente!

Há oito anos O INOCENTE José Roberto Arruda, então líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Senado, foi obrigado a renunciar por violação do sigilo do painel de votações. Agora, governador do Distrito Federal o mentiroso se tornou o dono da bola. Espelhado em seu exemplo os sacerdotes do DEM enalteciam o poder partidário de conversão do escroque em gestor austero, comprometido com o corte de gasto e ajuste das contas. O convertido atingiu alta popularidade na capital do país, passando a ser a maior expressão política do DEM. O sucesso do INOCENTE chegou a tal ponto que se tornou um dos principais candidatos a uma futura Vice-Presidência em uma chapa de oposição encabeçada pelo PSDB nas eleições de 2010.
Mas, um curto circuito na Caixa de Pandora, mostrou o governador se esbaldando no seu habitat natural,
Se vivêssemos num País regido pelo pleno Estado de Direito e Cidadania, assistiríamos incontáveis desfiles do Arruda presidiário trajando sua “coleção” milionária de uniformes criada pelos mais famosos e caros designers do planeta. Com a fortuna acumulada pelo esquema de corrupção Arruda abriria os desfiles de moda de toda estação. A gravação em que Arruda conversa sobre o destino da montanha de dinheiro recolhido junto a empresários que prestam serviços ao governo, abriria todas as apresentações. Mais um sonho de verão escaldante. Ou melhor:um delirio.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Ahmadinejad e Lula. Um encontro que nunca existiu.


23 de novembro de 2009

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad esta no Brasil para uma visita oficial. Dentre as mais conhecidas idéias de Ahmadinejad encontra-se a da extinção do estado de Israel. Enquanto não tem condições militares concretas para realizar seu sonho ele vai brincando de historiador. Em seus pronunciamentos afirma que o Holocausto não existiu. Bem, se para ele o Holocausto não existiu é melhor não aborrecê-lo perguntando se as recentes atrocidades cometidas por seu governo contra o povo iraniano existiram. Muito menos se continua em andamento o programa nuclear clandestino em Teerã. Ahmadinejad veio ao Brasil para ter um encontro privado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levando-se em consideração determinadas diferenças, Lula tem algumas afinidades com o líder iraniano. No tocante a historia, por exemplo, os dois têm visões estranhíssimas. Ainda que o “nunca na “historia desse país” não tenha a mesma carga de demência, Lula também é um sujeito exótico no que diz respeito a historia. Em vários pronunciamentos o presidente brasileiro sugere que o Brasil “quase” não existia antes da chegada de seu governo. Afora esses detalhes curiosos fico imaginando o papo entre os dois.
No papel de “mediador” de conflitos mundiais Lula tem se mostrado um estabanado. De Honduras às negociações com os vizinhos Paraguai, Venezuela e Bolívia o presidente brasileiro pesou contra os interesses brasileiros. Agora, se metendo no complicadíssimo quadro dos conflitos no oriente médio, Lula anuncia que: "com todos eu vou conversar sobre a paz." Se ficasse só nisso eu teria esperança de que a visita de Ahmadinejad seria apenas turismo governamental. Coisa, aliás, que o presidente brasileiro muito aprecia. Mas, infelizmente não parece ser só isso. Em entrevista Lula afirmou que o povo e "alguns" governantes do Oriente Médio querem a paz. "O que precisamos detectar agora é quem não quer a paz, a quem interessa que não haja paz no Oriente Médio? Esse alguém que está ganhando com a não existência da paz precisa ser colocado para escanteio", Diz isso, sem ao menos levar em consideração o fato de que Ahmadinejad defende abertamente o fim de Israel e assumidamente dialoga com organizações terroristas.

domingo, novembro 22, 2009

Nelson Rodrigues O Filho (ARRIMO) do Brasil


"Na hora de odiar, ou de matar, ou de morrer, ou simplesmente de pensar os homens se aglomeram. (...) A opinião unânime está a um milímetro do erro, do equívoco, da iniqüidade. (...) Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar." (Nélson Rodrigues)
Nota: 1. arrimo
Enviado por Dicionário inFormal (SP) em 27-10-2008.
Sustentáculo, sustentação. Muro de arrimo (muro de sustentação)

