quarta-feira, julho 25, 2012

Neo Renascimento




Adriano de Aquino
julho de 2012



Toda organização aspira ao controle. Essa regra básica de convívio em grupo se expande para diversos vetores da vida. Além de regular os impulsos humanos aos procedimentos fixados por um padrão geral, ela formata preceitos mais sutis que determinam os códigos particulares que portamos ao longo da existência. Somos,em síntese, criaturas cultivadas pelos valores do grupo a que pertencemos.São esses princípios  que, em parte, nos constitui como individuo. Porém, a conformação autônoma do individuo se consolida na consciência da sua diferença. É a posse dessa consciência que leva a pessoa a questionar os modelos impostos pelo grupo e torna exequível a construção da particularidade. Eu me chamo Adriano, na ocasião do meu nascimento não tinha condições de escolher meu próprio nome, meus pais o fizeram. Não sei que sentimentos os levaram a escolha do meu nome. Seja lá o que for, com o passar do tempo acabei entendendo que esse nome era algo que me pertencia.  Por um longo período, ao qual se costuma chamar da idade de formação, as minhas escolhas pessoais se limitavam a singelas ações lúdicas. Todavia, a maior parte do tempo útil eu era obrigado a cumprir os deveres e obrigações que me tornariam no futuro um individuo socialmente produtivo e apto a desenvolver um hipotético potencial, do qual eu não tinha a mais vaga ideia. Havia uma vitrine de modelos a serem adotados. Escolher um era tarefa penosa. Meus desejos eram multifacetados. As profissões regulares e as ambições objetivas,bem como, os signos de riqueza e poder, não me encantavam. Eu desejava, antes de tudo, a liberdade. Como podem perceber eu enfrentei desde cedo um problema de gestão. Por volta dos dezessete anos uma atração inexplicável me levou a, antes de me interessar por arte, desejar ser artista. Mas, ser um artista não era para mim uma atitude inspirada numa categoria poética ou na rebeldia libertadora, como expressada posteriormente no consagrado aforismo de Beyus: “Toda pessoa é um artista”. Ha muito tempo circula no ambiente cultural miríade de especulações sobre esse axioma. Mas, antes que essa frase se tornasse um 'modelo' inspirador para alguns grupos estéticos contemporâneos, ocorreu um fato concreto. O que levou o artista alemão a cunhar essa expressão emblemática, tornando-a uma bandeira artística, foi o fato de ter aceitado na sua classe 142 candidatos recusados pelo sistema seletivo de uma academia  de artes. Essa confrontação com o status quo  adquiriu o contorno de um manifesto contra as disciplinas acadêmicas e, posteriormente, se desdobrou em ações radicais contra qualquer critério estético. 
Essa atitude política, digamos assim, foi gradativamente inserida no circuito da arte a ponto de se constituir, em curto espaço de tempo, um modelo hierarquizado. A parte as questões interessantes suscitadas pela citação, ser artista, para mim, implica em se debruçar não apenas nas cercanias da política das artes e no modo operante  de produzir objetos estéticos,ações ou conceitos que visem sedimentar um modelo de arte(estilo) ou extravasar  a verve contestadora no plano cultural. O desempenho de um artista  não se restringe apenas a assentar no mundo real as formas de um desejo latente ou  ações táticas concernentes a um discurso estético / político. 
Desde os primeiros passos enxerguei a experiência artística como fonte de saber e conhecimento que viabiliza a entrada nos domínios da beleza. A vigência dos paradigmas atuais, por mais tolerantes que possam parecer, exige do proponente um livre transito no ambiente cultural. Existem varias formas de alcançar essa permissão. A mais frequente acontece na partilha de códigos comuns entre pares e demais instâncias que inserem o trabalho artístico no meio social. Gostemos ou não, isso é uma sentença que obriga um artista a dar uma resposta social a sua atividade criadora que, paradoxalmente, de social propriamente dito, não tem nada. 
O fato é que conquistar o reconhecimento dá uma trabalheira danada. É bom que fique claro que para alcança-lo não é necessário um raro talento artístico. A dedicação extrema em direção a um objetivo especifico desempenha um fator preponderante na compleição de uma rede de relacionamentos que abre portas e facilita o acesso no ambiente cultural. A partir daí surgem os degraus da escalada rumo ao reconhecimento e, quem sabe, ao sucesso. Nesse estagio poucos se perguntam se o esforço vale o reflexo fugaz do que distinguimos como sucesso. Alçar ao sucesso exige muito trabalho, paciência e perseverança no gerenciamento das trocas sociais. Para cumprir à risca esse percurso o sujeito tem que se ajustar aos jogos políticos sob a jurisdição da alta ansiedade. Talvez, por isso, ao atingir o sucesso muitos dizem que a recompensa é pífia. Não há nada de novo no que digo. A produção moderna de bens culturais esta submetida a esse método, portanto, é bobagem lamentar a injustiça do sistema que empurra a maquina que explora os desejos. 
Para aqueles que  o reconhecimento público é o teto do mundo, a frustração diante do real e a decepção frente à dureza do sistema, caem como um flagelo que abate com mais violência o artista que elucubra ampla expectativa na propagação pública do elevado conceito que tem sobre si próprio.
A  distancia vislumbra-se uma geleira intransponível, um Everest de carne e concreto. Na proximidade, no olhar do seu interior, as galerias e instituições culturais, pontas do sistema de arte, se convertem em espaços especializados, legitimados como organizações onde os bens artísticos encontram exteriorização, projeção social e perspectiva de ganho financeiro.
Nesses espaços, as singelezas ou  irreverências dos artistas e de suas obras vaporiza otimismo, convidando o espectador a protagonizar um mundo de experimentos singulares.
Ainda que tudo funcione como o previsto, demanda-se dos frequentadores apenas uma abertura para o novo, uma espécie de convite ao assombramento que estimula surpresas e sensações que  possibilitam, em tese, reconstruir o mundo a partir do foco de que arte é vida e vida é arte.  As ações estéticas contemporâneas cultuam essa ideia. A mesura que circula no ambiente das artes contemporâneas é consequência direta dos meios de comunicação.Esse conjunto de fatores propõem  excitar as mentes e fazer o coração bater mais forte  ao situar o  espectador como protagonista do seu tempo.A  tolice humana não se esconde ai, está oculta em outro lugar.  Num lugar estéril onde se erguem os mitos para adoração e se lustra o novo ícone que substituirá o antecessor. Esse procedimento é sustentado pelo que se convencionou chamar de depuração qualitativa, que nada mais é que um recurso artificial, uma réplica dissimulada, em estado bruto de um compacto upgrade turbinado do percurso da historia da arte. Esse engenho torna-se mais sedutor quando uma autoridade cultural (curadores, diretores de instituições, centros de arte, escolas, museus, jornalismo cultural, marchands, mestrandos/doutorandos etc.) projeta diante dos olhos do espectador sua visão da arte do momento como uma perspectiva de consagração inquestionável  sobre seu valor. 
A garantia da linha sucessória desse empreendimento é a longa tradição da ideologia mercantil e a confiança na neutralidade cientifica do observador especializado.
Sua eficiência está fortemente vinculada à insegurança expressa por indivíduos que subestimam suas escolhas quando da busca por códigos estéticos vencedores, significados e lucros. O sistema de arte é parte de um complexo de negócios movido por interesses distintos. Sem desprezar o esforço dos intelectuais que refletem sobre as relações entre arte e sociedade, o processo criativo - aquele que dá corpo à arte- é movido por substancias que só se sustentam na liberdade plena. Tudo que acontece fora desse tempo/espaço é especulação movimentada por desígnios táticos, econômicos ou políticos. A criação, em si, não se submete as regras fixadas por comandos formais, pois, para que o processo criativo flua é fundamental que o artista se permita a insubmissão que torna a experiência criativa imune a  lógica que afeta a produção de bens e as compensações objetivas. A arte se forma num tempo impreciso e indefinível. O que está à frente ou muito distante acontece simultaneamente. Tentar abordar esse instante através de modelos lógicos é um convite ao atraso e à frustração ou,no plano das ideias,base para fundamentação teórica e estratégias de ideologização.
Em tempo de incertezas, quando a linha graduada de valor se dissolve por entre visibilidade e preços, o processo criativo é subestimado e adentra-se a penumbra. Nessa atmosfera opaca e densa o mundo vai paulatinamente sendo povoado por objetos,ações e feitos estéticos insólitos em estreita ligação com os anseios por novidade, matéria prima preferencial das redes de comunicação,dos ditames do espetáculo e em consonância com o modelo dominante. 
Suponho que quando a sombra esmaecer surgirá a nossa frente não uma nova arte, mas, um volumoso mostruário de ícones, portando pomposas etiquetas de identificação transcritas em breves súmulas e ornamentadas com sedutores cifrões.





