domingo, dezembro 02, 2007

Corsarios Vorazes & Insáciaveis


CPMF (uma contribuição social?)

Diagnostico de uma Doença

A CPMF foi atribuída a União pela EMENDA CONSTITUCIONAL 12/96
Tendo sido instituída pela lei 9311/96. Em 1993 a emenda constitucional 3/03 atribui competência para o IPMF, considerado inconstitucional pelo STF.
No que se refere a CPMF o prazo de validade era de 24 messes com alíquota constitucional máxima de 0,25%, tendo a referida lei utilizado o teto de 0.20%. A receita era destinada ao Fundo Nacional da Saúde.
Com a aprovação da Emenda 21/99 prorrogou-se a competência privativa da União para cobrança da referida contribuição social com alíquota estipulada em 0,38% para os 12 primeiros messes e 0,30% para os 24 messes restante. O aumento da alíquota era destinado ao custeio do sistema de previdência e assistência social.
Em 2000 surge uma nova emenda constitucional 31/00 que institui o fundo de combate e erradicação da pobreza para vigorar até 2010 que inclui uma parcela adicional de 0,08% sobre a CPMF aplicável de 18 de junho de 2000 até 17 de junho de 2002.
Em 2002 nova emenda, 37/02(que não observa o artigo 195 parágrafo 6 da Constituição Federal -principio da anterioridade nonagesimal (90 dias) e prorroga a competência da União para CPMF até 31/12 de 2004 bem como a vigência da própria lei nº9311/96. O STF acatou a continuidade da referida cobrança sem respeito à anterioridade de 90 dias sob o argumento de que não houve majoração. A alíquota fica mantida até 31/12 de 20003. Em 2004 seria cobrado só 0,08% destinado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. A Emenda Constitucional 42/03 prorrogou em 19/12/2003 a CPMF até 31/12/07 fixando alíquota de 0,38%.

Dados sobre a Transmissão Genética·

93 -Primeiros sinais da doença IPMF ·

96 -A doença se instala

07 -A ciência desconhece as conseqüências e o tempo de permanência dessa patologia).

Despesa Hospitalar

A POLITRIBUTAÇÃO DO CPMF





Nos cálculos

SOLUÇÕES PROATIVAS

Eng. Marco BRITO

Diretor e Educador
fax/fone: 55-81-33265887
celular: 55-81- 99615110
e-mail: terotecbrito@uol.com.br

Quanto o governo espera arrecadar com a CPMF de 0,38%?

Algo em torno de R$ 40 bilhões, certo? Vamos fazer uma regra de três?

Se R$ 40 bilhões correspondem a 0,38%, que valor corresponderia a 100%?

Assim ensinou a nossa professorinha:

R$ 40.000.000.000,00.............. 0,38%

x............................................... 100%

Multiplica-se em cruz e faz-se a divisão:

0,38x = R$ 40.000.000.000,00 x 100

x = 10.526.315.789.473,68

E você chegará à conclusão, leitor amigo, que os R$ 40 bilhões correspondem à aplicação da alíquota de 0,38% sobre, atenção!: R$10.526.315.789.473,68. Se você tiver dificuldade de ler, eu ajudo: dez trilhões, quinhentos e vinte e seis bilhões, trezentos e quinze milhões, setecentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e setenta e três reais e sessenta e oito centavos.

É isso aí. A CPMF incide sobre o correspondente a QUASE CINCO PIBs BRASILEIROS em um único ano. Eis aí. Trata-se de prova material escancarada, evidente, de que o imposto tributa muitas vezes um mesmo dinheiro e de que TODOS PAGAM, ministra Dilma. E muitas vezes.

quarta-feira, novembro 21, 2007

sábado, outubro 06, 2007

VISUALIDADE TÁTIL E A PARTILHA DA ARTE


de 27 de setembro a 16 novembro 2007




Pouco mais de duas décadas depois, Adriano de Aquino volta a expor em Vitória e a apresentar, em primeira mão, efeitos do acaso, tomados por ele como experimentação essencial à obra de arte. Em 1985, na meritória galeria Usina Arte Contemporânea, viram-se os primeiros trabalhos da série Negra, cuja evolução demarcou seu afastamento de um campo pictórico excessivamente regrado, submetido à previsibilidade da razão e desejoso de uma pureza por vezes desatenta ao caráter intempestivo da criação. Hoje, torna-se possível conhecer e experimentar suas Formas magnéticas transitórias, decorrentes dos descaminhos a que o artista tem sido levado desde o surgimento da série Divisões internas em 2001.

A mostra se resume, basicamente, a dois conjuntos de obras, ambos caracterizados pela ativação do que se pode chamar de visualidade tátil e que corresponde à percepção simultânea, na pintura, do contínuo e do descontínuo. Explico-me adiante, pois é preciso distinguir os suportes de que a pintura se vale para promover, de maneira objetiva, a atividade sensorial de quem entra em contato com ela. Trata-se, no primeiro conjunto, de placas quadradas de mdf em que cisões, deslocamentos ou superposições seduzem a forma original e não a deixam se recompor. No segundo conjunto, chapas de ferro se recriam pela inserção de mantas magnéticas, cujos deslocamentos possíveis traduzem as contribuições do público para os modos como a pintura se define e redefine ao longo do tempo.

A palavra alemã Takt, comum e corretamente traduzida por tato, carrega consigo diversos outros significados relacionados à música e, por extensão, à audição. Takt também é compasso musical. Taktstock, a batuta do regente e Taktmesser, metrônomo. Os adjetivos compassado e cadenciado podem ser traduzidos pelo vocábulo taktmässig, e o senso rítmico, cuja figuração se aproxima da idéia de delicadeza, por Taktgefühl. Há na palavra alemã, portanto, conotações de medida, andamento, cadência, sucessão e ritmo, este, contudo, compreendido no sentido de intervalos indicados por alternância, regularidade e acentuação, forte ou fraca, e não como duração e heterogeneidade ininterrupta, que me parecem o entendimento mais adequado às obras da série Divisões internas.

