
Adriano de Aquino

Adriano de Aquino
O hiperbolismo tornou-se a maior tortura da vida contemporânea. É impossível visitar uma grande exposição sem ser invadido por musicas temáticas intermináveis, vídeos, documentação iconográfica que, a partir da Grécia clássica, pretende explicar o processo de trabalho de um artista moderno. Textos longos, preenchido de citações intermináveis, impossíveis de ler em pé, colados nas paredes, etc. Essa mania, a titulo de museografia contemporânea, invadiu a vida atual de tal forma que mesmo o simples ato de ir a uma churrascaria comer um naco de carne te obriga engolir contra a vontade, produtos audiovisuais, jogos de futebol, programas de auditório, BBBrasil e todo lixo da comunicação empresarial que berra dos aparelhos de TV espalhados pelos botequins,bares e restaurantes.Não ha digestão que agüente!Um fenômeno similar envolve o individuo que vai a uma grande mostra de arte. Ele sai de lá tão exausto que mal consegue lembrar as obras que viu, admirou ou criticou. Se conseguir sair com os neurônios intactos o visitante dá de cara numa lojinha do museu oferendo réplicas das obras mais consagradas da exposição na forma de souvenir e nos suportes os mais bizarros. Cinzeiros com a estampa de Mona Lisa, candelabros inspirados nas esculturas de Brancusi, porta livros tipo Richard Serra, prendedor de gravatas Salvador Dali e por aí afora.
Silencio!
Ah! Como eu gostaria de voltar à sociedade humana. Onde os indivíduos transitavam soltos por entre os objetos de arte e as coisas do mundo. Sentavam-se nas praças em busca do simples prazer do passeio e para observar pessoas, bichos e vegetação, sem a obrigação de escutar anúncios religiosos ou rádios estridentes. É musica por toda parte!Pior, nenhuma delas ouviria por vontade própria. Não te perguntam se gosta ou se quer ouvir musica naquele momento, afinal você está num shopping center – o mundo é um shopping center! O ambiente seguro e climatizado dos corredores limpos e aromatizados, cercado de vitrines cintilantes, transfere ao individuo a sensação de segurança e o estimula a percorrer os labirintos infindáveis e se deliciar com armadilhas do desejo. Lá fora, distante, as ruas fedorentas e perigosas.
Os museus seguem o modelo. A musica funcional, uma espécie de facilitador para o entendimento do contexto no qual a exposição se insere, se espalha por entre corredores e cantina. Hoje, tem o poder de um pacto do qual você jamais foi consultado.
Gostaria de voltar a sentar num bar pelo prazer da conversa e da boa bebida, sem ser intimado a saber o resultado da ultima rodada. Poder ir a uma exposição, ver obras de arte pelo encanto que a experiência visual me proporciona. Ir a uma grande mostra e ter a possibilidade de me perder e me achar através dos meus próprios olhos. Poder confrontar a riqueza da diversidade criativa sem ser impelido por sons, vozes e orientações onipresentes.
A cultura hiperbólica desintegra o individuo. O que interessa são as mensagens e a eficácia do comandos.
Mundo chato!

Adriano de Aquino
O que se passa na alma dos artistas de grande visibilidade e alta cotação de preço?
As declarações dos mais notáveis “stars” das artes plásticas me lembram diálogos dos filmes hollywoodianos de quinta categoria.
Tornaram-se celebridades e hoje são ricos. Poderiam apenas dar um bye bye pra plebe e seguir adiante pintando e gerando produtos estéticos variados. Mas, não! São criaturas boas, imbuídas de nobre causa pública. Que merda! Os filmes de quinta categoria não têm grana para pagar o cachê da Bete Davis. Não há perversos na arte pós moderna! Se fossem ao menos espirituosos, tratariam com ironia a fama, a fortuna, seus currículos artísticos e saldos bancários. Ora, diria Dali, não esqueça que a mediocridade intelectual de alguns artistas não lhes permite nem mesmo abandonar a velha culpa cristã. Eles podem ser enormemente ricos e famosos, porém, continuam se sentindo miseráveis e rejeitados pela mãe. Eles clamam por reconhecimento para curar o maldito ser abandonado que habita seu interior. Jamais trepariam diante da cúpula do Vaticano?(dizem que Dali adorava trepar olhando campanários cristãos).
É constrangedor ver "stars" das artes plásticas se justificando na mídia: - “minha obra é expressão artística original e não apenas preço. Minhas obras não são decorativas - a maioria não é mesmo, são feias pra cacete - ou arranjos florais, etc. A tietagem que cerca as celebridades – críticos de plantão, marqueteiros, assessoria de imprensa etc.) põe a língua pra fora e faz careta pra multidão:- Vocês são uns invejosos! Não conseguem aceitar o sucesso alheio!
Em minha opinião as celebridades se estressam demais quando se metem a dar declarações éticas sobre seu sucesso na imprensa. Parece uma síndrome aristocrática oriunda da extrema visibilidade à execração publica na Praça de
Esforçam-se em explicar o sucesso como conseqüência inesperada, oriundo apenas do próprio talento. Nesse ponto da entrevista tombo
Ora, quem se importa com isso? Já que críticos fantásticos - alguns nomes estrangeiros desconhecidos do repórter além de referencias a obras espalhadas em coleções milionárias mundo afora, prêmios, comendas etc. que tem muito mais valor que a consciência, publica ou privada.
É! Dali tem razão.