domingo, junho 17, 2012

Aquecimento global / congelamento de ideias.



Considerando-se que o aquecimento global é uma ocorrência inquestionável me pergunto; o ativismo ecológico em suas múltiplas manifestações, maior parte das vezes apocalípticas, sobre as causas do aquecimento global tem fundamento cientifico?
Antes de refletir sobre isso, encontre um lugar fresco e agradável e previna-se contra a tempestade de informação intencionada que desaba sobre o individuo. Evite, tanto quanto possível, circular nas ruas da cidade/evento que se tornou o Rio. É isso, o Rio deixou de ser uma cidade das gentes e se tornou um cenário para mega eventos. Vias preferenciais entupidas e transito caótico compõe o panorama da capital mundial da salvação planetária com sede no Rio Centro.E vem ai a Copa e as Olimpiadas.
Nesses dias dobre a atenção aos apelos demagógicos não só dos homens públicos. Aproveite para refletir sobre as propostas apresentadas no fórum das nações. Se tiver tempo e paciência, estenda os critérios de analise para as apresentações artístico/culturais que insinuam, entre outras coisas, que os artistas inspirados no tema da sustentabilidade são protagonistas de um novo tempo, intérpretes de uma luta titânica contra o consumo, a manipulação da comunicação social, o capitalismo e a destruição planetária radical.
Afinal, as pessoas não estão congeladas, muito pelo contrario. Espocam, aqui e ali, opiniões bem fundamentadas que contestam as ideias mais espetaculares e catastróficas, propaladas pela mídia, de que o aquecimento global é provocado, principalmente, pelo fator humano. Não tenho nenhum motivo especial para acreditar que as sociedades humanas são zonas de equilíbrio, bom senso, harmonia e solidariedade. Ao contrario, considero o ser humano uma ameaça constante, um bicho desajustado. Em bandos se tornam mais perigosos quando, ao tenta superar sua insignificância, afrontam a natureza e o tempo com ignorância e prepotência.
A ignorância é um dado desculpável frente aos mistérios da vida, a imensidão cósmica e outros acontecimentos colossais, entretanto, a prepotência que leva o homem a crer que o fenômeno do aquecimento global é consequência direta das suas ações, não poderia ser mais um surto megalômano?Entendo que com a superpopulação é urgente que se amplie a participação na manutenção e proteção dos recursos naturais. Até porque, se não houver uma política séria nesse campo, em breve o mundo não terá mais comida, os oceanos estarão vazios, as florestas peladas, as praias desaparecerão embaixo de montanhas de dejetos.  Nas ficções podemos até nos deliciar com a luta de um herói humano, armado apenas de astucia e uma lança, contra um Tiranossauro Rex. Todavia, no plano do real sabemos que isso é apenas uma metáfora que se encaixa na incansável tentativa humana de vestir um anão com vestes de gigante.
No fluxo das festividades sustentáveis, repostar esse vídeo pode parecer apenas uma provocação. Mas, o fato é que a discussão sobre o nosso futuro sobre o planeta é mais ampla e profunda do que aparenta. Em resumo: salvar a própria pele é o pano de fundo de toda a empreitada humana. E, claro, se os avanços tem que servir para alguma coisa,então, no mínimo,que se instale na cultura, de forma definitiva maneiras mais inteligentes e racionais de sobreviver, impondo a menor destruição possível à natureza.
Adriano de Aquino

sexta-feira, maio 18, 2012

Covas vazias


'Net.art está morta,viva a net art'. [haja saco!]
Que semana profícua! Os ensinamentos que circularam esses dias nos jornais foram estupendos. Aprendi, por exemplo, que o modernismo foi uma invenção estéril que só beneficiou alguns artistas devassos, mercenários e egoístas. Revelações eletrizantes desse tipo me levaram a encarar a realidade. Encará-la, nas palavras de um milionário messiânico, me acerta na cara a constatação de que a realidade é uma MERDA! No ano passado algumas almas irrequietas disseram nos jornais, provando por A + B, que o holocausto não existiu e que se trata de uma invenção do Spielberg com objetivo exclusivo de ganhar dinheiro com ficção apavorante. Quer dizer, não apenas os artistas do decadente modernismo eram engôdos, os artistas pós modernos (leia-se 'contemporâneos') também não contribuem para a cultura e a educação do POVO (em maiúscula).Diante disso, um rico benevolente, desprovido de interesse pessoal, se outorgou, de forma 'natural' -amante da natureza que é - o cargo de manda chuva de uma cruzada em prol da educação à partir dos enunciados estéticos  contemporâneos expostos no interior do esfuziante paisagismo tropical que mandou construir. 
Nossa!Que missão relevante!Muito mais nobre que todo o modernismo espalhado nos museus das grandes metrópoles do mundo. 
Outro fenômeno que afirmam também ser ilusório e inútil, como o modernismo, é o tal do 'mensalão'. Algumas pessoas juram que o mensalão não existiu que é uma invenção de um bando de maníacos (algo em torno de 100 milhões de pessoas integram esse bando de alucinados). E, vejam,aprendi isso tudo e a semana ainda não terminou. Pode ser que amanhã surjam novas 'revelações' estrondosas que mudarão o andamento da historia. Ops! Mal acabo de descrever essa perspectiva abro uma pagina do jornal El Pais e dou de cara com a velha exaltação em torno da morte da arte ou de algum feitio de arte.( de novo?!)
El Pais: 'Net.art está morta,viva a net art'. [haja saco!]'Apesar dos pessimistas, net.art não está morta, tal como mostrado por iniciativas contínuas de projetos e criados para a rede. Um dos mais recentes, SPAMM , que significa Museu de Arte Super Moderna [mais um slogan], que é apresentado em Bruxelas, na quarta edição do Transnumériques Les , conhecido por ser um lugar que conseguiu derrubar um dos principais tópicos de arte digital que é encontrar uma maneira para compensar economicamente obras intangíveis e infinitamente reprodutíveis dos seus artistas.'Desde a era da vanguarda histórica ( arcaico segmento artístico insatisfeito com o inutil modernismo ) se mata a arte que, permanecendo insepulta,continua a circular pelo mundo gerando zilhões de dólares para coveiros e se negando a tomar o caminho da tumba. Entende-se,portanto,que a arte em si morreu,porém, qualquer subtítulo que a mantenha lucrativa a retem na UTI.
Eita! mundão idiotizado!