Ao recuar até as raízes das línguas européias, chegamos ao radical latino tag–, do qual se desdobram, ainda no latim, contato, contaminação, contigüidade e contingência; no francês arcaico, taster – atualmente, goûter –, que quer dizer saborear e apreciar, tanto um quanto outro sentidos bem próximos da palavra inglesa taste, cujos significados correntes são paladar, sabor e gosto; no italiano, encontra-se tastare, sentir, manipular, e no francês, tâtonner, tanto tatear quanto observar e experimentar, tatillon, minucioso, e tâtons, às apalpadelas ou às cegas. Depoimentos de diversos artistas ajudam a revelar a sinonímia existente entre tatear e ter olhos nas pontas dos dedos, bem como a modulação da expressão ter bom gosto em relação às sensações do paladar: precisam tocar a pintura para compreendê-la melhor, impulso muitas vezes revelado pelas crianças, e sentem e utilizam o gosto das cores.

Visualidade tátil, portanto, refere-se não só à indistinção ou mescla dos sentidos cotidianamente localizados por nós em um órgão ou conjunto de órgãos, como também à simultaneidade perceptiva a que se chega ao apreciar estas obras de Adriano de Aquino. A recorrente redução da pintura à visão, à hegemonia do que se vê, é apenas um caso particular das condições e dos limites da percepção sensorial. Deve-se favorecer, ou mesmo privilegiar, a continuidade que se vivencia entre diversas sensações corporais, conformando-se o ritmo de um espaço fisiológico, intimamente ligado à memória e à história tanto pessoal (aquele que constrói ritmicamente seu discurso sobre a arte) quanto coletiva (o que cada época histórica, a um só tempo, revela e oculta).

Nesta exposição, de todo modo, o decisivo é apreender que, nas Formas magnéticas transitórias, o movimento deixa de ser exclusivamente interno à pintura, pois pode ser alterado pelo público, ao deslocar as mantas sobre as chapas de ferro e, por vezes, ao prolongar ou ultrapassar a sua forma quadrada. O público é um dos fatores constitutivos da obra, mas sua participação deve reconhecer de onde provém a pintura do artista, pois nem toda ação desempenhada no espaço pictórico, sobretudo se fortuitas, será coerente com seus princípios construtivos. Mais do que uma aproximação irrefletida entre arte e vida, sobretudo quando essa proximidade tão-somente se opõe à reivindicação moderna de autonomia da criação artística, aborda-se aqui a indução de proposições estéticas do público sobre as obras expostas, em detrimento da crítica, no sentido de uma operação que procura prevalecer, instituir-se ou tornar-se hegemônica. A alegria a ser desejada, mas muitas vezes não alcançada, será sempre a de partilhar com o artista competências distintas e entender que o espaço comum inclui o invisível e jamais se completa.


Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos

setembro de 2007








O URINOL DE DUCHAMP E A ARTE CONTEMPORÂNEA





Almandrade
artista plástico, poeta e arquiteto


Em 1917, com o pseudônimo de R. Mutt, Marcel Duchamp enviou para o Salão da Associação de Artistas Independentes um urinol de louça, utilizado em sanitários masculinos, com um título sugestivo de “Fonte”. Não era o primeiro readymade (apropriação e deslocamento de objetos pré-fabricados para o meio de arte), em 1913, Duchamp já havia se utilizado de um banco de cozinha onde parafusou no assento uma roda de bicicleta. Mas foi o primeiro enviado para uma exposição.

Noventa anos depois, deste gesto irreverente que determinou praticamente o destino das artes plásticas até os dias de hoje, é um momento oportuno para interrogarmos que relação existe entre Duchamp e o que estamos presenciando com designação de arte contemporânea. Aclamado como influência libertadora por uns, blasfemado por outros, como influência facilitadora e catastrófica. Talvez seja muito citado e pouco entendido. Certamente, Duchamp e diversas manifestações realizadas em nome da arte, não se combinam.

Mas do que um provocador, Duchamp era um pensador discreto. No contexto da arte moderna a invenção do readymade, é um dos gestos mais significativos. O impressionismo foi a primeira revolução na arte ao romper com a linha que contornava a figura, o cubismo realizou o rompimento definitivo com o espaço renascentista, a decomposição da figura colocou em evidência o plano, como a verdade do espaço plástico moderno. O gesto de Duchamp foi mais além, uma ruptura com uma tradição que reconhecia na técnica e na habilidade do artista, a condição da obra de arte. O artista deixou de ser o sujeito que faz uma obra e passou a ser alguém que escolhe e decide o que é arte. O readymade é um objeto produzido industrialmente e proposto por um artista como objeto de arte. O artista não constrói o objeto, escolhe-o e assina.

Não mais dependendo da mão do artista, a arte passou a ser qualquer coisa determinada pelo poder exercido por um sujeito/artista, que age no interior de uma instituição específica capaz de legitimar seus atos. Renunciou ao saber das mãos para se constituir em uma atitude crítica, num mundo dominado pelas imagens produzidas pelos modernos meios de produção e reprodução. Fazer arte passou a ser uma forma de reflexão sobre a condição da arte na sociedade moderna, um dispositivo do pensamento e não do entretenimento como ocorre em manifestações artísticas, na situação da contemporaneidade.

O readymade pode ser uma espécie de paradigma da arte contemporânea, mas ao mesmo tempo é a negação do jogo de facilidades, da pressa e da repetição que contaminaram a arte, distanciando-a do pensamento. Duchamp tinha consciência do perigo de cair na facilidade, no vício e na rotina e se limitou a fazer poucos objetos de arte. Logo percebeu o risco de repetir esta forma de expressão indiscriminadamente e construiu uma obra pequena e cuidadosa.

Estamos atravessando uma época pobre em matéria de artes visuais, apesar do fluxo descontrolado que circula nos salões, bienais e nos centro culturais, celebrado por curadores e investidores. Vem acontecendo uma supervalorização de determinadas experiências artísticas para atender interesses externos à natureza da arte. O artista que sempre produziu contemplando as obras do passado, hoje, ele olha para o que ainda não aconteceu: o futuro e se preocupa, muitas vezes, com questões alheias a própria arte. A cada nova tecnologia, um palpite, uma previsão, mas a arte não é uma ilustração de performance tecnológica, política ou ideológica, ela é um sistema autônomo e integrado no corpo da sociedade.

O gesto de Duchamp queria dar uma resposta à crise das artes artesanais na sociedade industrial e indagar o funcionamento da instituição arte, embora, ele nunca abandonou de fato, o trabalho artesanal, vejam o grande vidro. Foi um ponto de vista crítico frente à arte e suas instituições. A arte é também um jogo de poderes que as operações técnicas não explicam.

De perto, readymade e o modelo mais difundido de arte contemporânea, não se misturam.

domingo, julho 29, 2007

Nunca nesse país...

