sexta-feira, setembro 15, 2017

Rir! Um estimulo para pensar






Ontem,o Teatro Sanders/Harvard,apresentou mais uma edição do prêmio IgNobel.
Esse prêmio é o único que considero ajustado às transformações da atualidade. Ele é conferido a pessoas cujas façanhas científicas "primeiro fazem rir, e depois fazem pensar".
As velhas austeras premiações, as solenidades das Academias de Arte e demais segmentos da indústria cultural são comemorações espetaculares, mas, circunscritas aos velhos parâmetros de consagração.
Sim! São bacanas e milionárias, porém, falta-lhes um olhar crítico e desafiador frente ao futuro, capaz de reverter o pessimismo global diante das ameaças que se acumulam.
O físico francês Marc-Antoine Fardin recebeu o IgNobel da sua especialidade graças a um estudo que investiga se os gatos podem ser considerados matéria líquida.
Outro francês, Jean-Pierre Royet, da Universidade de Lyon, usou imagens de ressonância magnética para estudar a atividade cerebral das pessoas que tem repulsa a queijo. Sua pesquisa concluiu que quando essas pessoas cheiram queijo cheddar e gruyère um centro de recompensa associado à alimentação desliga-se e outras regiões do cérebro são ativadas.
A equipe de pesquisadores liderada por Kazunori Yoshizawa, da Universidade de Hokkaido, Japão, descobriu que insetos que habitam grutas no Brasil têm “um pênis feminino e uma vagina masculina”. Por essa façanha ganhou o prêmio de biología.

domingo, setembro 10, 2017

O Sagrado,a Razão e o Terror



“O laicismo em vigor na França erradicou a parte sagrada do Homem.”
Eduard Valdman

Rousseau, (autodidata suíço) genial filósofo, teórico político, escritor, compositor, considerado um dos principais filósofos do Iluminismo e precursor do romantismo, é tido como o ‘vovô das esquerdas’. Sua teoria ‘Da Vontade Geral’ enfatiza que o indivíduo pode fazer o que desejar. Porém, quando se afasta do ‘Estado da Natureza’ e embarca na sociedade civil,o Homem, por necessidade e obrigação, deve curvar-se à vontade geral, o que significa dizer que ele terá que obedecer à vontade popular ou da maioria. Na sua obra ‘Do Contrato Social, ’ Rousseau propõe que todos os homens se unam em torno de um novo contrato social capaz de garantir a defesa da liberdade. Sua teoria se baseia em registros históricos -interpretados pôr ele -sobre as experiências das antigas civilizações onde predominava o consenso. Há muito que se refletir e questionar sobre que espécie de ‘consenso’ o pensador se referia. Marx, um dos seus filhos mais famosos, reinterpreta esse ‘consenso’ na forma moderna da ditadura do proletariado.
Contudo, tempos atrás, lendo textos de vários estudiosos sobre o legado do profícuo pensador do Iluminismo o ‘consenso’ mais se assemelhava a uma copiosa dissenção.
Tirante os acadêmicos, que amam dissecar resquícios da natureza morta, os tataranetos, pendurados nos galhos da esquerda da arvore ‘Rousseau’ creem que ela ainda dá frutos. Em contrapartida, os aboletados nos galhos da direita consideram que a arvore Rousseau produz seiva venenosa que corrói os valores da sociedade. Por motivos muito longos para expor aqui, deixei um pouco de lado a leitura de artigos sobre o pensador.
Semana passada, mais precisamente na quinta feira 7 de setembro, recebi a visita do casal Betty Herbour e Eduard Valdman, amigos da toda vida, em visita ao Rio de Janeiro. Eles passaram no meu ateliê. Antes, durante e depois do almoço o tema central do nosso encontro abrangeu as ideias de Rousseau e seus desdobramentos na atualidade. Valdman, poeta e pensador francês ficou poucos dias na cidade. Teve que retornar logo à Paris a fim de checar a finalização do seu último livro que sairá da editora na próxima segunda feira, amanhã. Eduard, ex aluno do Institut d’Etudes Politiques de Paris e Secrétaire de la Conference de Stage du Barreau de Paris é poeta e brilhante pensador. Nossa conversa se desdobrou sobre as questões cruciais que a França atravessa no momento. Sobretudo, por conta do fluxo migratório e da expansão do terrorismo. A citação no início desse texto foi extraída do livro que em breve estará nas livrarias. Um dos eixos desse livro foca nas consequências pouco analisadas, para mim inéditas e arrojadas, sobre os desdobramentos do Iluminismo, fonte no pensamento francês ‘universalizado’ sobre o qual Rousseau exerceu enorme influência. Numa resenha, publicada numa pequena brochura que Eduard me deu, o assunto é explorado de forma inquietante. Diz ele: “ A laicidade não parte exatamente do princípio de tolerância que frequentemente se evoca. Voltaire[outro expoente do Iluminismo]era inimigo furioso do obscurantismo religioso e era também violentamente antissemita[nesse ponto Eduard evoca para si a ira dos ‘libertários’]. Por outro lado, o déficit simbólico induzido pela Revolução Francesa: Morte ao Rei, a Deus, ao Pai e a todo Princípio de Autoridade findaram no Terror e na ditadura bonapartista. A grande potência da Razão, resultante da filosofia dos Iluministas, teve prolongamentos nas ditaduras marxistas. Os Direitos do Homem de 1791, inegavelmente constituíram um avanço, mas, colocaram o Homem frente a um vazio espiritual e a um princípio estreito de laicidade que hoje se mostra impotente em face ao extremismo."
Nas páginas finais da sua brochura, Eduard acentua: [A sequência] de “contrassenso primordial que aparece hoje, no momento de uma França ateia, dita França laica, que se confronta a uma possante religião – O Islã – é que provoca a França a se reconstruir. ”
No entendimento de Eduard é crucial que se repense Deus, excluído dos capítulos dos Direitos do Homem. 
Para mim, ateu, as vias para a reinvenção da civilização ocidental é ainda uma incógnita. Não sei se ela virá de uma razão mais elevada, capaz de abrir um clarão para a espiritualidade como contraponto ao conforto do materialismo, em cheque nas sociedades liberais e  que corre grandes riscos de sobrevivência.     