quarta-feira, maio 02, 2012

Falando de Arte


A única versão de O Grito de Edward Munch que ainda estava em mãos privadas,mais um desenho preparatório de Paul Cézanne para a pintura Os Jogadores de Cartas e importantes obras de Mark Rothko, Francis Bacon e Andy Warhol são as estrelas da noite de leilões da primavera em Nova York (os leilões de outono e inverno prometem ainda mais frizon no ambiente artístico) 
"Ainda ha vida, peônias brancas" de Edouard Manet ,alcançou ontem  no leilão de Christie de Nova York a soma de  US $ 17 milhões cada uma (mais de 13 milhões de euros).
Um estudo  de Cézanne, segundo um expert, 'redescoberto'(sic)este ano, será o must da temporada .Antes da 'redescoberta' e desde 1953 essa obra estava nas mãos de um colecionador do Texas.O  mundo da 'arte' estava desolado pois acreditava-se ser quase impossível obter 'mais valia' com uma das poucas obras do mestre francês que ainda restava disponível para operações mercantis. Quer dizer, o colecionador texano não estava nem um pouco desolado.Além de usufruir da obra todos esses anos agora deve estar morrendo de rir. Será esse esboço, feito em azul e ocre,cuidadosamente preservado, alvo de especulações milionárias? Para Brooke Lampley, diretor de vendas da casa de leilões, essa obra: "marca uma virada na pintura de Cézanne, revelando o processo artístico que redefiniu o posicionamento dos personagens da sua obra-prima." Como podem notar um expert em vendas bem treinado dispensa qualquer avaliação histórica  ou mesmo uma critica mais aprofundada sobre a posterior escolha do Cezane para a finalização da sua pintura  "Os Jogadores de Cartas".  
Bem, deixa pra lá. 
Afinal, algumas obras desse milionário leilão primaveril agitaram seu tempo e contribuíram para promover uma revolução estética. Hoje,se inserem como atrativos no promissor  ciclo financeiro do mercado de arte.
Nos dias atuais, goste você ou não, as coisas funcionam assim.  
Esse troço de contestar a excessiva monetização de tudo tornou-se um traço inerente às personalidades rancorosas.
O sujeito - se é que essa singularidade tem algum sentido num mundo submetido à diversidade subvencionada por terceiros-contestador e que criticamente se contrapõe a manipulação da informação e aos indicadores socioeconômicos difundidos pelos meios formais de comunicação, é um solitário. Solidão prospectiva e contestatória não é páreo para os ícones da contemporaneidade.Proteste em grupo! De preferencia no meio da multidão.
Damien Hirst, um sucesso incontestável do movimento estético 'arte/negócio' entendeu isso quando era adolescente. Desde então ele se posiciona no centro das novas propostas estéticas que ostentam sucesso financeiro sem precedentes na historia da arte ou, se preferirem, nas agendas mais ricas do mercado da arte.
As instituições culturais também despertaram para esse 'novo tempo.'
Vejam isso:
O Museu de Arte Contemporânea da Austrália reabriu as portas em 29 de março após estar fechado por 18 meses. Agora, após 56 milhões dólares em investimento, o Museu abriu suas portas com excitantes novidades.
A instituição convidou o artista conceitual Stuart Ringholt (40)apontado pelo jornal australiano The Age como um dos Top 10 da Austrália, para 'criar' um troço que estimulasse as pessoas a irem ao museu.Sabedor de que a arte pela arte já não leva ninguém a sair de casa, Stuart criou uma modalidade de visitação especial: todo mundo nu (menos os funcionários do museu).
"Quem está nervoso?"
Com essa pergunta Ringholt deu inicio ao percurso guiado da exposição.
Num dado momento, motivado pela excitação  dos visitantes, o artista bradou:
"Gente! Isso é muito bonito. Somos extremamente sexualizados por nossas roupas. Sem elas, somos naturais."
O ápice da atração de Ringholt foi quando ele anunciou que um casal de funcionários do MCA,devidamente vestidos, os acompanharia por todo o percurso.
-"Gente, explicou o artista, por razões de segurança os guardas permanecerão vestidos".Mas,acrescentou: "se eles tiverem que  fazer o passeio por dois dias seguidos é possível que tirem suas roupas no segundo dia,.Senão eles se sentirão muito desconfortáveis estando vestidos em torno de tanta carne humana em natura."
Ele se desculpou pelas câmeras de segurança, brincando que "a gravação será mantida por três meses, para o gozo do pessoal da segurança."
Assim, 32 homens e 16 mulheres participaram de um momento único propiciado pelo talento de Ringholt que revelou na ocasião que a sua ansiedade tinha diminuído. A maioria dos visitantes concordou.Estavam todos mais tranquilos.
O passeio terminou com um copo de vinho espumante na esplanada do museu com vista para o Sydney Opera House. Perguntado se ele tinha algum plano para levar suas excursões para museus no exterior, como o Metropolitan de Nova York, Ringholt mostrou-se animado. -Quem sabe? Perguntou o artista
Tracey, uma das participantes da experiencia,não quis revelar seu sobrenome. Entretanto,ela disse que trabalha para "uma organização cristã" e que o que viu nesse percurso  "não tinha a arte como foco."
Então é isso; falar de arte nos dias atuais é não ter a arte como foco. 

domingo, fevereiro 19, 2012

Pérolas & Porcos


Produzir bens duráveis,gerar conforto e suprir as demandas de consumo são itens  que se tornaram imprescindíveis à vida contemporânea.  Cada dia que passa aumenta o arsenal de produtos disponíveis no mercado. Com isso o refugo se amplia enormemente e as técnicas de descarte não conseguem acompanhar o ritmo. Nos paises mais ricos esse contraste se agrava a cada dia,nos paises pobres, onde o consumo é mais reduzido,o problema também é grande e  não pode ser desprezado. Até que as campanhas de reciclagem surtam efeitos concretos e a cultura da seleção criteriosa e o tratamento correto dos dejetos se torne uma realidade seremos obrigados a conviver lado a lado com as pocilgas.Além disso,a tendencia em acumular novos problemas sem solucionar problemas do passado é uma  característica humana a ser considerada.Desde o lançamento do Sputnik -o primeiro objeto a entrar em órbita em 1957 - a evolução tecnológica permitiu que naves, foguetes e outras centenas de satélites explorassem o espaço tranquilamente.Atualmente, cerca de 17.000 destroços com mais de 10 centímetros giram em torno da Terra. Por volta do dia 20/09/2011,  a Nasa informou que um satélite americano desativado de 6,3 toneladas ingressou  na atmosfera terrestre e se desintegrou, provavelmente sobre o oceano Pacífico, no oeste dos Estados Unidos.A agencia não sabe exatamente aonde caíram os destroços.Tempos atras um satélite russo colidiu com outro americano. Esses fatos reacenderam  o debate sobre os riscos do acúmulo de lixo espacial para quem vive aqui embaixo. Os avanços do conhecimento humano não tem preço mas, enquanto os buracos negros não provem o contrario, a vida humana sobre o planeta é um fenomeno precioso que merece ser preservado.Quando medidas concretas serão efetivamente aplicadas? Para quem vive aqui embaixo é uma incógnita.  
Adriano De Aquino