As coisas mudam para permanecerem o que sempre foram.

Il Gatopardo

Giuseppe Tomasi di Lampedusa

As palavras de ordem tipo fora Lula proliferam nos textos exaltados contra o atual governo. Muitos não lembram que isso é um plágio da forma petista de fazer oposição. As vaias, manifestação informal de repudio, despertaram a “magoa” do presidente Lula, reconhecido como um político que despreza as regras formais de representação governamental. Os partidários do presidente dizem que ele fala com o coração. Porém, parece não aceitar que parte da população se expresse assim. Adeptos do governo, por oportunismo ou crença, e que militam na mídia, reafirmam essa contradição. Paulo Henrique Amorim (cujos ressentimentos o atormentam a ponto de postar no seu site do IG a gracinha adolescente intitulada "IVDL: Índice Vamos Derrubar o Lula”), e Mino Carta,(com seu monótono bordão:"sanha golpista da mídia nativa") que rosna como lobo escondido na matilha do pastor, dentre outros, aproveitam para cavar trincheiras lucrativas onde organizam a resistência contra um suposto golpe eminente.

Uma pena não usarem dos poderes premonitórios para evitar acidentes aéreos e mortes. É curioso, porém explicável. Talvez não gostem de aviões e aeroportos, nem do povo que os freqüenta.

Para quem pretende vivenciar experiências inéditas e participar do jogo democrático, tudo parece igual ao que sempre foi.

É desanimador.
Esses exemplos revelam apenas que a velha cultura política se perpetuou no país nos aprisionando nas fronteiras do atraso.

Três episódios recentes refletem os limites de nosso confinamento. Em ordem de importância hierárquica: primeiro o discurso do Presidente Lula na solenidade de posse do Ministro Nelson Jobim, segundo a pilhéria de Marta Suplicy frente à bagunça em que se transformaram os aeroportos e em terceiro os gestos espontâneos de Marco Aurélio Garcia no aconchego de seu gabinete no palácio do Planalto. Por não serem fatos isolados - falam da mesma crise - eles refletem um dos aspectos dessa cultura, impregnada de informalidade, que tem um significado mais profundo do que aparenta.
Alguns simpatizantes do governo vêem nesses episódios a marca de um estilo próprio de governar que identificam como autentico, pois desprovido do manto vetusto que encobria a hipocrisia dos ex-governantes e escondia a natureza perversa de seus desejos. Para eles a postura do atual presidente e de seus ministros reflete um estilo de gestão que pretende enterrar de vez os velhos e embolados discursos e métodos da elite. Desejam mostrar a todos que não escondem o que pensam e fazem. Se fosse apenas uma questão de estilo as pessoas sensíveis aos significados que cercam os cargos públicos seriam obrigadas a suportar só as piadinhas, os gestos e os discursos auto referentes e maçantes, até o fim desse governo. Sabemos, contudo, que não é apenas isso. Os que partilham dos códigos do poder vigente e dele se beneficiam sempre encontrarão motivos para rir. Entretanto, tenho certeza de que para aqueles que atravancados no direito de ir e vir nos aeroportos, nos hospitais, nas escolas, nos lares e ruas inseguras, uma certa austeridade seria menos afrontosa.

Temos ciência de que a forma não é tudo. Porém, em momentos de dor o riso é um escárnio diante da catástrofe e das mortes.

Esse amontoado de problemas revela, entre outras coisas, que o confronto político está ocorrendo fora do campo ideológico. Frustraram-se os que acreditavam que o estilo Lula de governar ampliaria a discussão sobre os destinos do país. O que se ampliou foi o sectarismo de grupos.

Os governos passados foram duramente criticados pelas autoridades atuais, por usarem de dispositivos condenáveis de pressão sobre o congresso nacional, seja através do cerceamento, da cooptação ou da abundancia de decretos lei que submetem a classe política aos desejos do executivo. A historia brasileira é marcada por esse tipo de atuação. Ficou claro que as criticas que o PT fazia a tradicional cultura política brasileira era só brincadeira. Muitos riem disso. Apesar das velhas regras que impregnam as relações do executivo com o parlamento não ter graça nenhuma. Os métodos que adotaram, ao contrario do que pregavam, são similares aos usados pelos políticos que antagonizavam. Nesse aspecto prevaleceu a tradição, não vejo motivos para o atual governo se orgulhar, muito menos rir.

A queda de Collor foi uma lição que Lula aprendeu e aplica nas negociações com os parlamentares e no agrado aos ditames do poder econômico.

O presidente pode não gostar de ler, ele não é o único caso que comprova a existencia de outras formas de aprender e ter sucesso na vida. O mercado é cheio de exemplos que confirmam isso. Muitos historiadores admitem que “aprender fazendo” foi um método vital para o êxito e o desdobramento da revolução industrial iniciada na metade do século XVIII na Inglaterra. Se gostasse de ler, o presidente teria melhores meios para desvendar problemas ocultos àqueles que acreditam demais em si próprios. Aspectos marcantes das personalidades altivas de homens notáveis, que oriundos da pobreza alcançaram fortuna e poder, são abundantes na literatura mundial onde encontramos ensinamentos fundamentais.Com isso ele teria outros modelos comparativos, além de Vargas, Juscelino, Collor e Fernando Henrique.A atual conjuntura política tornou compreensível que o presidente Lula se abstenha de comparar sua gestão com a do presidente Sarney.

Administrar interesses em prol do bem publico e intervir em conflitos sociais difundindo prosperidade e segurança são pré-requisitos dos chefes de estado. Poucos mandatários alçam a gloria administrando bem essas questões. Quando o fazem tornam-se estadistas. Lamentavelmente são raros. Eles emanam, para além de suas presenças, confiabilidade e respeito, sobretudo em momentos de crise e dor quando a nação, como um todo, não apenas alguns setores da sociedade, busca apoio e esperança.

O discurso informal que o presidente Lula fez na posse do ministro Nelson Jobim transmitido pelo radio, porém, dirigido ao fechado circulo palaciano, produziu um efeito devastador nas mentes enlutadas da nação. Somente os membros da corte palaciana, isolados do pesar nacional, acharam graça na autentica simplicidade presidencial, que segundo o próprio visava desafogar a dor.