sábado, agosto 12, 2017

Bula alemã para pastar no tédio




A Documenta 14, considerada pelos próprios curadores como a "maior mostra de arte contemporânea", é a máquina alemã que acelera a Estetização do Mundo em direção ao mundialismo artístico. 
As mega exposições da produção atual tem como regra básica nocautear no primeiro stand os mais entusiasmados curiosos que rodam pelo mundo a cata de novidades.   
Nessa, como em outras edições, os temas tradicionais da arte se tornam  visíveis não por seus contextos históricos ou estéticos mas, pelo aditivo adicional da recriação(sic) de outros significados,engendrados pelos curadores.  A sequencia interminável de  performances se pauta em ‘puro’ ativismo político. Ora, pudera, antes se falava em ‘arte’ pura. 
Pureza, como vemos, permanece sendo a maior utopia do mundo das artes.
Que gente mais conservadora!
Alguns participantes -os mais radicais- se apresentam como ‘não’ artistas. Negam as questões artísticas e se apresentam explicitamente como performáticos excepcionalmente políticos. 
Paradoxalmente, não negam serem incluídos na ‘maior mostra de arte contemporânea’. 
Se pintar um contrato com uma rica galeria comercial e burguesa,certamente não abrirão mão de partir para a ocupação do sistema de arte. Mas, alertam que essa é uma ação tática com intuito de  implodir o sistema  por dentro.  
Tudo que diz respeito a gênero, etnia e outros tópicos do entediante manual politicamente correto, impresso nas páginas dos jornais diários, tem presença assegurada em toda megaexposição. 
A Documenta é uma versão da Bienal de Veneza, sem os canais, a arquitetura secular e os encantos da velha Itália. 
É uma Bienal com empuxo de um motor BMW de 1500 cavalos de estimação.
Recebi hoje a Bula alemã e consultei alguns tópicos. 
Sobre as intrigantes questões da arte da atualidade não há uma linha ou mesmo uma imagem.
Mas, pouco importa?
Quando se que tem de sobra uma penca de ideologias e uma farta distribuição de signos sócio político e culturais, querer ver coisas desprovidas de mensagem explicita, misteriosas e intrigantes -como só a arte sabe ser- é no mínimo, um desejo excêntrico e antiquado.
Na consulta à Bula destaquei um item que trata especificamente dos sintomas da Arte Latino Americana no contexto estético transglobal. 
A apresentação de uma das expositoras desse bloco artístico, define bem o conceito que norteia os curadores da maior mostra de arte contemporânea:”Transexual, a teuto-chilena Lorenza Böttner perdeu os braços quando criança. Sua obra pode ser vista como resistência: enquanto o diagnostico  médico e os modos de representação pretendem dessexualizar e transformar o corpo deficiente em algo sem definição de gênero.O trabalho de Lorenza erotiza o corpo trans e sem braços,equipando-o com potência sexual e política.
A artista ela mesma e as decorrências da sua vida é a Obra em si.
O ideário da ruptura radical da "Arte Vida/Vida Arte", que se afogou nos canais de Veneza na Bienal dos anos 60 do século passado, continua incentivando os nadadores a continuarem  tentando chegar na praia.

sexta-feira, agosto 04, 2017

Ostracismo SQN

 Desde os primórdios da sociedade que a punição aos criminosos é um problemão.
Na antiguidade grega, fosse por justa causa, injustamente, declínio do poder de um tirano ou de homens justos, os sucessores (vencedores) usavam o desterro ou o ostracismo, como forma de punição aos derrotados.
O exílio é uma punição cruel e severa demais, típica dos regimes autoritários que se acham donos do país. Porém, o ostracismo não!
A punição pelo ostracismo de um personagem vil que por pura ambição pessoal, sustentada por devaneios ideológicos, trouxe fome, desemprego, a discórdia e a miséria ao seu povo, me parece correta e muito adequada ao tempo presente. 
Por que não ocorre?
Ora, o que faria a comunicação empresarial para vender mais commodities se dispensasse o cortejo de lamúrias das vítimas da ‘perseguição política’?
Enquanto as esperanças da população faziam coro às ‘Utopias’ de igualdade e justiça social, os líderes progressistas eram deuses do Olimpo. 
Entretanto, ao assumir o poder, com apoio das diversas categorias sociais e de grande parte da classe média urbana, reeditando o velho discurso populista, com uma pitada de cordialidade ‘amorosa’, esses deuses, em poucos dias, se revelaram tão canastrões, desonestos e corruptos quanto os imundos mortais que dominavam o cenário político nacional.
Mensalão & Petrolão, duas táticas dos progressistas usadas para engrossar as fileiras dos parlamentares comprados nas bancas das maiores legendas do país, agregados à roubalheira, garantiam e, ainda garantem (ver:'Carniceirão' do Temer) o comando das instituições políticas da república.
Jose Dirceu, um dos deuses dos progressistas, esteve à frente do poder. Na ocasião tinha nas mãos todos os instrumentos para realizar o sonho dos eleitores. Suas tentativas nesse sentido foram mais que modestas, canhestras, medíocres e demagógicas. 
Então, como recurso de oratória, culpava a oposição. 
Até que um dia, o maior feito político do Dirceu no poder - o Mensalão – que visava cabrestear economicamente o Congresso Nacional, foi tornado público. Dirceu caiu em desgraça. Foi investigado, julgado e condenado. Não passou muito tempo na cadeia e voltou ao cenário político como um dos estrategistas do Petrolão. Foi acusado,julgado e condenado,de novo.
Ficou pouco tempo na prisão.
Pois bem! Dirceu está de novo nas lides. Todas as suas tentativas – políticas ou de simples corrupção - fracassaram. 
Seus devaneios ideológicos diluíram.Não refletem na realidade 
Qual a razão de um personagem desses, que fracassou em tantas frentes de luta e ter se mostrado um desastrado no comando das táticas de poder, ganhar tanto espaço na mídia empresarial? 
E, pior, ser compartilhado nas redes sociais até por quem dele não se lembraria, se não fosse lembrado pelos jornalistas do esquema. 
Seus textos são previsões de mais derrota e glórias à decadência. 
Ao escrever sobre Maduro, Dirceu me despertou o sentimento de piedade.
A obsessão pelo poder acelera a senilidade. 
Nessas horas penso o quanto os gregos da antiguidade eram sábios ao não punirem com a severidade do desterro ou da morte, personagens que perderam contato com o tempo e a história. Enfim, aos decadentes! 
Em casos assim, eles puniam com o ostracismo. 
Ninguém mais, além dos familiares, crédulos da seita ou amigos íntimos, deles se lembravam ou... compartilhavam.