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Faíscas civilizatórias



Adriano de Aquino
fevereiro de 2012
A importância da internet e das redes sociais na vida contemporânea transcende os recursos técnicos e o seu alcance global. Tanto isso é um fato que o físico Michio Kaku e o biólogo da evolução Mark Pagel divergem radicalmente sobre aspectos do sistema que em certa medida, são invisíveis aos milhões de usuários da rede mundial de computadores. O único ponto que os dois têm em comum é o fato de que estamos vivenciando um importante processo de transição cultural. No resto, é só confrontação. Ótimo que esse confronto de ideias ocorra à luz dos refletores e não no ambiente fechado dos titulares e doutos em alta especialização sobre temas complexos da atualidade.
Concordo.Não ha duvida de que estamos no limiar de uma nova cultura. A ponta visível dessa nova cultura é extremamente atraente e sedutora. Ela oferece ao público sistemas complexos de processamento de dados em meio à transição da metodologia analógica para a digital. Se isso já é, em si, um mega desafio, acrescente-se o fato de que ao mesmo tempo processa-se a substituição de plataformas tecnológicas. Tudo de modo rápido, direto, ultra eficiente e quase imperceptível para o usuário. Os novos desenhos de produtos motivados por essa indústria se sucedem velozmente. Quase todo dia novos equipamentos, cada vez mais velozes e fáceis de operar, surgem nas vitrines. Além disso, numa rápida olhada, a cultura digital é pródiga em facilidades. Nela os meios e os fins cabem na palma da mão e são sensíveis ao toque dos dedos. É claro que além da utilidade e beleza dos objetos, os preços praticados pela indústria eletrônica de ponta é cada dia mais acessível a uma maior gama de  consumidores.Um fator preponderante para o sucesso desse setor é que esse meio de comunicação encurta a distancia não apenas entre amigos e serviços, mas,também, entre o individuo, os fatos e as celebridades, em tempo real, mundo afora.O brilhantismo ou deslize de um personagem político e a gafe de uma celebridade podem ser rapidamente compartilhados por milhares de seguidores. Essa maravilha da comunicação em rede dá ao usuário a sensação de que todos que transitam no ciberespaço são protagonistas dos fatos mais importantes da atualidade o que, inexplicavelmente, lhes confere uma espécie de poder de desviar consciências e alterar a realidade. Centenas de Viral Vídeo Chart em prol da democracia na Síria, posts sobre os resultados do último Grammy, álbuns de fotos de amigos da juventude 'quando o mundo era muito melhor', copy/paste de matérias jornalísticas, textos, trechos bíblicos, filosóficos, manifestos políticos, etcetera, transitam na rede num tal volume de dados que seria possível montar uma biblioteca de Alexandria a cada 24 horas.  As redes sociais despertaram milhares de ativistas políticos que transferiram a velha pratica dos comícios relâmpagos para o ambiente cibernético onde conclamam o povo a aderir as mais variadas formas de ação política e,em casos mais prosaicos, a uma salvadora orientação espiritual em prol do sucesso pessoal,rumo a felicidade, através da devoção cibernética a Deus.Contudo, os aplicativos das redes sociais servem, de fato, às trocas de ideias,talentos,fatos e mexericos na esfera virtual. Os posts e comentários são curtidos em alguns casos, apenas por uma dezena de amigos. Ver mais que isso é cultivar a esperança no surgimento de uma nova utopia. Uma utopia virtual que se disseminaria por entre postagens, conclamando a participação do internauta em causas libertarias que empolgam multidões, ultimam revoluções vitoriosas e propõe libertar presos políticos na China, em Cuba e nos mais remotos cantos do planeta onde grassa a opressão.
Michio Kaku é um entusiasta da internet e das redes sociais. Ele está agora no Brasil participando de alguns eventos no Campus Party. Ontem, numa entrevista ao site de VEJA ele se revelou um adepto da transformação que vem sendo propiciada pela internet. Na ocasião chegou a afirmar que o destino do Facebook é crescer e que seu papel na sociedade é o mesmo exercido pela fogueira ao longo do processo civilizatório: "se, no passado, o ser humano se reunia em torno do fogo para contar e ouvir histórias, hoje, as pessoas usam a plataforma para compartilhar o que sabem e se informar. Ainda trocamos informações sobre quem fez o quê, quem está se destacando, quem está seguindo tendências, quem está se envolvendo em escândalos".
Mark Pagel,ao contrario de Michio Kaku,acredita que estamos sendo amansados por grandes coisas sociais que acontecem na Internet, como o Facebook. Segundo ele estamos sendo domesticados por esses meios e, com isso, dia a dia, exigimos menos de nós mesmos e abandonamos aos poucos a inovação para sobreviver.
Embates dessa natureza não ilustram apenas a adaptação e o desempenho operacional das pessoas frente às novas tecnologias. Eles dizem muito mais que isso, pois, é do confronto de ideias que nos habilitamos a inserir as nossas duvidas no fluxo dos litígios que movem o processo de transformação cultural. A história nos alerta que negar enfaticamente ou aceitar passivamente as novas tendências artísticas, culturais e comportamentais não é sinal de acuidade intelectual ou argúcia pragmática. Ainda que os extremos delineiem territórios inconciliáveis que nos demanda esforço de compreensão, é no bojo do confronto entre os extremos que se move o processo de inovação cultural. As inovações tecnológicas criam ferramentas e protocolos, porém, sozinhas, não consolidam transformações culturais. Olhar com desdém as partes do jogo em curso pode parecer uma atitude de superioridade cultural fundada num passado glorioso, mas, de fato, nada mais é que um modo ingênuo de encarar as contradições mais importantes do nosso tempo.
O protagonismo é uma ação consciente. Ao contrario das reações intempestivas é o protagonismo atuante que nos leva a refletir sobre as forças em jogo e nos permite olhar para dentro das áreas cinzentas de uma proposta, colocando, frente a frente, as ideias e métodos das diversas correntes do pensamento. É essa conjetura que faz da cultura um foco determinante tanto no plano econômico como político.
No meu entender o protagonismo é mais influente quanto mais se manifesta em atitudes e ações respaldadas em ideias originais, advindas da reflexão criteriosa sobre aspectos plurais das questões em jogo. Afinal, a gênese da inovação não é monopólio de um só pensador.   
O embate entre o entusiasta Michio e o pessimista Mark Pagel não é confronto destinado apenas aos especialistas. Ele é tão importante que deveria ser configurado como videogame e baixado gratuitamente.