Cuba Libre:Yoani Sánchez




A blogueira cubana de 34 anos, acusada de ser inimiga do Estado pela imprensa oficial, vem fotografando os “agentes secretos” cubanos que acompanham a sua rotina à distância, vigiam sua casa e muitas vezes a seguem onde quer que vá. Para mostrar que não se submete a pressão publicou em seu blog fotos dos "seguidores" com o seguinte comentário: "Minha relação com o cinema sempre foi nas poltronas, na penumbra de uma sala. Até que comecei a viver meu próprio filme, uma espécie de thriller de perseguidores e perseguidos, onde cabe a mim escapar e me esconder (...) Agora, que recuperei minha condição de bípede, larguei a muleta", conta ela, que foi puxada pelos cabelos e chutada pelos agentes do governo que a sequestraram. "Estou de volta. Para me defender, comecei a fazer testemunhos desses seres das sombras que, como vampiros, alimentam-se de nossa humana alegria, nos inoculam o temor através da pancada, da ameaça.O bloqueio econômico a Cuba não impede que o governo invista em modernos sistemas de invasão eletrônica visando controlar a vida das pessoas .Essa é a característica comum a todos os regimes autoritários. A ordem é cercear Yoani na blogosfera e ameaça-la na vida real. Custe o que custar essa é uma missão do governo cubano. Esse episodio macabro redimensiona minhas preocupações em relação a CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicações que ocorrerá dia 14 de dezembro em Brasília. A Executiva Nacional do PT informa que no evento a intervenção petista se dará de duas maneiras: “uma, ao lado das lutas especificas de cada área; outra, mais ampla, na construção de um novo modelo legal para todo o setor das comunicações(...) criando instrumentos de controle público e social e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais”.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Zumbi e os facistas


Enquanto as autoridades e setores da sociedade italiana festejam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para que Battisti seja extraditado o ministro da Justiça Tarso Genro, da a entender que há uma tendência no governo brasileiro de manter o ex-extremista Cesare Battisti no País por razões "humanitárias e políticas". Depois de conceder refúgio a Battisti, ato que desencadeou o conflito, o ministro resolveu aumentar a fervura da crise ao disser que identifica influências "fascistas" nas ameaças de setores do governo italiano a vida do “nobre” cidadão Battisti. Tarso justifica a atitude de setores do governo brasileiro em prol de Battisti dizendo-se muito preocupado com os destinos da “democracia” na Itália. No seu costumeiro tom sacertodal o ministro da justiça disse que: "A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana”. Mais adiante em sua homília Tarso complementou que "O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo.” Concluindo o sermão da semana o ministro pontificou: "Não faz sentido entregar um perseguido ao carrasco”.
Nessa manhã ensolarada, em memória do herói Zumbi dos Palmares me veio à mente o episodio dos dois negros cubanos, os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, com os quais o ministro foi implacável,os caçando,prendendo e restituindo à ditadura cubana rapidamente.