Ao negar o contato próximo com os familiares e amigos das vitimas do acidente com o avião da Tam, que seria o recurso mais esperado de um político que adotou a informalidade como estilo de governo, o presidente alargou a distancia que o separa das idéias daqueles que o criaram a imagem de um líder com forte identidade popular.

Agora sabemos que além de temer cerimônias fúnebres e vaias, o presidente também teme aviões -os três fatos colocados na mesma ordem de importância. Ao mesmo tempo ficamos sabendo que não constará da agenda presidencial solenidades que possam colocar em dúvida a popularidade do presidente.

Esses acontecimentos comprovam que a informalidade pode ser tão hipócrita quanto à austeridade, quando oculta os verdadeiros temores, os interesses e as vinculações que levam e mantém um governante no poder.

Adriano de Aquino

agosto de 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

A Idade da Informação


Esse vídeo, criado por Scott McLeod e inspirado nas idéias do Prof: Karl Fisch (Director of Technology for Arapahoe High School in Centennial) é simples e direto sem, contudo,deixar de tocar em inquietantes questões da atualidade.

Alheia aos afetamentos teóricos a apresentação, em formato power point,(modelo em voga na Internet) é clara e nos revela como se processam os deslocamentos e acontecimentos nas sociedades contemporâneas, a crise dos sistemas políticos e de valor, a maquina versus homem, a angustia em relação ao trabalho, ao tempo e a complexidade dos problemas que hoje se colocam diante de nós.Esse video apareceu recentemente no YouTube e transformou-se num tópico muito popular,enchendo as colunas da seção de comentários.

Apenas um destaque: no item em que o Prof Fisch cita o projeto do laptop de US$100 e suas potencialidades para os países em desenvolvimento é ruim lembrar que no Brasil esse equipamento custará: US$350.

Por que?

Algum burocrata de plantão deve ter uma complexa teoria economica para explicar o fato.

tradução abaixo.


Adriano de Aquino

julho de 2007


Você sabia?

Que às vezes o tamanho importa

Se você fosse 1 em 1 milhão de pessoas na China

Existiriam 1.300 pessoas como você

Na Índia, seriam apenas 1.100 como você.

25% da população chinesa tem QI muito elevado

Esse percentual é maior que a população total da América do Norte

Na Índia é superior: são 28%

Tradução para professores: Eles têm mais crianças dotadas

do que nós temos crianças

Você sabia?

Que a China transformar-se-á, em breve, no maior país falador de inglês no mundo.

Enquanto você

está vendo essa apresentação

nascem 60 bebês nos E.U, 244 na China e 351 na Índia.

O Departamento do Trabalho dos E.U. estima que o jovem trabalhador de hoje terá passado por 10 a 14 trabalhos até a idade de 38 anos

De acordo com esse departamento

1 em 4 trabalhadores hoje está trabalhando para uma companhia onde foram empregados a menos de 1 ano

1 ou 2 numa companhia onde trabalham a menos de 5 anos

Segundo o Secretario de Educação Richard Riley

os 10 trabalhos superiores que estarão na demanda em 2010 não existiam em 2004

nós estamos preparando atualmente estudantes para trabalhos que não existem ainda…

onde usarão tecnologias que não foram ainda inventadas

para resolverem problemas que nós não identificamos agora como problemas

Qual será?

o mais rico país no mundo

as maiores Forças Armadas

o centro mundial das finanças e negócios

o mais sólido sistema educacional

o centro de inovação e invenção

a moeda corrente padrão do mundo do valor

o mais elevado padrão de vida





Os E.U. ocupam a 20ª posição no mundo que usa banda larga e Internet . (Luxemburgo está na frente)

Só em 2002 a Nintendo investiu mais que US$140 milhões em pesquisa e desenvolvimento

O governo federal dos E.U. gastou menos da metade disso em pesquisa e inovação em educação

1 em 8 casais nos E.U. se conheceram, no ano passado, on-line.

existiam 106 milhões de usuários registrados no MySpace (até setembro 2006)

Se My Space fosse um país, seria 11ª população do mundo (entre Japão e México).

Na média, cada pagina do My Space é visitada 30 vezes num dia.

Você sabia?

que nós estamos vivendo uma época exponencial

onde 2.7 bilhão buscas são executadas pelo Google cada mês

a quem estas perguntas eram dirigidas antes do B.G? (antes do Google)

o número de mensagens de texto emitidas e recebidas diariamente excede a população do planeta

que existem aproximadamente 540.000 palavras na língua inglesa…

aproximadamente 5 vezes mais que no tempo de Shakespeare

que mais de 3.000 livros novos são publicados...

por dia.

estima-se que isso equivale a publicação do New York Times, por uma semana.

e contem mais informação do que uma pessoa obteria durante toda uma vida no século XVIII.

estima-se que 1.5 exabytes (1.5 x 10/18) de nova informação original serão gerados globalmente este ano.

isso representa mais informação do que as geradas nos 5.000 anos precedentes.

a quantidade de informação técnica nova está dobrando a cada 2 anos.

Para os estudantes que começam os 4 anos técnicos ou grau na faculdade, isto significa que…

a metade do que aprendem no primeiro ano de estudo será obsoleto no terceiro ano.

prediz-se que isso se dobre para 72 horas em 2010.

a terceira-geração de fibra ótica já vem sendo testada pela Nec e pela Alcatel...

ela empurrará 10 trilhões de bits por segundo em apenas um ramal de fibra...

permitindo a transmissão de 1.900 CD’s, ou 150 milhões de chamadas telefônicas simultâneas a cada segundo...

triplicando a cada 6 meses nos 20 anos seguintes.

A fibra ótica já está OK.Ajustes e melhorias são apenas nos interruptores e nas extremidades, isso significa que a margem de custo destas melhorias é próxima de $0 (zero).

as previsões são que o e-papel será mais barato do que o papel real.

47 milhões de laptops passaram a funcionar globalmente no ano passado.

o projeto do laptop US$100 está esperando vender de 50 a 100 milhões de laptops ano às crianças dos países em desenvolvimento.

as predições são que em 2013 será construído um supercomputador que excederá a potencialidade de computação do cérebro humano.

em 2023, quando (os nascidos nesse século) terão apenas 23 anos e começando suas carreiras...

usarão um computador de US$1.000- que excederá as potencialidades do cérebro do humano.

então, as predições técnicas mais distantes, para além de 15 anos serão difíceis de fazer...

como predições para 2049, onde um computador US$1.000, excederá as potencialidades computacionais da raça humana...