sexta-feira, dezembro 23, 2011

sábado, novembro 19, 2011

A aflição do novo


Adriano de Aquino
novembro de 2011

Parecer novo é a mais nova aflição da atualidade.
Excitante mundo novo, vida nova, tudo novo. Seria surpreendente se esse aforismo refletisse uma tendência generalizada, entretanto, aceitar o novo não é uma disposição tão consensual quanto gostariam os especialistas do marketing e da publicidade. Ele é cercado de dúvidas e indagações. Por um lado é estimulante, por outro, é suspeito e assombroso. O novo versus o velho é um duelo constante em nossa vida intima e afetiva e nas nossas mais importantes escolhas. Ainda que eu não pretenda divagar sobre os aspectos mais densos desse conceito, ao tocar no assunto acabo aproximando de algo que, ainda que não percebamos com clareza, nos mobiliza todos os dias.
Para ir direto ao objetivo, ou melhor, ao ponto que pretendo abordar nesse texto, afastarei a tentação de divagar sobre as investidas contemporâneas recorrendo a três citações admiráveis que expõem com mestria a complexidade da matéria:
A primeira de Brecht: Alegrem-se com o Novo, envergonhem-se do Velho!
A segunda de Charles Olson: O que não muda é a vontade de mudar.
Devo acrescentar que minhas considerações, ainda que não toquem em contextos filosóficos, tangenciam despretensiosamente as fronteiras da reflexão existencial.
O que nos vem à mente diante da questão: as mudanças que acontecem em toda parte podem ser apreendidas como um novo paradigma sócio cultural? 
Parte da resposta advém do impasse diante da nossa atitude em favor do novo. Em alguns casos, interagir com o novo pode ser relegado a um segundo plano e lá permanecer resguardado até que ele se torne habitual e seu impacto seja neutralizado por força do tempo e do imperativo de adaptação. Por outro lado, a aceitação instantânea, que nada questiona, também não é um passo decisivo em direção ao novo.
A astúcia do relativismo cultural serviu durante um período como um fator desestruturante do longo predomínio das ideologias sobre o pensamento. Nesse aspecto teve um efeito curiosamente objetivo que permitiu descortinar novas perspectivas intelectuais há muito tempo recalcadas. Contudo, ao sedimentar-se como regra deixou de ser uma alternativa dialética para se tornar uma fórmula fácil, adaptável a qualquer circunstancia. Hoje, é o cabeçalho da contemporaneidade, lamentavelmente, perdeu o viço e a graça que tinha na sua origem nitszchiana.
Niezstche, Freud e Marx, considerados pilares da modernidade desvendaram, cada um a seu modo, um novo mundo. Suas idéias atravessaram grande parte do século passado e ainda são referencias ao pensamento contemporâneo. Todavia, o pensamento científico desbravou outras fronteiras do conhecimento. Uma nova cultura, aparentemente mais tecnicista e pragmática, confrontou as bases do humanismo clássico e se espraiou pela sociedade.   
A limitada difusão cientifica de meados do século passado deu lugar a um protagonismo mais atuante. Hoje, pode-se dizer; já estamos acomodados e convivemos bem com avanços científicos. Os avanços das tecnologias da informação, por exemplo, se tornaram tão rotineiros que mesmo um menino de dez anos em alguns minutos se habilita a interatuar com programas difíceis e compartilha infos na rede global de computadores. Se perguntarmos se ele sabe o que está operando, se ele conhece o sistema e as entranhas da máquina, certamente teremos como resposta um não.
Todavia, ainda que convivamos superficialmente com as mais inquietantes tecnologias do século XXI, como a informática, a transferência em rede de dados digitais, a robótica, a engenharia genética e a nanotecnologia podemos intuir o quanto o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico têm agido e transformado nossos hábitos cotidianos e nossas vidas.
A utilização das mídias digitais ao mesmo tempo em que interage com todas as modalidades do fazer, se destaca de todos os demais itens, serviços e produtos hoje disponibilizados no mundo.
Pode-se dizer que os artefatos digitais e os recursos da rede global são, em síntese, o que há de novo na atualidade.  
Talvez porque, no correr da historia muitas possibilidades do novo acabaram se parecendo com nada, ou pior, se revelaram idéias 'geniais' que findaram em preconceitos, perseguições, mais restrições, controle social e guerras. Em casos menos graves, em desígnios pouco substantivos que resultaram em novas convenções. A precaução de algumas pessoas, às vezes exagerada, os leva a questionar o valor real dessas tecnologias digitais para os avanços humanitários.  
Porém, esses não são motivos fortes o bastante para nos colocar em posição antagônica a tudo que é novo. Ao contrario, é uma boa oportunidade para avaliarmos as muitas possibilidades que o novo nos apresenta.   
Não compartilho da empolgação consumista pela gigantesca oferta de novas tecnologias. Porém, o fato é que o novo tem se manifestado através desses meios. Impossível contestar. O que antes cabia aos movimentos políticos, estéticos, artísticos, ao saber canonizado, à indústria e ao arsenal de bens, serviços e produtos de uso corrente nas sociedades modernas, hoje, se agrupa em torno da tecnologia digital. Essas tecnologias não são as responsáveis exclusivas por todas as transformações que atravessamos, contudo, me pergunto; sem elas tais mudanças seriam possíveis?
Entendo que uma resposta rápida a essa questão reduziria as propriedades dessa nova modalidade de saber e comunicação e limitaria muito as nossas especulações sobre a complexidade das experiências humanas.
Desde episódios triviais do convivo entre pessoas reclusas numa casa, transmitida em rede, até multidões que se manifestam contra regimes autoritários, passando pela vida dos astros da mais valia em justaposição aos seres desprovidos de recursos mínimos de sobrevivência, o que se confirma, dia a dia, é que todos, celebridades e anônimos, se tornaram atores de um tempo distinguido pela transversalidade das novas tecnologias.
Como uma folha em branco, elas aceitam qualquer esboço. Divulgam e compartilham, sem restrições ideológicas, religiosas etc. uma volume colossal de informações. Vimos recentemente, revoluções, fatos, desgraças e sucessos serem transmitidos para a rede global a partir de um celular.
O que antes estava circunscrito aos órgãos de imprensa, rádio e TV, ao gosto dos editores e limitados pela mobilidade, senso de oportunidade, foco jornalístico, interesses políticos, econômicos e empresariais, hoje, está disponibilizado na palma das mãos. É leve, veloz e, de certa forma, onipresente.
Um telefone celular é uma estação multifuncional pronta para transmitir um fato de forma direta, quer dizer, na sua conformação real, no momento em que acontece. 
Por esse prisma, a velha fábula da força do individuo contra o esmagador poder do sistema ganhou outro contorno. O mito da célula que converte o todo ganhou vida própria e reacendeu a chama do imaginário humano. Curiosamente, isso aconteceu na ultima década. Década essa reconhecida como um período dominado pelo pragmatismo. Se isso não configura em si uma mudança, confirma que o processo é agora inexorável.
Conectado às redes móveis em status de acessibilidade, transferindo velozmente voz e dados e sintonizado no ciberespaço, o celular tornou-se uma ferramenta poderosíssima, seja nas vielas da Rocinha, nos esgotos de Sirta, nos arranha - céus nova-iorquinos, nas festas, nos combates, nas cerimônias de batismo, crimes, sepultamentos,poemas,sons,cores e formas.
Nos primórdios dessa tecnologia eu supunha que os melhoramentos eram de caráter pessoal. Tratava-se, então, de mais um confortável utilitário da vida moderna que, dispensando fios e artefatos físicos confinados a um ponto, nos conectava com o mundo através das ondas eletromagnéticas de transmissão bidirecional de voz e dados.
A aparência do novo que se esconde nesse ultimo parágrafo, estreita o ciclo que nutre a aflição diante do novo na medida em que o dilui entre as coisas imediatas, visíveis e materiais. Ao atinarmos que o novo exige de nós uma atitude em sua direção, a aflição se dissipa e nos tornamos contemporâneos.
A terceira citação desse texto é de Giorgio Agamben e fala do tempo onde o novo se aloca: Contemporâneo é aquele que tem o olhar fixo no seu tempo, para nele se aperceber não das luzes, mas da escuridão. 