terça-feira, abril 18, 2017




A 14ª edição da mais badalada exposição mundial de arte contemporânea inaugurou sábado(08/04). Pela primeira vez a mostra acontece em Atenas. A imprensa alemã informou que muitos moradores da capital grega nem mesmo ficaram sabendo do evento.
O blasé curador da edição preferiu que o público descobrisse a exposição por si mesmo em vez de apresenta-la como um espetáculo mundial da arte ou se deixar instrumentalizar pelo marketing da cidade. Curador muito artístico é assim! Deve contestar a massificação dos meios de comunicação e cunhar uma ‘marca’ pessoal, capaz valorizar suas escolhas estéticas no mercado de arte. Não há nenhuma ideia original. É só mais um viés do paradoxo mais palatável para o sistema da arte atual.   
Bem que eu gostaria de dar mais atenção às propostas curatoriais exóticas que surgem a cada temporada no campo das artes visuais.
De ano para ano, meu desinteresse  mais se consolida.
Adam Szymczyk, diretor artístico da Documenta 14, mostra mais uma vez o quanto é enfadonho ressuscitar experimentos do passado para ilustrar a arte do presente. O curador, inspirado nas ideias do músico vanguardista britânico Cornelius Cardew (7 de maio de 1936 -13 de dezembro de 1981), pinçou a frase do citado: "Desaprender é a chave do aprendizado" que, aliás, desde o despertar do mundo moderno foi dita das formas e estilos mais variados, para confirmar minhas expectativas sobre a gradativa e inexorável  decadência do pensamento sobre Arte. Ao ser indagado sobre o que significa ‘aprender de Atenas’, Adam Szymczyk respondeu: "Deixar o pré-concebido e entrar num estado de desconhecimento."

Ok! Baby...

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Efeito Colateral




Bastou  a China perceber a relevância das artes para a projeção global da política externa do país,para que o cenário das artes no Ocidente se tornasse um alvo.
Em curto espaço de tempo, os artistas do país alcançaram fama e prestigio nos círculos culturais do Ocidente. 
Concomitantemente,os novos bilionários chineses construíram museus de arrojada arquitetura para instalar mega coleções de arte nas suas regiões de origem. 
Muito dinheiro, empenho e competencia montaram uma estratégia cultural de internacionalização da arte chinesa contemporânea que mais parece um plano de ocupação militar/cultural do Ocidente.
Artistas  transbordaram as fronteiras continentais da China e vazaram pelos centros culturais da Europa e dos EUA. 
Ai Weiwei, o performático artista estrela, com seu repertório de mix de itens filosófico/político/metafórico, facilmente assimiláveis pela classe média do ocidente, se tornou ponta de lança da ocupação.
Abdicada do senso crítico de outrora e ávida por tudo que seja espetaculoso e novidadeiro, a platéia das artes deste lado do planeta, cedeu ao deslumbramento patético e se fartou na avidez por tudo que seja espetaculoso e novidadeiro.
Ajoelhou tem que rezar. Essa é a máxima da ideologia religiosa de cooptação. 
Aberta essa nova senda de sucesso e fortuna, sucedem no calendário artístico global os lançamentos dos novos ícones da arte chinesa contemporânea, de perfil mais identificável com o gosto ocidental da ocasião,formatado,antecipadamente pelos tutores e curadores que dirigem os grandes centros de arte do ocidente.
Confirmado o sucesso dessa estratégia de ocupação cultural, a China logo transformou suas feiras de cópias perfeitas das pinturas históricas do Ocidente, uma atração turística para ocidentais idiotizados que se espantam com a habilidade técnica dos copistas chineses e lá  compram milhares de  Van Goghs, Rembrantds, Renoirs, Picassos etc. mais perfeitos que os originais. 
Enquanto, com investimentos fabulosos, agem decisivamente  na superestrutura cultural global, através de emissários bem sucedidos como Ai Weiwei e, agora, com o lançamento mundial do estiloso ‘surrealismo hiper-realista’(sic) do artista  Choi Xooang, com suas pinturas de cabeças sem olhos encarando uma a outra. Centenas de mãos decepadas que se juntam para formar asas carnudas de um anjo e dos homens com cabeças de cachorro que vestem calcinhas femininas sexy. O estupido marketing da CNN, informa para seu leitor 'sem olhos', que o que lhe parece uma foto realista surpreendente é,de fato,uma imagem pintada realmente à mão.
Nesse ritmo, acumulando calhamaços de estupides,em breve, as academias e escolas de arte do Ocidente estarão copiando o estilo chinês de arte contemporânea para exportação.
Os tolos acham que o multiculturalismo é uma invenção do ocidente e que, por isso, a cultura do ocidente estaria  protegida dos seus efeitos colaterais.





quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Peculiaridades nativas/Conheça o Brasil