terça-feira, novembro 17, 2009

Driblando a realidade


O Instituto Nacional de Educação, em Cingapura, escola de formação de professores ganhou no correr dos anos enorme reputação. O rápido avanço da educação no país, que partiu de um patamar semelhante ao africano em 1960, para figurar hoje entre os melhores do mundo em sala de aula, pode ser creditado à condução de uma política adequada de transformação social e ao fabuloso desempenho da Faculdade Nacional de Educação.
Esse fato, facilmente mensurável, colocado em comparação com aos pífios resultados do setor no Brasil só se explica por fantásticas explanações dos ufanistas de plantão. Os argumentos mais freqüentes desses patriotas se baseiam nas diferentes dimensões populacionais e territoriais desses países. Ao priorizar esses itens o avestruz patriótico ataca com a velha esperteza nacional em driblar obstáculos para esconder fracassos. Se por um lado a dimensão territorial e populacional serve para colocar o país de dimensões continentais como um gigante poderoso por outro reconhece que o gigante tem o cérebro atrofiado. Se para entender os desafios é necessário priorizar a dimensão territorial, as questões sobre investimentos públicos e tecnologias educacionais, tão necessárias ao desenvolvimento humano, tornam-se inalcançáveis, pelo menos para as duas ou três próximas gerações de brasileiros. Além disso, ampliar a dimensão do problema educacional por força da dimensão territorial é uma forma de reduzir o mérito de Cingapura. O leitor que tiver saco de ir adiante vai se deparar com argumentos fantásticos. O objetivo dessa manobra é obscurecer os fatos distorcendo a dimensão dos desafios dos países em foco. Nesse contexto, os problemas de Cingapura são “fichinhas” se comparados a dimensão do Brasil e seus postergados desafios. É a velha ginga do malandro agulha!Orgulhoso de sua retórica o defensor da política educacional do governo brasileiro se esquiva dos problemas e começa a tecer argumentos de difícil avaliação. Gaba-se da elevação do orçamento publico ao mesmo tempo em que revela uma relação equilibrada entre investimento e o PIB. A maneira de um mago das finanças os gestores do sistema educacional apresentam gráficos demonstrativos do investimento publico e do fluxo de almas salvas do analfabetismo. Parecem satisfeitos com o que apresentam, pois imaginam que desenhar gráficos resolve problemas e que justifica o salário que recebem. Os mais ousados tocam na tradicional cultura da corrupção, porém, a situam em circunstancias locais, não como um fenômeno nacional endêmico que leva qualquer projeto sério ao fracasso. A verdade é que a corrupção que prolifera em todos os níveis da economia brasileira provoca um fantástico efeito negativo sobre a competitividade do país. Num artigo sobre a corrupção no mundo publicado pela revista Veja, Eliana Giannella Simonetti e Denise Ramiro mostram que: “Em sua visita ao submundo da corrupção, os estudiosos do Banco Mundial, do Banco de Desenvolvimento da Ásia e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts concluíram que, de modo geral, o problema atinge de maneira mais perniciosa países que passam por períodos de transição, de sistemas políticos autoritários para a democracia, de mercados fechados para a abertura comercial, do centralismo econômico para um menor intervencionismo do Estado na economia. Afeta também os que têm o poder econômico concentrado, grande riqueza natural e uma máquina estatal inflada. Ou seja, o Brasil está numa situação difícil. Atende a quase todos os requisitos detectados pelos estudiosos. Cingapura está na outra ponta. Ali os negócios fluem sem sangrias excessivas para o Estado.
O economista Marcos Fernandes, coordenador da escola de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, autor do livro A Economia Política da Corrupção no Brasil, calculou o impacto do mal da corrupção no crescimento do país. O resultado é impressionante. O Brasil hoje ocupa a 59a posição num ranking internacional de corrupção (nesse ranking, a Finlândia, o país menos corrupto, ocupa o primeiro lugar). O Brasil perde até para Botsuana e Suriname. Ainda segundo Marcos: Se o país conseguisse atingir o patamar dos Estados Unidos, o 15ª mais bem posicionado nessa lista, ganharia a cada ano 2 pontos percentuais de crescimento econômico. É muita coisa. Significa afirmar que, hoje, a economia brasileira poderia crescer num ritmo anual de 6% semelhante ao invejável desempenho da Índia. “Posto de outra forma significa dizer também que, se há dez anos os níveis de corrupção brasileira e americano estivessem equiparados, o PIB nacional no ano passado teria sido maior em 380 bilhões de reais”. Em Cingapura onde os negócios fluem sem sangrias excessivas para o Estado e a corrupção não corre solta o povo obteve ganhos reais. Isso é o que podemos chamar de uma partida justa.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Entropia