                                 






 



domingo, novembro 06, 2011

Quanto pesa uma biblioteca?


Quando penso em mudar meus livros de lugar logo aparece o problema que envolve embalagem,tranporte e acomodação. Quem gosta e dá valor aos livros se preocupa em conserva-los bem,ter uma boa estante que facilite as consultas e suficientemente robusta para  suportar seu peso.
Se na escala pessoal isso ja é um problema,imaginem nas grandes bibliotecas públicas mundo afora. Toneladas de livros são publicados todos os anos,além,claro, de outras publicações que precisamos ou gostamos de guardar. Afinal, os livros tem um "peso".Um peso que se estende  em diversas dimensões  e que não gostariamos de perder.     
Como preservar o acesso aos livros, reduzir seu peso fisico sem a perda experimental que a leitura proporciona? Eu me incluo entre as pessoas que apreciam o livro como um objeto de transferencia imprescindivel no jogo entre a obra e o leitor. Porém, é inegavel que seu custo industrial, recursos,matéria prima e sistema de distribuição o encarecem consideravelmente. Nesse sentido, o "peso" de um livro se estende para além das  minhas escolhas pessoais .Por outro lado, a internet vem  ampliando o acesso à leitura de livros,textos,escrituras,imagens e etc.
Curiosamente, nunca me perguntei quanto essa transferencia significa.Alguma vez você já se perguntou  quanto pesa a Internet?
Afinal, a Internet é enorme. Mas, a maioria das pessoas assume que a Internet, está ao nosso redor, é imponderável e chega a qualquer lugar na velocidade da luz. E luz, é um elemento que não tem um peso facil de medir.

A surpresa é que não! De acordo com Michael de Vsauce, teoricamente a Internet pesa alguma coisa,ou melhor,tanto quanto um morango de 50gr.
Michael diz que, de acordo com Russell Seitz, a Internet pesa 50 gramas. O que explica 50 gramas de massa da Internet? De acordo com Vsauce, "a informação é armazenada em binários que existem fisicamente porque os elétrons que carregam os transistores portam uma carga flutuante. Isso porque os elétrons têm massa. "Em outras palavras, eles pesam alguma coisa, embora seja uma quantidade muito pequena pode ser quantificada  em aproximadamente 50 gramas."
Russell Seitz diz  que chegou ao resultado de  50 gramas baseado nos 75-100000000 servidores que operam para fazer funcionar a Internet. Mas quanto é que as informações na internet pesam? De acordo com Vsauce, menos ainda que 50gr. Michael informa que  os relatórios que reunem todas as informações contidas na Internet  pesam apenas 0,2 milionésimos de uma onça, algo próximo a um grão de areia.
Isso significa que nas prais do conhecimento existem zilhões de  grãos disponiveis.
Confiram  no vídeo abaixo os argumentos de Vsauce.


sexta-feira, outubro 21, 2011

Pêsames ao desvario pós humano




Assistir nos noticiários os vídeos do linchamento de Kadafi, entremeado por discursos dos líderes mundiais que celebraram sua execução, confirmou minhas piores expectativas para o futuro. Do futuro não apenas da Líbia, mas, dos valores elementares da civilização.
As declarações de Obama, Sarkozy e Cameron, líderes de três poderosas nações do Ocidente são ofensivas, covardes e criminosas.
Até os ratos dos esgotos de Sirtia, cidade natal e ultimo refugio de Kadafi, ficaram espantados diante da violência da execução sumaria do ditador.
Entretanto, seres pós - humanos, supostamente sensatos, qual milicianos em festa, procederam de forma deplorável. Só faltou, após os discursos, saírem atirando pro ar celebrando uma manifestação de extrema brutalidade como se fosse um ato de justiça.
A morte de Kadafi não foi um ato de justiça, foi um assassinato.
Muito antes do conflito dos últimos oito meses eu já torcia para resistência rebelde
líbia destituir Kadafi do poder e dar inicio a uma nova etapa política, regida pela democracia e pelo estado de direito que trouxesse alegria e prosperidade para o povo daquele país.
Temia que as forças em jogo tendessem para soluções extremas como a adotada na morte e desaparecimento dos restos mortais de Osama Bin Laden. Infelizmente, foi o que vi acontecer. Se esse método prevalecer, dois episódios próximos nos alertam para isso, retornaremos ao tempo dos justiceiros do velho oeste. Imaginar que a morte de Kadafi evitaria um julgamento que poderia constranger o Ocidente é uma desculpa esfarrapada que confirma  a liberação indecente e inaceitável  da pratica de crimes bem adequados.  
Celebrar um método inumano, adotado, alias, pelo próprio ditador Muamar Kadafi nos seus 42 anos de tirania, é  afirmar sua validade, melhor dizendo, legitimá-lo.
Sarkozy, Cameron e Obama, irmanados na hipocrisia, fizeram a guerra contra Kadafi. Assistimos a invasão da Líbia, porém, nunca se pronunciou uma declaração formal de guerra. Tal procedimento só poderia ocorrer com a autorização dos Parlamentos desses países. Sabemos que tal prerrogativa não seria fácil de obter. O que vimos foi uma manobra vil em que a OTAN, desrespeitando descaradamente a resolução da ONU que autorizava uma “intervenção humanitária”, matou indiscriminadamente e promoveu, em nome da paz e da democracia, crimes contra a vida, as instituições do direito e aos valores mais caros da humanidade.
Para quem deseja a liberdade e a extinção do terror imposto ao povo libio pelo cruel ditador o que assistimos foi um show de terror,  igualmente apavorante. 

sexta-feira, agosto 26, 2011

domingo, julho 31, 2011

Azul sobre verde /Blue on Green




Informação técnica/ Technical information
Dimensão/dimension: alt. 3mt / larg. 23mt 
Suporte / support base : fibra de vidro /fiberglass
cor e substratos/ color and substrates:polyurethane urethane