O ‘populacionometro’ do IBGE afere que no minuto em que você lê esse post a população brasileira é de 207.126.193 de pessoas. 
Ao acabar de ler esse texto deverá ser um pouco mais.
Como os números que conformam esse pais, seja no tocante à população, extensão territorial, crimes contra a vida, violação de direitos e corrupção são gigantescos, me fixarei ao índice populacional numericamente inexpressivo, as chamadas minorias, camufladas entre a massa de gente comum.
A mais reduzida das minorias brasileiras é a de bilionários. O Brasil tem 65. A população de milionários brasileiros é 161,2 mil.
Agora vamos para regiões onde as minorias estão em processo de extinção ou praticamente desapareceram. Entre elas podemos destacar a comunidade caiçara, os quilombolas, a aldeia hippie de Arembepe e outras similares que cultuam a maconha, surfe, rock e artesanato.
Contudo, nenhuma dessas comunidades goza das regalias do povo do Foro Privilegiado. Esse povo, que reúne mais de 20.000 indivíduos, tem imunidades que nem monarcas de outrora possuíam. Se você imaginava que os bilionários, milionários e outras minorias poderosas são privilegiadas, quando conhecer melhor o Brasil, entenderá que nem tanto quanto imaginava.
Vejamos; um bilionário pode ter mil fabricas de cerveja, comprar uma fábrica de ketchup e querer comprar outra de hambúrgueres, ter aviões, iates, mansões maravilhosas com capelas, padres e pastores como serviçais, mas, não possuem uma Corte de Justiça só para si.
Os milionários podem sofrer de inveja dos bilionários, mas, sentirem-se abastados e felizes frente a miséria do povo local. Eles podem ter barcos, casas, viajar, comprar roupas de grife etc.Ms,não podem ter uma Corte de Justiça só para si.
Porém, os mais de 20.000 indivíduos do povo do Foro Privilegiado, tem poderes supremos. É a unica minoria que tem uma Corte Suprema de Justiça só para atendê-los.
O IBGE, Policia Federal ou Justiça de primeira instancia sequer ousam entrar nos domínios desse povo.
Eles cometem crimes, irregularidades de todo tipo, falcatruas contra o tesouro nacional na certeza de que jamais a justiça lhes alcançará.
Poucos países protegem essa minoria. Sabe-se que na América Latina, a Venezuela disputa com o Brasil a liderança quanto ao tamanho da população de privilegiados.
Na Europa, a Espanha se destaca.
Contudo, em países onde a modernidade se instalou em sincronia com as guerras de independência, como os EUA, esse povo foi extinto com a derrota do Império Britânico.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Inteligencia & sensibilidade















A inteligencia e a sensibilidade são bens imateriais indestrutíveis.
Esteja certo! 
Sobrevivem a temperaturas extremas e a regimes bestiais, se recompõem e proliferam à luz do sol.
Ainda que ativistas invistam na construção de muralhas protecionistas - físicas e morais - a fim de afastar toda forma de contagio entre culturas,etnias,credos,costumes ou qualquer forma de apropriação e miscigenação, a grande beleza,a sensibilidade e a liberdade criativa continuarão compartilhando sua infindável façanha de subverter dogmas e limites artificiais a fim de nos encantar na curta existência sobre esta "terra amarga".
Enquanto falávamos sobre isso, o ambiente foi invadido por esse som (post)com poema e voz da negra norte americana Dinah Washington e cover melódico de um compositor germânico naturalizado inglês,branco e de olhos azuis,Max Richter.Esse cover foi criado para ser inserido na trilha sonora do filme de um diretor norte americano, descendente de imigrantes italianos, com hábitos,sentimentos e sensibilidade fundidos na alta temperatura do universalismo.
É suprimindo 'turbantes' em cabeças miscigenadas e retendo momentos de espontaneidade, superação e beleza que os ativistas contra a apropriação cultural pretendem combater a perversidade da globalização?
Vai durar pouco!

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Crônica sobre o provincialismo globalizado.


Hoje, passarei batido pelas páginas do noticiário policial que relatam o dia a dia da política,dos políticos,ministros e autoridades brasileiras, seus cúmplices, agora delatores, e empresários corruptos e corruptores. 
O noticiário político nacional se tornou uma espécie de cartório de boletins de ocorrência (B.O) empilhados sobre a mesa do delegado da PF.
Deixarei para examinar outro dia os efeitos sobre o mundo do crime procedentes do choque da “homologação 77” que, no imaginário da bandidagem nacional, equivale ao que foi o Dia de São Valentim(mais um 14 de fevereiro se aproxima)para os gangsteres da Chicago dos anos 20 do século passado, quando a cúpula de uma facção do crime foi metralhada numa garagem.
Os dois personagens que ilustram esse post se chamam: Ele, DJ (Don Juan) ela, FF (Fifi). É o casal proprietário do espaço onde, por cortesia, se instala o meu ateliê. Nosso convívio é tranquilo, porém, sou obrigado a servi-lhes rações diárias de qualidade, manter seus banheiros exclusivos limpos, repor água fresca todo dia e, sempre que desejarem lhes abrir a porta ao primeiro miado, esteja eu lendo, trabalhando, ouvindo música ou o que quer que esteja fazendo, para atender de imediato seus pedidos de cafuné ou simplesmente para se instalarem na poltrona ou sobre a mesa do computador. DJ é agora um coroa rabugento,bem mais velho que FF,uma criatura doce e amigável mas, isso não impede que convivam muito bem.
É na observação da relação do casal que me hospeda que tenho aprendido coisas interessantes. O diálogo silencioso, a sedução gestual e os afagos entre os dois se chocam com a minha observação sobre a atual situação cultural que limita os gestos, a sedução e o galanteio entre gêneros da esquisita espécie humana.
Desde as cavernas, a espécie humana tem demonstrado forte tendência para a demência e a violência. É uma espécie que deveria ser estudada em profundidade em zoológicos de segurança máxima.
Signos gravados na pedra registravam a saga de homens que estupravam e violentavam mulheres. Levou um tempo enorme até que um dia descobriram que isso é crime e que deve ser punido com severidade. Entretanto, tal correção tardia de rumo, deixou marcas indeléveis na cultura desses seres esquisitos. De um tempo para cá, o gênero feminino entendeu que tem que redobrar sua atenção para não ser vítima passiva da selvageria dos homens. Pressionando a base da razão, as mulheres conseguiram leis de proteção que lhes assegura alguma proteção. Mas, essa espécie esquisita é ardilosa. No mercado de trabalho e em outros ambientes sociais supostamente civilizados, pratica-se um tipo de violência que passa despercebida ou é relegada a simples estranheza que caracteriza essa espécie esquisita.
Vai daí que em plena Era do Conhecimento e da globalização cultural, o galanteio formoso, que tanto prazer oferecia aos ‘libertinos’, que na concepção moderna, refere-se aos pensadores e literatos europeus que se abstraíam dos princípios morais do seu período, principalmente aqueles relacionados à moral sexual,período esse em que o garboso e então jovem gato Don Juan, exercia enorme fascínio, agora corre o risco de também se tornar crime.
Essa reflexão surgiu em minha mente exatamente enquanto observava os afagos entre o casal que me hospeda e lia a notícia de que um ser humano do gênero masculino teve voz de prisão porque numa rua de Nova Iorque agrediu uma mulher chamando-lhe de ‘bela e sensualmente atraente’. A notícia, ao lado dessa, ilustrada pela face esquisita, os lábios sibilinos e os gestos grosseiros do novo presidente norte americano,confinaram meus pensamentos na visão assustadora de uma praça de aldeia provinciana, com sol a pino e calor infernal.