Luiz Fernando Marinho Nunes
Rio 01/11/2009
“Quanto ao destino, que alguns consideram o senhor de tudo, o sábio ri-se dele. De fato, mais vale ainda aceitar o mito sobre os deuses do que se sujeitar ao destino dos físicos. Pois o mito nos deixa a esperança de nos conciliarmos com os deuses através das honras que nós lhes rendemos, ao passo que o destino tem um caráter de necessidade inexorável“ – Epicuro
A Termodinâmica pode ser considerada uma filha da revolução industrial, já que seu objeto inicial como ciência foi compreender o conjunto das transformações da energia que naquele momento da história o homem aprendeu a mobilizar em quantidade e densidades jamais imaginadas anteriormente à criação da caldeira a vapor.
Ao longo de sua evolução a termodinâmica, que ampliou seu alcance para além das caldeiras e do Ciclo de Carnot, criou uma série de grandezas que visam explicar ou tornar quantificáveis certos fenômenos e comportamentos. Apropriando-se das definições de Energia, Trabalho e Calor originárias da Física, inventou a Entalpia, a Energia Interna, a Energia Livre de Gibbs, os coeficientes de atividade e também nossa querida Entropia.
A termodinâmica é uma ciência que tem uma particularidade interessante; nela jamais a variável tempo é considerada! Apesar disto, como veremos no final, pode auxiliar nas respostas às questões mais profundas sobre a natureza deste mesmo tempo.
Além disso ela tem um charme especial, só alcançado por não ciências como a poesia ou as primas matemática e filosofia. As variáveis termodinâmicas são produto de uma criação humana. Elas são construídas de forma a permitir que sejam quantificadas a partir de medidas tomadas de parâmetros observáveis na natureza, mas elas não existem no plano concreto, material: são produtos da mente tanto quanto o verso “minha terra tem palmeiras”.
A estrutura da termodinâmica se constitui em torno de duas leis que vão determinar os limites em que certas transformações podem ocorrer. Há uma terceira Lei, de Planck, que leva a outro conjunto de considerações que não pretendo examinar.
A primeira lei nos informa que a energia deve ser conservada em todos os processos usuais, ordinários, que não envolvam as transformações de massa em energia (e=mc2). Uma grandeza termodinâmica importante surge como necessidade de “operar” a primeira Lei, a Entalpia, usualmente expressa pela letra H. A entalpia não suscita apreensões, não nos remete a outros campos do conhecimento, não nos obriga a refletir sobre as cosmologias. É acessível mesmo aos cérebros não treinados, pois explica algo intuitivo, o princípio da conservação da energia. Daí nenhum filósofo tentar se apropriar dela para tentar explicar outra coisa, imitando as parábolas de Cristo. É verdade que Cristo foi certamente o Senhor das Parábolas, mesmo para aqueles que não acham que tenha qualquer parentesco divino. Já a maior parte dos filósofos, ao se apropriar de conceitos da termodinâmica, o fazem canhestramente, sem que a história contada e o objeto da explicação tenham uma simetria forte[1].
A Primeira Lei, entretanto, não impõe nenhuma restrição sobre o sentido das transformações.
Uma segunda lei vai tentar resolver este problema, e para isso foi criada outra variável, a Entropia (S).
A expressão matemática da segunda lei é:
∆Stotal ≥ 0
[1] Numa curiosa manifestação da Lei das Séries, justo hoje, 1/11/2009, ao escrever este parágrafo me deparei com um caso de lamentávelaplicação do conceito de entropia à sociologia, no texto do Ferreira Gullar publicado no O Globo e que colocarei em anexo como exemplo.
É surpreendente que uma expressão matemática tão simples esconda em si um conjunto de implicações com tão grande complexidade!
Antes de explorar estas nuances, vamos registrar o texto que define a Segunda Lei da termodinâmica e que ganhou a expressão matemática já mostrada: “todos os processos acontecem na direção em que a mudança de entropia total é positiva, aproximando-se de zero no limite quando o processo se torna reversível.”
Para completar o raciocínio é necessário definir ∆S, ou seja, a Variação da Entropia.
Tchan, tchan, tchan, tchan..., a partir deste momento todos saberão o que é Entropia!
Pois o ∆S é igual quantidade de calor trocada num processo reversível, dividido pela temperatura em que o processo acontece.
Ou seja, ∆S = ∫dQ rev/T. O dQ que apareceu aí é uma pequeníssima quantidade de calor trocada a cada passo. Já a Integral (∫) só indica que devemos ir somando o resultado da divisão destas pequenas quantidades pela temperatura, ao longo a transformação. Pronto. É só isso.