E assim,como todo o meio,

se deslocará para acontecer.

Agora você sabe.


segunda-feira, julho 09, 2007

Aquecimento Global-Real?Farsa?



Recentemente o Canal 4 britânico produziu um documentário intitulado A Grande Fraude do Aquecimento Global(com legendas em portugues). Em 15 de junho passado ele estava disponibilizado no You Tube.Segundo informações anexas à postagem,esse filme não foi exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA.Uma pesquisa na grade de programação das emissoras brasileiras,inclusive a cabo,também parecem desconhecer esse trabalho.
A edição do HiperBlog recebeu algumas criticas taxando os mega milionários espetáculos e outras ações inclusas no movimento Live Earth e o gigantesco sucesso das apresentações de Al Gore pelo mundo afora e seu concorrido video An Inconvenient Thuth,vencedor de um Oscar(também disponivel no You Tube) como uma tática de "terrorismo ecológico" que objetiva silenciar todos aqueles que questionam as teses de que a atividade humana é principal responsável pelo aquecimento global.
Como entender?Cada vez mais pessoas reconhecem que uma das virtudes da ciência é colocar em questão uma verdade que se pretende única.
Dificil saber onde se encontra a verdade,porém, ouvir todas as partes é vital para um maior entendimento do mundo.
Adeptos de teses antagonicas as apresentadas nesse documentário afirmam que o Sol e outras atividades extra-terrestres não são os vilões da elevação da temperatura da Terra.Eles acreditam que os novos dados disponibilizados no último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas enterrarão de vez os argumentos expostos nesse filme.
O documentário é dividido em 9 posts.
Quem quizer assistir todos clicar>
http://www.youtube.com/watch?v=1JCVjg7H94s
Adriano de Aquino
julho de 2007

quarta-feira, julho 04, 2007

Brasil-Tempos Pós Modernos 1

Realizado em 2005, o vídeo Tempos Pós Modernos(subdividido em 4 postagens) surgiu a partir do convite da direção do projeto Conexão Contemporânea da Rede Nacional de Artes Visuais da Funarte. Esse projeto visa a difusão das artes visuais em todo território nacional através de cursos, oficinas de arte e palestras ministradas por artistas, críticos e professores.

Minha proposta foi realizar um vídeo em que as pessoas de diferentes setores da sociedade manifestassem seu entendimento sobre a crise da modernidade/pós-modernidade. Qual o significado desse litígio, comum ao ambiente artístico, nas suas vidas e na comunidade? É possível conviver com as incessantes transformações e preservar as tradições, os contornos da paisagem e do ambiente urbano? Como adequar as sociedades atadas a sistemas de poder arcaico e extrativista com as exigências por dinâmicas sociais mais flexíveis, novas tecnologias e as diversas demandas da globalização?

Colaboraram nesse projeto Andre Sampaio documentarista e Deborah Engel fotografa

Adriano de Aquino

quarta-feira, junho 27, 2007

Angelo de Aquino 1945/2007


Angelo,meu irmão.

Sempre tive um profundo respeito pelo seu temor da morte. Entendia como manifestação intensa de seu amor pela vida e um jogo esperto em relação ao imponderável. Alheio a uma postura humilde, fez do temor uma virtude que o fortaleceu para o confronto derradeiro. Nesses dias dificieis eu imaginava o que tramava nos momentos de solidão, ameaçado pela doença que insistia em debilita-lo e a qual não concedeu nenhuma grama de comiseração. Jamais manifestou para mim algum sinal de impotência ou desespero. Foi assim até o ultimo sopro de vida. Guerreiro, se fortalecia junto aos amigos, para logo depois mergulhar nos recantos mais profundos de si próprio, isolado e protegido no mundo sólido e reconfortante que construiu ao longo de sua existência. Creio que nesses momentos programava, lenta e arduamente, seu encontro com a morte. Assim como criou um mundo original com suas pinturas e inventou um método complexo e particular de apostas, se preparou para o jogo final de sua vida. Sem abrir mão dos desejos, calculou cada passo, estreitou o convívio com Eduarda e as pessoas que amava, desprezou as coisas insignificantes, lançou ao mar a carga secundaria e se posicionou, nu e integro, para cumprir mais um desafio.
Morreu como viveu, com toda intensidade.

Adriano




De Lord para Angelo

Rex e Lord en promenade,1984

Estou acuado, eriçado, quiçá constrangido, mas este meu latido será apenas o tempo necessário para que, acomodado sobre minhas patas traseiras, recupere o fôlego, amanse a dor e prepare um novo salto nesta vida que você, diversas vezes, mostrou-me como aceitar. Filhos do encontro de desejos imperfeitos, temos de aprender que nossas quimeras têm pouco serventia nos momentos decisivos da existência. É preciso inventar uma maneira própria de estar no mundo, e isso só ocorre quando aceitamos nossa incompletude. Não cansei de tomar essa lição em seus brados matutinos ao telefone, em seus projetos etílico-gastronômicos, em suas diligências pelo hipódromo da Gávea e pelas ruas do Leblon. Na verdade, muitas vezes torci silenciosamente para que não lhe coubesse o compromisso alheio de um amigo, a falta de uma iguaria ou o palpite infeliz.

Você bem sabe que nasci pintado, um tanto alvo, porém alegre, espirituoso, inteligente, brigão, afetuoso – a meu modo, é verdade – e teimosamente sedento do que há de melhor por aqui. Há traços que a paternidade não desmente, embora tenha conquistado relativa autonomia e, hoje, mesmo sob a guarda de um grande amigo seu, passeie por aí impresso em livros e catálogos, sem me perder a cada vez que sou descoberto por um novo apreciador de sua arte.

Nas últimas semanas, procurei me manter por perto, enquanto a morte de seu corpo se aproximava em adágio. Foram, decerto, momentos difíceis, pois testemunhar a dignidade com que você se agarrou à vida, os modos que encontrou para não se entregar, não são coisas fáceis de encarar. Ver a morte de perto pode ser muito angustiante, mas assumir e querer para si o sem sentido do que se vive talvez seja algo ainda mais perturbador. Por isso, tomo a liberdade de contar dois pequenos fatos ocorridos durante esses dias.