terça-feira, dezembro 27, 2016

Agora estamos acordados.














Em 1926, Arthur Schnitzler,( Viena, 1862/1931)escritor e médico austríaco, escreveu um dos mais fabulosos romances que já li na vida. 
Na semana do natal reli 'Traumnovelle' ( Breve Romance de Sonho,versão em português).
Como presente natalino fechei a semana revendo a adaptação do Kubrick no seu magistral filme “De olhos bem fechados”.
Freud declarou inúmeras vezes sua profunda admiração por Arthur Schnitzler. 
Ambos viveram, cada um ao seu modo, muito intensamente, as profundezas abissais do sonho e do inconsciente. 
 Em 1922, Freud escreveu uma carta a Schnitzler, onde registra algumas observações sobre a obra do escritor e confessa ter evitado, durante muito tempo, ser apresentado a ele, pois, ao ler seus textos, acreditava que se tratava de seu “duplo”. Alguém que, como ele, era “explorador das profundezas” e que mostrava “as verdades do inconsciente”.
Disse,Freud: “Sempre que me deixo absorver profundamente por suas belas criações, parece-me encontrar, sob a superfície poética, as mesmas suposições antecipadas, os interesses e conclusões que reconheço como meus próprios. Ficou-me a impressão de que o senhor sabe por intuição – realmente, a partir de uma fina auto-observação – tudo que tenho descoberto em outras pessoas por meio de laborioso trabalho.”
Kubrick ambientou o trecho que encerra o romance numa loja de departamentos, onde o casal nova-iorquino Kidman / Cruise fecha na integra lindo dialogo original do final do livro (abaixo) 
(...)"Poucos segundos depois, sentiu a mão macia acariciar-lhe os cabelos. Levantou, então, a cabeça e, do fundo do coração, escaparam-lhe as palavras: “Vou contar tudo a você”. A princípio, Albertine ergueu a mão em silente recusa; Fridolin tomou-a, segurou-a entre as suas, e lançou à esposa um olhar a um só tempo de dúvida e súplica. Ela consentiu, ele começou a contar. O dia amanhecia cinzento através das cortinas quando ele terminou. Nem uma única vez ela o interrompera com perguntas curiosas ou impacientes. Sentiu que ele não queria nem podia ocultar-lhe nada. Deitada e serena, os braços sob a nuca, ela fez ainda longo silêncio depois de ouvir-lhe a história. Por fim, deitado ao lado dela, Fridolin curvou-se sobre a esposa e, diante daquele rosto imóvel com os grandes olhos claros, nos quais o novo dia parecia agora estar nascendo também, perguntou-lhe repleto de incerteza e esperança: “O que vamos fazer, Albertine?”. Ela sorriu e, após breve hesitação, respondeu: “Agradecer ao destino, penso eu, por termos escapado incólumes de todas as aventuras — as reais e as sonhadas”. “Você tem certeza de que é o que você quer também? ”, perguntou ele. “Estou tão certa quanto suspeito que a realidade de uma noite ou mesmo de toda uma vida não representa sua verdade mais íntima. ” “Nem sonho algum”, suspirou Fridolin baixinho, “é totalmente sonho. ” Ela tomou a cabeça dele nas mãos e aninhou-a com carinho sobre o peito. “Agora estamos os dois acordados”, disse, “e assim será por muito tempo. ” Para sempre, ele quis acrescentar, mas antes ainda que houvesse pronunciado as palavras, ela colocou-lhe um dedo nos lábios e, como se o fizesse para si mesma, sussurrou: “Melhor não perguntar ao futuro”. E assim permaneceram ambos deitados, talvez cochilando um pouco, juntos um do outro e sem sonhar — até que, como em todas as manhãs, bateram na porta às sete horas e, com os ruídos habituais provindos da rua, um vitorioso raio de luz atravessando a fenda na cortina e uma aguda risada de criança no quarto ao lado, principiou o novo dia."

quarta-feira, novembro 02, 2016

Carpe diem...(seriado em 4 capítulos)



   