Um aspecto importante para o entendimento da Entropia, assim como da mais simplória Entalpia é que ambas são definidas como Funções de Estado. Explicando parabolicamente – meu Jesus Menino, que ousadia! - Função de Estado é como a beleza das mulheres. Não interessa como foi produzida, seja natural e selvagem, esculpida por um bisturi, criada pelo uso de cosméticos, modelada nas academias ou construída com ajuda de banhos de leite de cabra como fazia Cleópatra. A beleza está ali para nosso deleite e, se o observador tiver sorte, desfrute. As Funções de Estado são assim. Só dependem da situação específica do sistema num dado momento, como sua pressão, o volume e a temperatura. Não interessa o que aconteceu antes, como o sistema chegou àquela condição. São variáveis ahistóricas, não há como a partir delas buscar pegadas e deslindar o passado.
Mesmo sabendo que espremendo bem o que já foi dito obtenha-se quase nada, numa operação que o leitor não fará por condescendência ao autor, a Entropia já deve estar se tornando mais íntima. É como uma visita antes misteriosa que agora anda pela casa de peignoir e pode ser espreitada em portas entreabertas e pelos buracos de fechadura; o sucesso seria se alguns já estivessem pensando em chamá-la de Entrô.
Como afirmei no primeiro parágrafo, a termodinâmica foi criada para explicar fenômenos de um mundo que se industrializava. Daí a quantidade de coisas que podem ser facilmente entendidas no nosso cotidiano por aqueles tiveram um treinamento básico no assunto.
Com um pouquinho de termodinâmica entende-se porque um carro a gasolina ou a diesel é tão ineficiente, porque os carros elétricos podem almejar outro nível de aproveitamento da energia, o que seria elegantíssimo se na maior parte das vezes a energia elétrica não tivesse sido gerada em usinas térmicas através de processos quase tão ineficientes como o do próprio motor do automóvel. Também se pode entender porque a gela quando se abre a tampa provocando uma expansão adiabática, ou como funciona o ar condicionado. Andar num mundo decifrável nas suas pequenas coisas é um presentinho que a termodinâmica concede aos que passaram pela dificuldade de estudá-la.
Desde o início a termodinâmica, e a entropia em particular, cutucou aspectos do imaginário humano que de certa forma estão na base do que se constituiu como a fronteira da filosofia e da ciência, tão misturadas no início e que, a meu ver, começam a convergir novamente. Falo, por exemplo, das tentativas de se produzir o “moto–contínuo”, que foram transferidas dos laboratórios para as clínicas psiquiátricas depois que a termodinâmica desconstruiu qualquer expectativa de sucesso.
Abrindo um parêntese, já que falei de distúrbios psíquicos que se manifestam em buscas insensatas, identifico uma similitude entre os primeiros termodinâmicos e Freud, que ao procurar criar uma ciência da mente, construiu entidades como o Inconsciente, o Ego, o Superego e o Id. A diferença entre Freud e Carnot é que a Entalpia pode ser quantificada e serve para projetar uma caldeira, mas a tentativa de operar a mente a partir dos conceitos da psicanálise, com seu Inconsciente que anos de sofazinho não tangenciam decifrar, ainda não levou a nada.
Voltando à termodinâmica e à Entrô, ela permite especular sobre coisas menos terrenas. Por exemplo, os que acreditam no Inferno e estudaram termodinâmica sabem que ele é isotérmico. A alta temperatura do inferno tem que ser igual em todos os pontos desse espaço de ex-pecadores, pois se assim não fosse o espectro um engenheiro – não são só advogados e presidentes do BC que populam o inferno - acabaria aproveitando o diferencial de temperatura para construir uma máquina térmica que funcionaria como ar-condicionado. Parafraseando Galileu – dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio que moverei o mundo - o termodinâmico promete: dêem-me um diferencial de temperatura que eu construo uma máquina térmica.
A entropia, que até o momento foi abordada nos termos de sua relação com o calor também pode ser analisada sob a ótica da probabilidade. A entropia pode ser relacionada com o grau de aleatoriedade de uma distribuição molecular. Imaginem a água em estado sólido. Suas moléculas têm um grau de organização maior que a mesma água ao se transformar em vapor. A Entropia do vapor é maior que a do gelo.
Por extensão, a entropia explica que uma pedra que estava instavelmente equilibrada numa ravina e rola para o vale, atingindo um estado de menor energia e de maior probabilidade, não volta a subir. Tanto sabemos disto, e assim usamos intuitivamente a termodinâmica, que só perdemos tempo admirando com curiosidade algumas pedras quase que impossivelmente encarapitadas sobre outras e jamais as que estão no chão. Também a observação tão comum na política de que se o jabuti está na árvore é que alguém o colocou lá é termodinâmica pra caramba.
Outras reflexões mais complexas são induzidas pela análise termodinâmica. Por exemplo, a evolução do universo, que sendo um sistema fechado (no limite o único) estaria condicionada pela diminuição da quantidade de energia disponível para realização de trabalho?