O primeiro me foi relatado por um de seus amigos mais novos, que, na fria manhã do domingo retrasado, teve o prazer de lhe mostrar uma foto do episódio que pode ser assim descrito: alegre ao notar, próximo ao sofá da sala, a segunda edição do livro Vida Rex, o filho desse seu amigo, nascido há pouco mais de um ano, tem insistido em vê-lo, página por página, bem como pedido a sua mãe, com o indicador ora da mão direita, ora da mão esquerda à frente, a descrição de cada uma das reproduções que redescobre, como se o encanto delas emanado recriasse, nesses instantes fugidios, as cores de seu próprio mundo.

Pois é, caro pintor, essa banal historieta cotidiana me faz lembrar não fatos do que se passou na sua vida, mas sim restos que, eventualmente acrescidos à memória, deixam à luz, pelos olhos desse menino, a certeza do futuro, a quietude sobre a qual perseveramos em nossos caminhos e a serenidade do que não nos é possível remediar. Restos que atestam a força de sua arte, redesenham a contingência de nossos encontros e permitem a outros o tempo, sempre inacabado, de aceitar a feição transitória da vida.

O segundo soube por seu irmão, pois você mesmo lhe contou. Acidentado alguns dias antes, o primeiro a levar o Rex para casa, em 1984, estivera no hospital em uma cadeira de rodas para lhe ver. Dono de olhos agudos, talvez tenha notado na ocasião que a vivacidade do vira-cores que você inventou se ligava a muitas das obras que já adquirira de você, sobretudo a origem, em algum lugar do espaço, das paisagens imaginárias em que o mano viria ao mundo. Era um retrato do artista quando jovem cão, mas hoje certamente é muito mais do que imagem, exemplo ou modelo de sua pintura.

Companheiro nem sempre fiel das coisas amigas, destas cuja beleza várias vezes se revela por mãos tortas, em meio a angústias, desatinos e desvarios, esse meu irmão Rex se tornou um anjo não da guarda, ou mesmo da vigília, mas do entusiasmo, do júbilo, da celebração. Da palavra empenhada, da boa mesa, da cama farta e da alegria bissexta do cotidiano, que tivemos, eu e muitos outros, a sorte de partilhar com você.

Angelo querido, você partiu – a todos nós cabe, de uma maneira ou de outra, a hora de partir –, mas estou confiante de que sua obra continuará a alegrar infâncias pela vida afora, tanto as que vivemos quando pequenos quanto aquelas que seguem conosco ao longo da adolescência, da maturidade e da velhice. Aos que morrem muitas vezes se diz: “Descanse em paz”. Sua paz, contudo, era peace bull. Inquieta, desgarrada, bravia, mas sempre harmonia de um único dever a ser cumprido, o de não deixar extinguir o que em nós se inflama e nos dá alegria de viver. Sua memória, portanto, será sempre a que conseguirmos lhe prestar em cada um dos dias que nos restam. Em um simples olhar, no sorriso de uma criança, no afago de um cão, no trote voluntarioso de um cavalo, tanto nas brumas e no aconchego quanto nos rompantes e clarões; no gozo, enfim, de todos esses pequenos gestos e motivos desfiados do que de você, ainda e sempre, permanecerá conosco.

Lord, seu outro cão

tradução para o português de:

Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos




terça-feira, junho 26, 2007

Fui à feira. Retorno às 14H20.




Adriano de Aquino

junho de 2007

Com que obra eu vou?

Nas paginas de Veja:

Como entrar nesse universo Os artistas e estilos em alta na cidade, as melhores galerias e o que comprar a partir de 100 reais