Azul sobre verde 2011
Blue on Green
Mural externo em residência no  Rio de Janeiro
Exterior painting in residence in Rio de Janeiro
photos include
Architect: Índio da Costa
Sculpture: Franz Weissmann

sábado, junho 25, 2011

Brasil – Uma perspectiva

Europalia Press Conference -21th June 2011 -11.00 am
Egmont Palace - Brussel

Brasil – Uma perspectiva
Adriano de Aquino
15/06/2011

Os países americanos são tributários de uma herança cultural oriunda da Europa. Mas, não nos bastou herdar seus postulados civilizatórios, a arte e a cultura. Coube a nós uma grande responsabilidade: formar nações capazes de retornar à humanidade uma contribuição que refletisse outros aspectos do saber e da experiência humana. Esse esforço de constituição de uma cultura própria, singular, é expresso no Brasil de jeitos diversos.
O primeiro deles nos remete ao século XVII, quando o crescimento do investimento clerical implicou a introdução da arte barroca. A partir desse momento, começam a ser identificadas em terras brasileiras as primeiras manifestações artísticas, tais como compreendidas pela cultura européia. No início do século XIX, quando a corte portuguesa aporta no Rio de Janeiro, transferindo para o território brasileiro a administração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves ocorre um primeiro corte com relação à tradição religiosa que espraiava nos mais distantes recantos da antiga colônia.
A Coroa portuguesa trouxe consigo a intenção de implementar no Brasil os métodos e costumes da metrópole. No processo de consolidação desse reino, a ciência, a cultura e o saber são tratados como primazia: é criada a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Real Biblioteca, o Real Teatro de São João, a Missão Francesa e o Horto Real. De 1822 a 1889, após sua  independência, o Estado brasileiro   constitui-se como o Império do Brasil e assim “o Império do Sul torna-se uma experiência política e social sem igual no Ocidente”.
Na virada do século XIX para o século XX, com a proclamação da republica, tem início a busca do caráter íntimo da cultura brasileira: todo um movimento em direção ao interior, ao que se supunha ser a origem primária da nação, aponta um novo caminho na busca de uma identidade cultural. Uma nova burguesia letrada e cosmopolita, em geral educada na Europa, olha para o país com o ânimo redobrado para remexer as tradições, os mitos e fazeres populares à procura de algo que oferecesse significado consistente para as bases de uma cultura brasileira moderna. É assim que os pensadores, os artistas, os poetas e os compositores começam a cantar um Brasil profundo, misterioso e fascinante que espreitava por entre as influencias das culturas hegemônicas. 
No fim da Segunda Grande Guerra Mundial, o Brasil, como muitos outros países das Américas, já possuía um grande contingente de operários nas suas manufaturas. A cultura brasileira incorpora, nesse momento, uma vontade de intervir de maneira mais objetiva na vida social. Os movimentos artísticos se multiplicam, mobilizando um grande número de pensadores e artífices que se esmeram em ampliar o campo estético agregando não só elementos da busca de valores próprios da emoção e da sensibilidade, mas, também, a inserção da razão e da critica no repertório criativo.
Os anos 60 e 70 repercutem e disseminam essa vontade de construção expandindo o imaginário para além dos códigos de representação tradicionais. Essas vertentes, divisadas pelos contrastes entre as feições rurais e urbanas da nação, se inter-relacionam nas artes plásticas, na arquitetura, na literatura, no teatro, no cinema, na música e no design, entre outras áreas. Tais fronteiras de criação visavam investigar sua própria atualidade, ou seja, o tempo em que se inseriam e a capacidade de exercer leituras do Brasil e do mundo.
Nessa ocasião, o país atravessa um longo tempo ditatorial e grande parte da arte desse período é produzida como uma forma de resistência ao arbítrio e à violação dos direitos e das liberdades individuais. Ao desafio da busca de linguagens próprias somam-se  atitudes radicais de militância política associada às ações estético-artísticas
Após a redemocratização do país, novos desafios se apresentaram. 

A globalização em curso é um dos desafios que hoje se impõem não só à organização econômico social das nações, mas, também, à arte, ao pensamento e a cultura dos nossos dias. No campo artístico-cultural, essa circunstância produziu um enorme impacto independentemente das condições sócio- econômicas e culturais dos países que se esforçam para acompanhar as velozes demandas globais. Na produção artística da atualidade as mudanças foram tão grandes que muitas pessoas alegam dificuldades  para definir fronteiras que possam distinguir a origem e a  identidade  da  arte produzida na Europa daquela feita na China, na Índia ou nas Américas.
Apesar das diferenças - e, sobretudo por causa delas -, as Américas marcaram posições muito específicas na constituição da cultura de um novo mundo, e por que não dizer de um novo tempo?
Há muitas décadas, os brasileiros têm se inspirado no intenso poder de contágio social oriundo de manifestações culturais fundadas, a um só tempo, na razão e nas derivações da busca de felicidade, rumo a um futuro sem dúvida incompleto, porém renovado pela força de viver. Em seu conjunto, os eventos e as exposições apresentados ao publico belga no Festival Europalia. Brasil visa descortinar o empenho da alma e do pensamento brasileiros na consolidação de suas contribuições aos campos da arte e do conhecimento no âmbito de um horizonte hoje global.

domingo, junho 05, 2011

Princípios inflexíveis do relativismo cultural.


   Os 10 passos que conduzem a completa complacência


  1. A complexidade da cultura contemporânea é só  ilusão.
  2. Arte é vida e vida é arte. Tenha sempre em mente que desde a consagração desse aforismo pode-se afirmar que toda pessoa é um artista,assim como, todo acontecimento que se insere no campo da antropologia cultural é Arte.
  3. Principio,critério e mérito são artifícios seletivos. São refugos da elite decadente e do velho autoritarismo. Não se deixe seduzir pela beleza, não de importância à crítica,muito menos a razão e o rigor,ou melhor, esqueça o que é bom e o que é ruim, esses adjetivos  tinham sentido no passado,hoje,são apenas  preceitos  abolidos,não prestam pra nada. 
  4. Não se acanhe diante dos assuntos complexos nem da autoridade intelectual dos sábios.Cite, na forma de adoração ou desprezo - no fundo é a mesma coisa – as mais  complexas   reflexões de célebres pensadores do passado. Afinal, se voce não sabe a origem de tais pensamentos é bem possível que os demais interlocutores também não saibam.
  5. Discorra com ardor sobre suas experiências. Seja incisivo, estampe suas emoções, frustrações e contradições diante da vida que é, antes de tudo, Arte. Só isso importa
  6. Enalteça sua biografia, torne-a ARTE .
  7. Certifique-se  de que tudo que produz tenha muita visibilidade na mídia especializada  bem como nas publicações de moda,realeza,celebridades,culinária,decoração, mecenas ricos,mulheres famosas etc..Esteja atento,acompanhe com afinco  a escalada de preços dos últimos leilões da Christie's & Sotheby's, são lições fundamentais para o exito  de uma  estratégia no mercado global. 
  8. Pouco importa que não possuas um pensamento próprio sobre os temas mais complexos da atualidade. Manifeste-se,mesmo assim! Exponha sua confusão, mesmo que seja apenas para marcar  posição de contestador de qualquer coisa que pareça importante. Tenha em mente que desde o advento do pós modernismo todo mundo é artista e,portanto,  um protagonista da historia.   
  9. Um militante diuturno do relativismo cultural tolera as diferenças que se enquadram nos códigos estéticos da atualidade, sobretudo, aqueles mais convenientes à sua estrategia.
  10. Na atualidade existem as celebridades e os anônimos. Entre eles o  tempo oscila, complacente e revolto.   