Daí derivam os cenários imaginados pelos físicos, como a possibilidade de um universo oscilante, que pode colapsar e se recriar a partir de novos “big-bangs”, mexendo profundamente com o que Shakespeare chamou da vã filosofia dos que preferem não ver que há mais coisas entre o céu e a terra do que se pode explicar.
Num exemplo de mau uso da Entropia há a justificativa tosca dos toscos criacionistas que pretendem que o processo evolutivo dos seres vivos seria impossível já que o Universo caminharia obrigatoriamente da ordem à desordem, do mais complexo ao mais simples. Esquecem que a Terra não é um sistema fechado e que basta a luz do sol, um fluxo de energia externo, para permitir que se produzam organismos mais organizados, com uma diminuição local da entropia.
A partir deste ponto as coisas vão se complicando, tanto em sua formulação como em suas consequencias.
Há os estudos sobre os sistemas auto-organizadores, típicos da biologia, e tão superiores à nossa tecnologia habitual, herdeira direta de uma lógica cartesiana, operando em regiões longe do equilíbrio, muito organizadas mas também flexíveis, que nos remeteriam a outro conjunto de questionamentos para os quais a irreversibilidade – fortemente associada ao conceito de entropia - está na raiz.
Vou escolher de forma arbitrária um problema específico para encerrar este texto, que inicialmente foi “vendido” com uma promessa de entendimento e clareza, mas que agora se anuncia como gerador de mais perplexidade. Deixo de lado outros temas de interesse como a discussão do significado da informação sobre a entropia dos sistemas.
Trata-se da questão da flecha do tempo. Uma das curiosidades da física, tanto a Newtoniana como a Quântica, é que nelas o tempo é reversível. Nada na física obriga o tempo caminhar do passado para o futuro! Daí os construtores das máquinas do tempo não serem usualmente internados nos hospitais psiquiátricos, como os que perseguem o moto-contínuo – os alquimistas que buscavam a pedra filosofal estão definitivamente incorporados ao mainstream depois do domínio das reações nucleares– mas ao contrário, passaram a ser sistematicamente convidados a participar de eventos científicos.
Para nos ajudar a escapar do mundo de Einstein, dominado pelo tempo reversível e pelo determinismo, que se apoiou em Espinosa, transformando o homem num autômato[2] em nome da unidade da natureza, sobraram as indagações dos filósofos, com destaque para Bergson e muito bem expressa por Popper ao escrever: “considero o determinismo laplaciano – confirmado como parece estar, pelo determinismo das teorias físicas e pelo brilhante sucesso delas – o obstáculo mais sólido e mais sério no caminho de uma explicação e de uma apologia da liberdade, da criatividade e da responsabilidade humanas”.
Pois no centro de um novo mundo onde a flecha do tempo não admite simetria se insere com certeza o conceito de Entropia que nos auxiliará a percorrer o caminho estreito mas promissor entre a prisão do mundo determinístico e o mundo arbitrário e ininteligível do acaso.
[1] A afirmação é de Ilya Prigonine, prêmio Nobel de Química
Anexo
Exemplo de mau uso da Entropia a serviço de outros interesses
Trecho comentado do Artigo “Em Direção à desordem”
(Ferreira Gullar – O Globo 1/11/09)
A sociedade carioca entrou em entropia desde que o tráfico instalou-se nas favelas.
Conforme a segunda lei da termodinâmica, os sistemas físicos tendem à desordem (errado, como já vimos – a menos que seja um sistema fechado). A perturbação da ordem em um sistema chama-se entropia (pode dar o nome que quiser mas a perturbação não é entropia, que no máximo seria uma medida probabilística da ordem/desordem). Como, por exemplo, os ruídos numa transmissão radiofônica (meu deus, que exemplo!). Isto vale para outros sistemas como a sociedade humana (isto o que, o ruído ou a tendência a desordem?), cuja ordem é mantida pelas leis que regem o comportamento de seus integrantes(o problema é que as leis não regem de fato os comportamentos, não é?). A sociedade carioca entrou em entropia (entrar em entropia – na qual não se entra, pois como vimos, sendo uma função de estado, a cada instante tem-se uma - deve ser para ele algo como entrar em coma) desde que nos anos 70, o tráfico começou a instalar-se nas favelas. Essa tendência a desordem pode ser revertida se o governo e a sociedade (que obviamente inclui os traficantes, que não se disporão a reverter nada), se dispuserem a isso. (não se separa com vírgula o sujeito do predicado, como acabou de me lembrar o Windows Office)
[1] Numa curiosa manifestação da Lei das Séries, justo hoje, 1/11/2009, ao escrever este parágrafo me deparei com um caso de lamentável aplicação do conceito de entropia à sociologia, no texto do Ferreira Gullar publicado no O Globo e que colocarei em anexo como exemplo.
[2] A afirmação é de Ilya Prigonine, prêmio Nobel de Química