Cap.1

Às vezes tenho que contrariar minha preferência pelo ‘carpe nocte’ e partir para atividades físicas e mentais no ‘carpe diem’. 
Meus amigos mais próximos sabem da minha lassidão frente aos empreendimentos sociais que implicam na divulgação midiática da minha atividade artística. 
“Ora, se até chocolate tem que fazer propaganda, por que um artista deve relaxar na difusão da sua produção? Agindo assim vão acreditar que você já morreu. Aliás, sequer nasceu! ” Disse-me o amigo empenhado em me converter à performance midiática e me convencer a ir a reunião com uma empresa de promoção e marketing cultural, indicada por ele.
Deixei de lado meus hábitos boêmios e mergulhei no “Carpe diem”. 
Ao olhar minha cara no espelho às 7 da matina tive que me apresentar de novo: Olá! Carpe diem para você!
Parti agencia!
O centro do Rio é um mafuá galáctico, pontuado de pequenos ‘enclaves’ pós-modernos revestidos de mármore ou granito, climatizados, ambientados e sonorizados como nave espacial, cuja a fila da rampa de acesso ao ascensor mistura povos de planetas distintos. A miscelânea cultural e social dos passageiros do elevador revela que nessas plagas as fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território estrangeiro. Elevador lotado, lá vamos nós rumo ao espaço. Ao meu lado um sujeito barrigudo, trajando camiseta sem manga, bermudas e chinelos, carregava um pacote de documentos com carimbo ‘Confidencial’.  Na minha frente uma moça bonita e cheirosa, ajeitava um colar reluzente, ajustava o relógio de pulso ao mesmo tempo que despertava o celular, objetos que durante a escalada do elevador tirou de um esconderijo secreto na sua bolsa. Nas ruas, quer dizer; nos territórios bárbaros, ela não porta nada disso, pensei.
Depois da sequência de sons eletrônicos que alertam o passageiro sobre os vários estágios do voo, aportei na plataforma de destino. 
Saguão com piso de mármore branco coberto com tapetes da antiga Pérsia, dispostos cromática e proporcionalmente. Na lateral à porta de entrada do escritório,uma grande pintura ocupava toda a parede, do chão ao teto. Em cores soturnas, pinceladas dramáticas e discretamente iluminada, a pintura confronta o visitante ocasional com a visão ‘sensível’ de uma metrópole opressiva. Admirei a obra por algum tempo. O contra plano entre a metrópole real, que havia deixado antes de embarcar no elevador, e a metrópole ‘sensível’ do pintor, compuseram na minha retina um díptico contrastante. O inferno pictórico é menos agressivo que o real que fica 15 pisos abaixo,pensei. A vida pode ser mais bela quando projetada pela interpretação do real.Pelo menos para alguns artistas.
Antes de acionar a campainha e a câmara de vigilância, fiz uma limpeza na minha memória. 
Num processo de meditação ‘zás traz’, enviei minhas impressões sobre a viagem até aquele ponto para um segundo plano mental.    

Cap.2

Seja bem-vindo! Disse-me o recepcionista. 

Um perfume sofisticado, levemente doce, imitando uma flor inexistente na natureza, penetrou minhas narinas.
Ambientes ricos e sofisticados exalam aromas e sensações inebriantes. Enquanto aguardava, sentado confortavelmente numa poltrona de couro, assistia ao telejornal de uma emissora por assinatura que só tem mulheres como apresentadoras, repórteres e comentaristas. As poucas vezes que assisto esse tipo de programação me pergunto: O que foi feito dos homens? Ficam escondidos na redação? Os poucos que entram na grade dessa emissora só desencantam nos telejornais noturnos, às 10 horas.
Será uma luta de gêneros ou somente um estilo que considera mais adequado um telejornal da manhã, feito somente por mulheres para mulheres?

Cap.3

Uma sala de reuniões cinematográfica. Mobiliário hi tech, objetos de decoração e arte de bom gosto,compõem um diálogo discreto e elegante. Duas sócias do escritório entram sorridentes e sentam-se à minha frente. Tudo combinando. São estereofonicamente simpáticas e agradáveis. Me apresentam um vídeo sobre as atividades do escritório, os artistas e celebridades que atendem e as projeções das suas ações na grande mídia. 

Tudo impecável!
Após os prolegômenos de praxe, uma das sócias chamou a curadora de projetos, a gerente de imagem e a jornalista que cuida da mídia impressa e eletrônica dos clientes. Em poucos minutos me vi como um paxá em meio a um harém de profissionais jovens, bonitas, elegantes e competentes. 
Na verdade, me senti um ‘dimenor’! 
No monitor, as apresentadoras do telejornal continuavam gesticulando e falando uma com as outras. O som 'off' não permitia que eu ouvisse qual era a notícia do momento. Num determinado ponto cheguei a imaginar que apenas eu e o segurança da recepção éramos os poucos homens que restavam sobre o planeta. A sensação se intensificou com chegada de uma moça esbelta trazendo uma bandeja com cafezinho, água e biscoitos. Nesse ponto, eu já havia perdido a conta de quantas mulheres estavam em cena. Sorri comigo mesmo ao lembrar da cena do ‘Oito e Meio’ do Fellini quando Marcello Mastroianni é banhado, enxugado e acariciado com toalhas do mais puro branco, manuseadas por mais de uma dezena de delicadas mãos femininas.
Ah!Adoraria que o mesmo acontecesse comigo, ali mesmo,naquele momento. 
Ao ser informado que a pintura exposta na recepção era de autoria de uma pintora famosa no Brasil e no exterior e cliente do escritório, fui subitamente tomado pela súbita sensação de entendimento da essência de algo que também pode ser ilustrado por um termo usado para a realização de um sonho...uma epifania. 
O mundo é, enfim, das mulheres! 
De volta a nave que me traria ao térreo, me indaguei se o objetivo da minha entrevista havia sido alcançado. 
A lógica primaria das técnicas de difusão e marketing são uteis para os artistas que buscam maior visibilidade e fluidez mercantil para sua produção. O alvo dessa iniciativa é ampliar o arco da demanda comercial pelos produtos mais destacados na vitrine de um determinado segmento social. Do ponto de vista operacional é um facilitador na medida em cria maiores expectativas de demanda, monetiza a produção, revertendo para o artista reconhecimento social e pujança econômica. Não é de se estranhar que o sucesso dessa categoria tenha estreita conexão com o que se convencionou chamar de pós modernismo. 
Em vista disso, as pessoas que mergulham conscientemente naquilo que desejam,não podem evitar a  pergunta:qual o custo existencial de se integrar a esse tipo de ação? 
O que a princípio parece solução pode apenas esconder outro problema.As vezes, muito mais graves. Os mergulhos profundos no processo criativo não prescindem da liberdade. 
No meu entender, o  processo criativo  é um amalgama entre o impulso do artista, o tempo e a experimentação, fenômeno que só ocorre com a completa sinergia entre esses elementos. 
A fim de preservar esse princípio evito produzir para cumprir  uma agenda de compromissos que exigem foco, determinação, objetividade e controle cronológico do tempo.
Já trabalhei para cumprir uma agenda. Conheço bem os danos que advêm do confronto entre a exegese e a conclusão física de uma obra. Sobretudo, porque, o meu processo de trabalho não tem origem ou segue a linha pré-estabelecida de um projeto de pintura. Além disso, não sou um artista movido pela compulsão de pintar. Para mim a pintura não é  um evento lúdico ou uma catarse. Muito menos ilustração de recortes da realidade objetiva ou uma 'ideia' sobre arte,um dialogo referencial com um estilo ou artista especifico ou registro auto biográfico.
Na prática, a pintura é para mim a porta de acesso ao sagrado no sentido original da palavra latina ‘sacrum' que se referia aos deuses ou a alguma coisa 'misteriosa' em seu poder. Essa palavra foi concebida originalmente como referência a área em torno de um templo, onde se poderia  transcender para além das questões objetivas que regem o mundo.  
Vem dessa antiga tradição o conceito de que o território onde se erguem os templos é do domínio do sagrado. Religiosos são os templos.Não seu entorno.
Como podem perceber mais uma vez a epifania abateu meu frágil pragmatismo. 
Tergiversei do programa original ao qual me havia proposto. 
Se me propusesse a aplicar as propostas objetivas apresentadas tecnicamente pelas consultoras eu teria que interpretar um papel que não me atrai e para o qual não sou talhado.
Teria que encarnar o canastrão que acredita em si mesmo e que, ao sabor dos ventos e das marés, se reinventa inteirinho como pessoa a cada evento.
Nascer de novo,no sentido radical do termo, é do domínio da metáfora. 
No plano do real, prefiro o nascer de um novo dia!  
Continuarei, portanto, mantendo um distanciamento  crítico em relação ao desempenho pessoal na escalada do sucesso. 
Até porque, as  gratificações que transitam no mundo das artes,ainda que pareçam dádivas dos deuses conferidas aos eleitos,não são gratuitas. Tem um alto preço.
Ilude-se mais quem acredita que o reconhecimento é uma resposta espontânea do meio social ao trabalho artístico. 
A sociedade responde  às suas crenças.
Mas,o artista que se dedica a atender essas crenças,tende a se tornar um mitificador.