_Já o valor da obra de um artista independe dos fatores relacionados ao preço. Digo isso porque o valor, ao contrario do preço, é gerado dentro nós, se processa no cerne da nossa consciência e é fruto das múltiplas experiências que vivenciamos desde o nascimento. Nossa visão do mundo se reflete numa lente interior, digamos assim, que vai se ajustando à medida que vamos coletando sensações, experiências, talentos e saberes vida afora. Consciência e valor são, portanto, irmãos gêmeos, poderia dizer que são extensões de um mesmo ramo molecular. As causas externas são fatores cruciais na formação de valor de uma pessoa porque agem diretamente no desenvolvimento da própria consciência. A consciência que nos possibilita escolher o que avaliamos como precioso se expande à medida que nos emancipamos das normas herdadas, da tutela de terceiros e das fórmulas consagradas . Num sentido figurado, consciência e valor atingem melhor desempenho quando se fundem na forma de uma fita circular, sem rupturas ou emendas. No ambiente onde se desenvolve o valor/consciência a fusão preço/valor se desintegra e as doutrinas dos arautos da verdade absoluta tornam-se ecos distantes,parecidos com os gestos e berros dos feirantes. A arte, a ciência, a filosofia, a religião, a ideologia, a historia, a política e todas as abas do pensamento se acumulam num dique que chamamos cultura. Nas fissuras da parede de contenção vivem os artistas. É lá que surgem as belas e inquietantes obras de arte. Quando um artista morre um desses vazamentos se fecha. Suas obras se tornam raras e, por uma serie de razões, mais cobiçadas. Essas coisas acontecem porque a matriz que as gerou não mais existe. Como nunca sabemos o que fazer quando algo que nos abastecia deixa de existir, abrimos um gargalo automático a fim de substituir de modo simplificado nossa admiração. Então, a obra do artista morto é cultuada de diversas maneiras, dentre elas a do preço que se torna mais alto do que quando ele vivia. Eu diria que isso é nada mais que um culto onde se tenta mesclar coisas díspares a fim de transferir significado elevado para o dinheiro e dar prosseguimento a um código simples que exprime um conceito equivocado: quanto maior o preço melhor a arte. Como o ser humano é um bicho fascinado por cultos e o culto ao dinheiro hoje é soberano, essa pratica persiste. Deu pra entender?


O maciço fluxo de informações "quentes" sobre a agenda de Copenhagen (acompanhe debate ao vivo na CNN/ YT com Kofi Anana,Thomas Friedman,somado a milhares de artigos ja produziram um consideravel "congelamento" de ideias.O aquecimento global tornou-se unanimidade global.Nessas horas é bom pensar que nem tudo está tão gelado.Existem opiniões bem fundamentadas que contestam o aquecimento. Postar de novo esse video é uma forma de retardar o derretimento mental.








econômico a Cuba não impede que o governo invista em modernos sistemas de invasão eletrônica visando controlar a vida das pessoas .Essa é a característica comum a todos os regimes autoritários. A ordem é cercear Yoani na blogosfera e ameaça-la na vida real. Custe o que custar essa é uma missão do governo cubano. Esse episodio macabro redimensiona minhas preocupações em relação a CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicações que ocorrerá dia 14 de dezembro em Brasília. A Executiva Nacional do PT informa que no evento a intervenção petista se dará de duas maneiras: “uma, ao lado das lutas especificas de cada área; outra, mais ampla, na construção de um novo modelo legal para todo o setor das comunicações(...) criando instrumentos de controle público e social e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais”.