terça-feira, outubro 13, 2009

Arte Moderna!Ver para crer,não acreditando no que está vendo

Artoons -Pablo Helguera


Acabo de ler a tradução brasileira (Lya Wiler) do polêmico livro de Tom Wolfe 'A Palavra Pintada' (The Painted Word) lançado recentemente.
Em 1975, quando li a primeira edição, morava em Paris. Lembro que na ocasião, aos 28 anos, a leitura desse livro me revoltou. Pudera! Meus anseios se fundiam aos movimentos culturais,estéticos e sociais que mobilizavam minha geração. O livro de Tom Wolfe, um sucesso de mídia e vendas, caiu como uma bomba nos salões 'cult' revestindo com mordacidade  e ironia os argumentos mais intransigentes. O “inimigo” recebeu munição nova, esse era o entendimento de parte das pessoas do meu convívio como forma de rebater o perigoso - porque inteligente-conservadorismo de Wolfe  Posições polarizadas tornavam as discusões um campo de batalha.
Agora, mais de um quarto de século depois,a escrita mordaz de Wolfe, contida nesse pequeno livro, não ressoam com o mesmo vigor. A epifanía de Wolfe, habilidoso esgrimista de palavras, nos entrega um texto delicioso, sem duvida, porém, passado tanto tempo suas criticas se tornaram opacas e as questões que nela jazem tornaram-se impotentes, incapazes de acalorar discussões.
Além disso, os supostos danos à arte modernista da década de 1950 e 60 em particular e a pintura abstrata em geral, se é que houve algum, não se tornaram relevantes com o passar dos anos. Ao contrario, murcharam.
Alguns clones nativos se esforçam ainda hoje para obter êxito na campanha contra o modernismo iniciada pelo papa do 'new journalism', contudo, por não possuírem a mestria do original, embaçam o espelho ao tentarem refletir suas imagens no vulto de Wolfe. Portanto, falar deles é irrelevante.