Cap. IV

Em vista do exposto,uma síntese sobre os capítulos anteriores ajudará ao leitor a entender o que de fato me mobiliza e gratifica.
Desde o advento da cultura digital,em particular as redes sociais,tenho tido respostas muito animadoras sobre novas formas de interação social. 
Ainda que as técnicas de marketing cultural e visibilidade midiática  sejam recursos muito poderosos para difusão do trabalho de um artista,elas não respondem às minhas expectativas sobre a forma particular com que um espectador se aproxima do meu trabalho artístico. Chegar a um artista pela sucessão de matérias jornalisticas, textos curatoriais, eventos e promoções especiais de arte e cultura,através da abundante divulgação pelos veículos da grande mídia, é a forma mais usual do marketing e do jornalismo cultural.
Esta é uma via de resultados expressivos para o exito de um autor e de um show de arte.
Mas, como frisei nos capítulos anteriores,ela não ocorre como um ' milagre'. 
Tem um custo e exige muito empenho do interessado.    
Ha quase duas décadas tenho usado as redes sociais para compartilhar minhas ideias em tempo real com milhares de usuários.
O feedback dessas postagens, descortinou para mim uma nova modalidade de interação social. 
A rede de relacionamento social,em tudo revolucionária,tem respondido aos meus interesses de maneira gratificante.
Muitas pessoas que visitam minha TL,mal sabem quem sou. 
Muitos não tem a mínima ideia da minha atividade profissional ou minha carreira artística.Porém,ainda assim,leem,comentam e compartilham meus textos sobre cultura,politica,arte e divagações sobre a vida. 
Essas ocorrências -são muitas - tem me ajudado a visualizar um caminho inédito e promissor para a difusão do meu trabalho artístico,na  exata medida do meu desejo.
São incontáveis as mensagens  'in box' que me são dirigidas por pessoas que seguem minhas postagens e que,curiosas,confessam ter recorrido ao Google para se inteirar sobre minha pessoa,meu currículo profissional e minha carreira.
É esse 'algo' peculiar,urdido do próprio punho,capaz de chamar atenção para si, a ponto de despertar o interesse de terceiros a sondarem um site de busca a fim de pegar mais referencias sobre o que lhe tocou de alguma forma, que me enche de satisfação.
Mais estimulante ainda é antever que esse meio permitirá pessoas de um 'novo' mundo,num futuro próximo, a serem menos dependentes da intermediação dos poderosos meios empresariais e estatais de comunicação social em beneficio das suas próprias escolhas.
Creio que esse será um passo adiante rumo a autonomia do pensamento e maior liberdade. 
Na atualidade,arte e comunicação se tornaram quase sinônimos. 
Palavras vagam entre coisas.
Sinônimos,as seguem.         
Por isso,a Arte que me estimula fruir sobre a experiencia estética é,sobretudo,aquela que escapa pelos interstícios do diversificado e onipresente sistema de comunicação.