Como comprar: Entenda as técnicas

Esses destinos locados na grande imprensa estão também disponibilizados nas paginas de busca da internet. Tornou-se vitrine que reflete o progresso do mercado de arte nacional. Para quem quiser saber mais, basta acessar algum site de pesquisa e abrir a enorme lista das feiras de arte que acontecem nos Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Suíça etc. No fundo elas não diferem muito, são apenas mais ricas e luxuosas nos grandes centros financeiros que nos países mais pobres.
O curioso é que esses eventos, remanescentes das feiras dos vários setores industriais e comerciais, uma espécie de zona franca de arte, está imunizada da analise critica. Nesse lugar só se fala em dinheiro. Entendo que não exista nenhum pudor em se falar de dinheiro, todavia, não entendo porque criticar as práticas do mercado tornou-se um anátema.
A perspectiva de que tais eventos resultem em mais dinheiro para os artistas é positiva. Porém, a hipótese de que o enriquecimento é uma virtude blindada à pressões contrárias, é pura ilusão.
Por que os críticos de arte que trabalham na grande imprensa brasileira nada comentam?
Alguns importantes críticos estrangeiros alertam para as manipulações negocistas e suas conseqüências na produção artística. Não se omitem diante da prosperidade sem precedente do mercado de arte. Contudo, para a grande imprensa brasileira, isso parece apenas um fato positivo. Adotaram uma espécie de seleção natural, circunscrita a seus interesses específicos e sobre o que entendem como arte contemporânea relevante. O que não se ajusta a esse perfil é descartado. Certamente por isso, desprezam qualquer manifestação artística que ocorra fora dos padrões estéticos dominantes. Priorizam os informes sobre transações mercantis que atingem preços vultosos.
Como no Brasil o mercado de arte não encontra oposição é necessário recorrer a eventos externos para melhor exemplificar minhas colocações.
Jerry Saltz, crítico nova-iorquino muito atuante, tem escrito ensaios sobre os vários artifícios mercantis hoje em evidencia.
Num desses comentários cita Takashi Murakami, o hit nipônico da atualidade, considerado pelos fãs o Warhol japonês. Seus dois maiores feitos são : o plagio do famoso aforismo de Warhol “a arte do negócio é o negócio de arte” que ele adulterou para uma formula idiota: “arte do negócio é a etapa que vem após a arte” e outro ter sua cotação de preço-a partir de US$ 400.000,00-como foco principal das matérias jornalisticas sobre sua obra. Seu haicai é uma obviedade ululante e um esplendor na forma e no conceito, de seu desprezo pela reflexão critica.
Recentemente, Donald Kuspit (historiador/critico de arte) escreveu: “os críticos de arte são perdedores intelectuais, a profissão declinou desde os dias de Greenberg e de Ruskin”.
Sei que é difícil para muitas pessoas admitir essa sentença. Contudo, ela é real.
A omissão da crítica em analisar o impacto causado pelas feiras na produção artística nos mostra uma visão condescendente com a pouca importância conferida à arte. De omissão em omissão chega-se a uma cruel constatação: Dane-se a arte! O que importa é o resultado, ou seja, a visibilidade e o desempenho econômico do setor. Queiram ou não, existe um paralelo com a tradicional política de extração dos recursos naturais em nosso país - as suculentas commodities- que, por um lado, retornam em divisas e satisfazem os administradores públicos. Pra que esforço e investimentos sociais verdadeiramente inclusivos? A entrada de grana oriunda da exportação de insumos minerais tem dado para pagar as despesas. Está bom assim! Geram divisas. Porém, as garantias de permanência constante do modelo são muito frágeis. Além disso, retarda a competitividade industrial e a velocidade de expansão dos setores de ponta. Ora!Dane-se, só se importa com isso aqueles que pretendem se opor e complicar as coisas. Alguns críticos pensam da mesma forma. Parecem satisfeitos em comentar apenas os ralos detalhes estéticos,amenidades e prestigio internacional das obras e artistas, desprezando os fatos que rolam na periferia. Isso explica, em parte, a suspeição do público e de muitos artistas sobre o desempenho da critica, das curadorias e do próprio sistema de arte.
Os jornais inventam polêmicas artificiais pelo simples fato de uma obra de arte atingir preços astronômicos ou uma instituição cultural deitar e rolar em verbas públicas. Tudo mais, intrínseco ao campo da arte, é irrelevante.
Todavia, as recentes transformações colocam diante de nós varias questões inquietantes que nos solicitam uma avaliação mais profunda sobre o valor das coisas que nos cercam. Não basta dizer que uma determinada obra de arte tem sustentação simplesmente porque é um sucesso financeiro ou porque o artista tem obras numa coleção internacional ou preço cotado na Sotheby’s.
Essas características falam da mesma coisa: visibilidade é mais importante que a obra. Estamos fartos de saber que êxitos mercantis ou recepção internacional são coisas formidáveis que falam de uma circunstancia especial elogiável, porém, nada acrescenta a obra em si.
Ler uma critica de arte tornou-se um esforço inútil que resulta em tédio.
Esse quadro piora ainda mais quando comparamos os textos de arte com as demais seções do jornal. Uma das coisas mais visíveis na mídia brasileira foi sua rápida adaptação aos desafios impostos pela internet. As empresas que não conseguiram acompanhar as mudanças sucumbiram. As que ainda funcionam são obrigadas a se reformular quase todo dia. A nova dinâmica reconfigurou para pior a seção cultural dos jornais. Os cadernos de cultura destinam noventa e nove por cento de seu espaço para divertimento e espetáculo, um por cento para arte e cultura em geral.
Entendo o stress dos editores, a comunicação também se tornou uma commodities. Nesse novo formato o leitor interessado em cultura é o grande perdedor. A gestão empresarial redimensionou, para menos, os espaços jornalísticos destinados às idéias. Lamentável! Hoje, poucos setores da produção cultural podem se orgulhar de manter um espaço especifico de reflexão como a literatura, por exemplo. Muitos acreditam que isso ocorre por força da indústria editorial. Pouco importa. O fato de ainda permanecer assim é importante.
Enquanto isso a critica de arte discursa sobre um mundo tranqüilo e imperturbável, um recanto bucólico cercado por uma atmosfera rica e glamorosa. Confirmam o mais estimado paradigma do pragmatismo econômico – vivemos no melhor dos mundos. Seus comentários elevam suas escolhas estéticas ao nível mais alto do espírito criador nacional. Para eles nada altera ou perturba esse ambiente intimo e aconchegante onde a arte existe pela arte. As manipulações, dificuldades, conflitos, reclamações, embates estéticos e contradições ficam do lado de fora. A crítica de arte brasileira tem as mãos limpas, não se imiscui em assuntos mundanos.
Nada além daquilo que publicam merece ser criticado.
No seu conjunto, os eventos artísticos são apresentados como espetáculos onde os indicadores como preço, freqüência, projeção internacional, características pessoais e alguns apelos de marketing se destacam como os pontos mais notáveis de uma exposição, da obra ou da personalidade do autor.
Nesse território impõem-se as regras do mercado, divertimento, imediatismo e negócios.
Ainda que sobre eles não mencionem uma só palavra

domingo, junho 17, 2007

Arte&Tecnologia-Photosynth

A Microsoft Labs Live lançou recentemente um sofisticado software para ver imagens em um computador.Essa nova ferramenta tornará possível examinar uma grande coleção de fotos de um lugar ou de um objeto, analisa-las pelas similaridades e então exibi-las em um espaço tridimensional, mostrando como cada uma delas se relaciona com a seguinte. Acessar gigabytes de fotos em segundos, ver uma cena em quase todo o ângulo, encontrar fotos similares com um único clique e tornar o menor detalhe tão grande quanto seu monitor são alguns dos recursos disponibilizados por esse programa.
Veja o vídeo demo.

quinta-feira, junho 14, 2007

A Sagração da Orgia

O mercado de arte está embriagado pelo dinheiro.