Sindrome do Mito


 O sucesso dos clichês libertários e da condescendência disfarçada de tolerância  acabou por silenciar a manifestação crítica. Vultos surgiram das sombras e no papel de opositores da razão se ajeitam como ardorosos defensores da "criatividade". O cenário é a cultura. Diante dele desfilam atores repetindo entediantes enredos  politicamente corretos. Nesse ambiente  brilham a arte e artistas que se enquadram na ação. Pouco importa o que produzam!O que os enaltece  são os indicadores financeiros e a  visibilidade midiática. Esse é o objetivo.A  falência da razão critica fez desaparecer qualquer desígnio de valor.
Adriano De Aquino

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Homens & Feras


Para aliviar as tensões e o cansaço do trabalho intenso  das ultimas duas semanas decidi que este fim de semana seria dedicado apenas ao prazer. Solo feminino - amor e desacerto, romance de Lívia Garcia-Roza, estava à minha espera. Epa! Isso é promessa garantida de momentos de prazer. Já na primeira página entrei no banheiro e na intimidade de Gilda. Fui, passo a passo e silenciosamente, espionando, qual um agente secreto, as dúvidas os temores, as angustias e sensações de liberdade que emanavam dos relatos de Gilda. Devagarzinho, fui penetrando na intimidade do desejo feminino que, para mim, é um ambiente tão misterioso e atraente quanto um ritual de magia ancestral. Num determinado ponto da historia, não sei por que razão, o nome Gilda acendeu a minha mente com o intenso brilho de um anuncio em neon. Esse nome é um emblema. Na infância e adolescência eu tive uma vizinha com esse nome. Era uma menina misteriosa. E o filme?Quem não se lembra do filme?Na juventude me excitava com a idéia e tremia só de pensar que poderia encontrar uma Gilda hollywoodiana, perversa e dominadora, escondida no interior das mulheres que um dia eu amaria. O perigo, quando belo e sedutor é extremamente excitante. Encantado por essa demanda seria previsível que, mais cedo ou mais tarde, a encontrasse na figura de mulheres belas, desafiadoras e indomáveis. Não deu outra! Na puberdade fui levado a imaginar que o maior desafio seria possuí-las. Santa ilusão! Só quando adulto percebi que o verdadeiro temor se escondia na possibilidade de uma Gilda se interessar demais por mim. Please, Gilda!Antes de seu strip tease preciso recobrar a razão!Pensei. Há mais de duas semanas, antecipando os afazeres que me cercam, vasculhei algumas caixas de livros guardados no sótão. Numa delas reencontrei  o magnífico álbum das touradas do Picasso. O coloquei no canto da estante para folhear quando tivesse um tempo disponível. Essa era a hora!Num salto o alcancei. A fantástica dança caligráfica de Picasso envolvendo touros e homens  encheram meus olhos de beleza. São desenhos fabulosos que descortinam os gestos elegantes da esbelta figura de um toureiro em contraponto aos contornos sólidos dos touros voadores. Essas feras, revestidas de músculos poderosos e arrobas de fúria e desatino, impressas em negro cintilante sobre o branco incólume do papel, se contorcem de dor diante dos meus olhos. A arte é o canto da cultura onde o mistério se processa por inteiro. É ali que se instala com perfeição o maior dom da humanidade. Quando nos entregamos aos devaneios  percorremos caminhos sinuosos de encontro ao inesperado. Com a mente divagando sobre Gilda's, Picasso, toureiros e touros, fui sendo gradativamente despertado para realidade na voz do locutor do UFC anunciando que, em cinco minutos, teria inicio a luta de Anderson Silva contra Vitor Belfort. Numa espécie de link ininterrupto ou escritura de um hipertexto, comecei a divagar sobre o combate tradicional entre homens e feras. Lembrei da primeira e única tourada que assisti. Meu deus, aquilo era um espetáculo de loucura e tristeza. Ainda que os antropólogos coloquem aspas em tudo que é tradição cultural e alguns artistas encontrem significado e beleza na tortura e na dor, aquele espetáculo me impressionou pelo enorme poder que emanava do martírio. Foi uma impressão tão inexplicável que na segunda corrida, para espanto dos vizinhos de arquibancada, eu torcia pelo touro. Recordo que sai da Plaza de Toros puto da vida. Joguei a culpa da minha ira nas apologias estéticas de Picasso e no romance Morte ao Anoitecer de Ernest Hemingway que tanto me impressionara. Não, Hemingway, a tourada não é a única arte em que o artista expõe a vida. A arte,quando grande,acontece nos extremos. O artista que a pratica expõe sempre a própria vida. Depois de alguns minutos, diante de uma taça de um delicioso xerez e abrandadas as impressões das mórbidas visões, caí em mim e lembrei que a escolha de ir e vir, independente dos meios que as estimulam, é responsabilidade exclusiva do individuo, no caso das touradas: eu! Ah!Gilda. Não se trata aqui de um suspiro para a Gilda hollywoodiana, ambiciosa matadora de homens que com um sorriso enigmático consegue ser mais elegante e perversa que um toureiro. Penso na Gilda do solo feminino, uma combatente que procura forças para sobreviver às estocadas das farpas compridas, curtas e de palmo, ao balançar doloroso das bandarilhas e aos efeitos cênicos da capa do matador que antecedem a estocada final da espada mortal. Os combates entre homens são em tudo diferentes. São fenômenos que se ajustam a lógica moderna de forma mais leal, digamos assim. Essa é uma das razões que me faz gostar de boxe e das lutas marciais e detestar as touradas e qualquer tipo de disputa cultural esportiva travada entre homens e bichos. Valorizo a disputa entre iguais, sem armas ou artifícios imorais. Las Vegas, 05 de fevereiro de 2011. O locutor do UFC 126 anuncia a entrada no octógono do desafiante. Vitor Belfort, um grande lutador carioca, senhor de excelente técnica, é o desafiante. No lado oposto do octógono encontra-se Anderson Silva, considerado o melhor lutador de MMA (artes marciais mistas) do mundo. Anderson é um lutador extraordinário. Campeão dos Meio Médios do Shooto, Campeão dos Meio Médios do Cage Rage e atual campeão do cinturão dos Médios do UFC.
Enquanto rolava as apresentações eu recordava o cartel dos grandes lutadores que tanto me impressionaram: Eder Jofre, Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard, Roberto Duran, Carlos Monzon, Marvin Hagler, Thomas Hearns, Alexis Arguello, Roy Jones Jr, Mike Tyson, Evander Holyfield, Oscar de la Hoya,Julio Cezar Chávez  e outros mais. Pouco antes do início da luta eu conjecturava, sem nenhuma conotação cívica, sobre a ascendência dos lutadores brasileiros nas arenas internacionais. Se a tourada pode ser considerada uma arte em que o artista expõe a vida, as artes marciais podem ser entendidas como a expressão do talento de vencer o medo que antecede a derrota e a morte. Anderson Silva venceu o desafio, confirmando ser o maior campeão do UFC. Volto agora para outra espécie de desafio capital. Retorno para o solo feminino-Amor e desacerto.