              
  




    

sexta-feira, setembro 30, 2016

Tabu



‘Dinheiro. O único tabu que ainda resiste as ‘incertezas vivas’ que se espraiam mundo afora no século XXI. Todo o resto foi superado nas lutas contra a opressão (sic). A humanidade, enfim liberta (ibidem) dos tabus superficiais acumulados na longa trajetória civilizatória, se curva diante do deus de todas as certezas. ’
Com essas palavras iniciei o diálogo com uma amiga. 
Ela parecia triste e angustiada. Um dia antes enviou-me via whatsapp uma dezena de fotos de ‘obras’ que clicou na inauguração da feira de arte e eu sequer abri os arquivos. Quem, como eu, evita abrir mensagens carregadas, fóruns, debates, depoimentos e gravações com mais de 2’ nesse aplicativo, sabe perfeitamente as razões de não correr o risco. Na conversa telefônica, lamentei o fato e expliquei a razão, mas, não pude deixar de perguntar o porquê da angustia por um fato corriqueiro. Era tudo que ela queria para abrir sua arguição. Sem me perguntar o que achei das fotos das ‘obras’- um alivio- partiu direto para seu lamento, manifestando decepção por não ter visto na feira obras de alguns artistas que muito admira e que integram sua coleção particular.  
Como vocês não participaram da conversa, mas tem algum interesse em saber os detalhes, é bom que eu ilustre o tema.
Não tenho críticas quanto as iniciativas de mercado que visem ampliar o campo dos negócios. Nesse ambiente, tudo, mas tudo mesmo, está sujeito às operações que visem gerar receita, obter lucros e aprofundar a trajetória da mais valia. Nada escapa dessa doutrina. Nem mesmo aqueles produtos artísticos que agregam gentileza sensível ou aversão estetizada ao sistema ficam fora do foco do mercado. Dito isso, fica esclarecido que para mim as feiras de arte são ferramentas de dinamização do sistema financeiro e de fomento do comercio de arte. Aliás, as feiras sempre foram uma forma direta de oferecer produtos ao consumidor. Nas feiras o visitante tem um certo protagonismo ao escolher uns brócolis, um automóvel, uma lancha ou uma obra de arte, leva-los para casa e se sentir gratificado. Portanto, problematizar uma mostra de produtos estéticos com essa característica é uma premissa ingênua. As feiras de arte, bem montadas e geridas por profissionais competentes é uma excelente oportunidade de negócio.
Pronto! Já estamos na conversa.  
Porém, a glamourização das feiras de arte e as mostras paralelas que as escoltam, criaram um ruído que repercutiu em muita confusão. Tanto entre frequentadores ansiosos por novidades como entre artistas desejosos de visibilidade. Uma inauguração cheia de gente alegre, rica e bonita, circulando entre obras de arte é muito estimulante. Esse diferencial distingue uma feira de arte de uma feira dominical de artesões numa praça qualquer da cidade. Nesse ponto, se criou um falso problema. O fato de entusiasmar os visitantes e ser um evento com grande visibilidade midiática, difundido na agenda cultural da cidade, não significa a mesma coisa que ser um evento especifico de arte, onde se expõe propostas estéticas mais arrojadas e experimentalismos performáticos que, por suas particularidades não caberiam -aliás, esteticamente não deveriam caber- no escopo dos negócios de uma feira de arte.
Ufa! Mas, não para aí. Se é para problematizar vou adiante. Avançarei sobre a trincheira do tempo e trarei para o presente um episódio que mudou o curso dos eventos culturais, especificamente focados na arte.     
Em 1863, quando a vanguarda fervilhava em Paris, os artistas problematizaram o salão oficial da Real Academia Francesa de Pintura e Escultura. Os artistas, recusados pela crítica dominante da época, recorreram ao Imperador Napoleão III a fim de suprir tamanha injustiça. Napoleão os atendeu, mandando que se fizesse uma mostra paralela, que foi intitulada Salon des Refusés.  
A proposta foi recebida ironicamente pelos conservadores. Eles acreditavam obras de arte recusadas no salão oficial, atrairiam um grande público disposto a ridicularizar as obras dos recusados. Entre eles, Manet e Cézanne. Apesar da reação desfavorável aos trabalhos expostos, o Salon des Refusés passou a ser um forte concorrente do salão da academia. A partir daquele ano, a iniciativa agregou muitos artistas que, mais adiante, organizaram exposições independentes como a dos Impressionistas, em 1874.Assim, o Salão dos Recusados foi, em síntese, o embrião para a consagração social da pintura moderna.

Para finalizar, a crítica que não faço ao empreendimento das feiras de arte, é destinada a um evento que deveria ser de cunho especificamente artístico, como a Bienal de São Paulo, mas, por absoluta desconexão com a pluralidade estética dos dias atuais, aquele evento se tornou um circo temático regido pelos humores dos curadores.
Os curadores dos salões oficiais da Real Academia Francesa de Pintura e Escultura, foram esquecidos. Apenas os pesquisadores sabem quem foram. Napoleão III, está registrado na história de França como um imperador controverso que, por sua compreensão, permitiu o desabrochar de uma nova estética.
 Não há nenhuma ‘incerteza’ quanto a isso.
Contudo, “Incerteza viva / Live Uncertainty”, que no meu entender deveria ser contestada veementemente pelos artistas e pelo público que refutam o método seletivo e arcaico de uma mostra de arte contemporânea,passa despercebida. Os 'Refusés' constrangidos se refugiam nas Certezas Oprimidas/ Certainties Oppressed (versão global) para ali se debulharem pelo fato banal e corriqueiro de não estarem numa barraca da feira de arte. Essa é a problematização recalcada que o tabu(poder)do dinheiro oculta da clientela.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Imagem & Memoria











Tem coisas que dão duplo prazer. 
O primeiro, realizar.O segundo, resgatar.
Esse é o caso desse vídeo experimental que realizei em 2006 para acompanhar a serie de imagens mostradas na sala Imagem & Memoria, contígua a exposição Divisões Internas que realizei no Paço Imperial,Rio de Janeiro, em 2007.
O vídeo e as imagens foram adquiridos naquela ocasião. No contrato, o proprietário teria que garantir os direitos do autor bem como o uso da trilha sonora.Um desentendimento posterior  entre o proprietário  e o autor da trilha bloqueou o vídeo por um bom tempo.Passado dez anos, o contrato perdeu a vigência e pude resgata-lo. A versão original, bem como a agora reeditada, permanecem bloqueadas na Alemanha. 
Suprimi a primeira versão e fiz uma adaptação com uma trilha sonora  'livre' de direitos,que é o caso das imagens usadas na concepção original do vídeo,como bem explica o texto abaixo, que acompanhava a exposição. 



       
                                                                                                                                (clique para ampliar)