New York Times

12.06.2007

Essa frase dita por artistas e amantes das artes é na maioria das vezes entendida como comentário parcial, desprovido de significado mais profundo. Muitas pessoas acham que a critica ao sucesso revela um moralismo demodê, inveja e desdém pela fama e a fortuna dos artistas vencedores no multimilionário jogo do mercado de arte contemporâneo. Será apenas isso?Quando o New York Times estampa essa frase na sua primeira pagina o foco das atenções sobre a euforia que contagia indivíduos e grupos que se beneficiam, direta ou indiretamente, com a inundação de dinheiro na arte revela o que está por traz do estonteante glamour do “novo mundo” é um filme velho e desbotado. Esse fato, por mais irrelevante que pareça para a massa de leitores de um grande jornal, nos leva a refletir sobre as razões que levaram NYT criticar a atuação de um setor onde proliferam celebridades e extravagantes sinais de riqueza.A resistência de muitos artistas e pensadores contra as manipulações do marketing artístico é geralmente circunscrito aos seus próprios domínios. Kuspit no texto Valores da Arte ou Valores do Dinheiro (extrato ja publicado no HiperBlog) relata e analisa os mecanismos do mercado de arte na atualidade e os efeitos do porre que atordoa os indivíduos que circulam nos ambientes glamorosos das sociedades mais ricas do planeta. A supremacia do dinheiro sobre a arte tornou-se um fato indiscutível.Esse fato revela o tamanho do desprezo pelo valor intrínseco da arte em beneficio de seu preço de mercado. Ainda, segundo ele, os argumentos que questionam essa perversão caem em orelhas surdas, e, geralmente, a voz argumentadora é silenciada pela marginalização. Kuspit enfatiza que o preço pago por um trabalho de arte se transformou em valor absoluto de forma autoritária, ainda que o valor que o preço implica não esteja particularmente em questão,pois, ele nos é apresentado sem qualquer explanação – o preço é a explanação.Na ultima edição da revista virtual Artnet Jerry Saltz, crítico sênior da New York ataca o mesmo ponto que Kuspit quando analisa a exposição do artista japonês Takashi Murakami que esta acontecendo agora na Galeria Gagosian em Nova York. Nas palavras de Saltz: É maravilhoso que mais artistas estejam fazendo mais dinheiro com seu trabalho. Sem o mercado, o mundo da arte seria um lugar bonito, porém, triste e aborrecido.Num mundo onde dinheiro e merchandising representam sucesso e onde conselheiros, consultores e marchands vendem arte pelo telefone e JPEGs a colecionadores que imaginam incorporar a história da arte gastando exorbitâncias e onde Tobias Meyer, o cabeça da seção de arte contemporânea da Sothebys, diz que os preços "loucos" revelam “ um mundo novo”.De sua declaração podemos concluír que nesse "mundo novo" é o velho dinheiro que se sobrepôe a tudo.Para Saltz um exemplo dos efeitos nocivos do marketing artístico pode ser observado no culto dos admiradores de Murakami ,citado por muitos como “o Warhol japonês”. Usurparam o famoso aforismo de Warhol “a arte do negócio e o negocio de arte” e o deformaram com objetivos explícitos na frase idiota de Murakami: “a arte do negócio é a etapa que vem após a arte”. Murakami é dono de sua própria fábrica,mais uma réplica mediocre da Factory de Wharol(esse artista virou fonte inspiradora de replicantes mediocres),onde assistentes fazem suas pinturas, seu "Kaikai Kiki", que sua companhia representa mundo afora. A ânsia de Murakami em se apresentar como um out market faz com que artistas como Damien Hirst e Jeff Koons pareçam tímidos. Murakami caiu em sua própria armadilha, diz Saltz. Sabemos que não basta repaginar uma máxima de Warhol. O que está em jogo não é apenas o mercado e sim o pensamento e atitudes do artista em relação a um mundo entorpecido pelo culto ao dinheiro. Ao contrario do que supõe Murakami, não é ele quem dá as cartas ao mercado; é o mercado quem manda no jogo, assim como as operações de preço de muitos outros artistas.Lamento que essas reflexões circulem timidamente entre os artistas e que a chamada critica de arte brasileira se mantenha em aristocrática postura, por considerar essas manipulações atitudes periféricas às grandes questões da arte contemporânea.Hoje, essa questão é central. Em casos notáveis é o mercado que diz o que o artista deve produzir para aquela estação. Agrada-me pensar que a perseverança de alguns artistas e a consistência intelectual de pensadores autônomos, contribuem para a retirada paulatina do entulho consumista que obstrue a inteligência, a reflexão e a partilha de obras de arte sensíveis e autônomas.São muitas as matérias jornalísticas sobre a miséria e suas conseqüências. A novidade na matéria do NYT é admitir que a abundancia de dinheiro pode embriagar,embrutecer e emburrecer o mundo da arte.

Os bêbados são repetitivos e chatos!

Adriano De Aquino

junho de 2006

terça-feira, maio 22, 2007

Variações sob a cor*



Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos
abril de 2007

Em uma primeira aproximação, estas pinturas de Adriano de Aquino podem ser entendidas como variações de um mesmo problema pictórico a que seu trabalho chegou nos últimos anos: a persistência da cor como enigma. Essa apreciação, contudo, corresponderia a uma transposição de um conceito musical para o campo da pintura. É preciso, ao menos, alguma distância para refletir por que meios a simultaneidade cromática sob a qual ocorrem tais variações consegue gerar em nós certa escansão temporal, ou melhor, um fluxo rítmico irreversível que nos permite absorver os modos pelos quais somos renovados e ultrapassados por essas pinturas furta-cores, esses catassóis descendentes de quadrados e avizinhados a um certo tipo de mistério sobre o qual se deve ter prudência ao falar, mesmo que sua companhia se mantenha ao nosso lado por quase toda a vida.
Trata-se aqui de um espaço de pintura – quiçá interior (somos nós sempre outros?) – que ainda não é e, por isso, não se vê, não quer ser logo visto, bem como pretende manter seus contornos permanentemente indefinidos, pois só pode existir como futuro partilhado e desde que se faça
presente. Esse espaço projetado, portanto, não é receptáculo de impressões, associações ou opiniões que o espectador, supostamente, faria recair sobre a pintura, como se esta pudesse se apartar de sua materialidade ou ser compreendida segundo um contexto no qual finalmente se daria a ver. Não é tampouco algo em que se pode ver sem ser visto e cuja manutenção invariavelmente tende a apagar os efeitos da luz sobre as coisas do mundo.

A esse espaço só se chega por meio da própria experiência, na qual cada obra ou conjunto de obras é uma situação inédita e as ações válidas são exclusivamente aquelas de quem chega a ver. Abeirar-se, demover-se, arredar-se, girar sobre si próprio e esquecer-se são exemplos de alterações que acompanham ou perturbam os movimentos oculares e sua sina em buscar compreender o que resulta da visão. São, em outros termos, uma sorte de responsório silenciado, em torno do qual se expressa o que nos divide como sujeitos e é condição singular para aceder ao que a pintura deixa ver de invisível.

Nesse microcosmo, a um só tempo fisiológico, pictórico e musical, os valores incondicionais se dispersam e se esmaecem, reencontrando-se tão-somente além de quimeras embaladas pela promessa (demasiado humana) de eternidade, sem a qual o desejo de ver outra vez, de outro modo, com outros olhos, encontra sua nascente. A cor, então, ainda que múltipla, é passagem temática para o que nestas pinturas, mas também em nós, permanece inalteradamente outro: a heterogeneidade e a duração melódicas de um suporte ou corpo enxertado de tintas ou palavras, dos quais quase sempre provém o testemunho rítmico de que se varia de uma coisa só.

*texto para exposição da Série Divisões Internas

fotos: Jaime Acioli

Galeria Valu Oria

São Paulo

10 /31 de maio de 2007