Algumas recordações despertadas pela publicação brasileira e que não se encontram no livro tocam em polêmicas ativas na época. Sei que muitas pessoas não gostaram do livro e outros não gostarão. Espero que isso não os impeça de conhecer esse confronto entre personalidades da crítica, editores e jornalistas que teve uma considerável repercussão no ambiente artístico. Wolfe inicia dizendo que o fato que o mobilizou a escrever o livro foi uma critica de Hilton Kramer para exposição Sete Realistas: Pearlstein, Bailey, Mangold, Wiesenfeld, Peixe, Posen, Hanson, na Yale Art Gallery (Universidade de Yale). Esse contexto não obrigou Kramer a “adorar” o livro. Ele revelou que não tinha gostado quando foi publicado pela primeira vez, e provavelmente ainda não gosta. Afinal, ser referencia de um fato,obra ou texto não obriga o citado concordar com as ideias de quem o mencionou. Não é verdade?
O certo é que a ideia para o livro surgiu de alguma coisa que ele havia escrito um ano antes.Nas páginas de abertura do seu livro 'A Palavra Pintada,' Wolfe diz que foi "empurrado" para fora de seu devaneio habitual ao ler a critica de Kramer para a exposição da Yale Art Gallery no encarte dominical do New York Times e o reproduz: “O realismo não carece de adeptos, mas carece, visivelmente, de uma teoria convincente. E dada a natureza de nosso intercambio intelectual com as obras de arte, carecer de uma teoria convincente é carecer de algo crucial – o meio pelo qual nossa experiência de obras individuais se soma à nossa compreensão dos valores que elas simbolizam” Sacudido por essa citação, Wolfe se deparou com o fenômeno Ah!Saquei!
Foi esse viés que permitiu Wolfe vislumbrar pela fenda o lado “oculto” da arte contemporânea. Então,animado, mergulhou num mar “translúcido” de conjeturas carregadas com as cores ácidas  da ironia:“Agora, finalmente, em 28 de abril de 1974, eu podia ver. Eu tinha ficado para trás o tempo todo. Não é "ver para crer", que bobinho, mas "crer é ver". A Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustrar o texto. ”
Na última sentença, Wolfe foi visionario.
O que não enxergou no modernismo,viu -de ante mão - no Pós Modernismo.
Ao prever com muita antecedencia a consagração posterior do método 'Temático' implantado pelas curadorias de arte, que vimos  triunfar são conjuntos de artistas e obras se sujeitando a ilustrar um  tema 'criado' por um curador. 
Os ataques de Wolfe ao pós-modernismo não chateavam Kramer. Segundo comentaristas próximos, Kramer sentia uma considerável simpatia pelos arroubos do jornalista contra grupos pós – modernos.
O fato que mais desagradou Hilton Kramer foi a critica de Wolfe à Clyfford Still, um artista que Kramer considerava "um dos mais originais" pintores do expressionismo abstrato. Porém, o que estendeu  a  irritação do decano da critica do 'NYT' foi o escárnio de Wolfe com todo movimento abstrato, incluindo os críticos e teóricos que o apoiavam e escreviam com frequencia matérias nos cadernos de cultura.
Para Kramer esse foi o disparate que faltava, visto que ele próprio muito contribuiu para difusão desse movimento da arte americana.
As tentativas de ridicularizar Clement Greenberg e Harold Rosenberg, defensores influentes início do expressionismo abstrato, se estendem no livro a todos os movimentos importantes do século XX- do Cubismo a Pop Art. Primeiramente publicado na revista Harper's em Abril de 1975 com o titulo "A Palavra Pintada: A Arte Moderna chega ao Ponto de Fuga”. O artigo atingiu em cheio o nervo de varias prima-donas da critica. Kramer respondeu imediatamente com uma longa análise, intitulada "Tom Wolfe e A Vingança dos filisteus." Dez anos depois, esse artigo foi reproduzido em um volume de opiniões e ensaios de Kramer que deram origem a publicação intitulada A Vingança dos filisteus: Arte e Cultura 1972-1984. Sua resposta a Wolfe inclui uma serie de provocações divertidas e outras nem tanto, como essas: “Se alguém tinha alguma dúvida que a vingança dos filisteus está sobre nós o ataque de Tom Wolfe a arte contemporânea, no número de abril da revista Harper's , acaba de extingui-la. Sobre arte, moderna ou não, Wolfe parece não saber nada”.“The Painted Word de Wolfe chega ao grande público que não sabe nada sobre a arte modernista, mas sabe muito sobre os rumores [fofocas] que são lançados em seu nome.Quando se trata da análise de idéias... quando ela se resume a obras de arte reais e inspiradas que nos levam a pensar, Wolfe, irremediavelmente, não é profundo(...)A [incompreensão de Wolfe] sobre o papel da crítica da arte - [sua] hostilidade com a teoria - identificada em The Painted Word, apesar de sua sabedoria e diversão literária, é um enunciado filisteu, um ato de vingança contra uma qualidade da mente com a qual não se integra e, portanto, trata como piada."
Wolfe não tem, certamente, o conhecimento de Kramer sobre a história do modernismo, assim como certamente não passou sequer uma fração do tempo de Kramer investigando a arte abstrata. 
Porém, Wolfe é sagaz e brilhante em suas argumentações. Ele percebeu num piscar de olhos o poder da revelação ao ler: "o realismo não tem uma teoria plausível”. Lamentavelmente, sua observação de que "a falta de uma teoria convincente é a falta algo crucial"- no que tange a produção artística- poderia ter ido mais fundo,atingindo o amago do problema que mescla a arte à ideologias. O açodamento de Wolfe em proferir resenhas espertas o levou a cometer um baita equivoco. 'Ver para crer, não acreditando no está vendo', não é um problema. Ao contrario, pode ser uma incitação positiva para despertar no espectador 'O' olhar inquisidor,  não apenas contemplativo, o emancipando da tutela dos  eruditos e o lançando numa experiencia nova e pessoal.Esse,aliás, esse foi um dos fatores que inspirou os artistas a produzirem as obras mais surpreendentes do modernismo. O desprezo por esse detalhe fundamental enveredou Tom Wolfe por vias mal pavimentadas.Para um sujeito de pensamento e argumentação tão sofisticadas, essa é uma falha imperdoavel.

Adriano de Aquino out/2009