sábado, julho 31, 2010

Despedida a Rubem Ludolf

Foi com tristeza que recebi na segunda feira (27/07) a noticia da morte de Rubem Ludolf. Rubem, um amigo e pintor dedicado, ligado ao construtivismo brasileiro, deixa um legado de obras inteligentes e belas. Em meados de 1950 Ludolf participou do Grupo Frente que se constituiu um marco para pensamento construtivo na arte brasileira. Em 1954, uma mostra na Galeria do Ibeu, no Rio de Janeiro apresentada por Ferreira Gullar , reunindo os artistas Aluísio Carvão, Carlos Val , Décio Vieira , Ivan Serpa, João José da Silva Costa, Lygia Clark , Lygia Pape e Vicent Ibberson , a maioria alunos ou ex-alunos de Serpa nos cursos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,revelou ao publico os desdobramentos dessa importante corrente estética.

Na contramão dos aforismos de Wahrol -"A arte suprema é o negócio" e o prestígio do artista recluso é coisa do passado,a contemporaneidade é o tempo do brilho das celebridades midiáticas- Ludolf,manteve-se isolado do circuito de artes e afastado da mídia. Graças a alguns apreciadores isentos que vêem o negocio como uma instância secundaria, o artista foi relembrado em 2002, com uma grande exposição no Museu Nacional de Belas Artes e no início deste ano na Caixa Cultural, no Rio.Além dessas exposições Ludolf integrou a bonita e bem organizada publicação –The Art Book of Brasil- que teve a curadoria do critico Paulo Klein,recentemente lançada.

sexta-feira, julho 30, 2010

Cuidados matinais


Ao realizar sua higiene matinal não se esqueça dos cuidados com sua mente. Choques matinais antes do café da manhã podem produzir efeitos nocivos no seu humor e desfocar sua reflexão sobre os fatos graves ou vulgares do cotidiano. A capa da revista Time desta semana estampa a fotografia de uma jovem afegã que teve as orelhas e o nariz cortados por desrespeitar as regras do grupo radical Talibã. A carga emocional dessa imagem é extraordinária. A reportagem segue em palavras dramáticas a mesma trilha da foto e ilustra a trágica situação das mulheres daquele país. Porem, numa parte da matéria a revista se orienta para a defesa das tropas americanas no Afeganistão. Diabos! me pergunto: o que na pratica justifica a presença das tropas americanas em território Afegão? Pode-se aferir,com a invasão americana em território afegão, uma melhoria nas condições de vida das mulheres locais, submetidas aos maus tratos difundidos pela parte mais radical e perversa da cultura islâmica? Não! Nada confirma que as inúmeras mutilações cometidas contra as mulheres da região tenham sido abrandadas pela presença das tropas americanas na região.
Então, o que essa imagem pode nos falar para além da maldade extrema dos homens?
Que as mulheres ocidentais devem temer os talibãs?Ora, as mulheres ocidentais, por experiência própria, temem o tamanho da crueldade e covardia até mesmo dos homens ocidentais.
Ou será que pretendem nos fazer acreditar que após e desestabilização do prelado talibã, através da intervenção militar americana, irá se consolidar os princípios ocidentais de igualdade entre os gêneros (sic) libertando a mulher do oriente médio das garras da opressão e da violência? Se essa idéia não se funda na ironia, revela o deleite de setores da comunicação de apoiar ações terríveis contra todo um povo, a fim de proteger interesses obscuros. A pergunta que se impõem é de outra natureza e passa longe da hipocrisia humanitaria tão difundida por esse tipo de matéria.Por que, de fato, as tropas americanas estacionadas na região e os serviços de inteligencia ocidentais,tanto tempo preocupados com o TERROR de toda ordem, não conseguem dar um fim ao fluxo de dinheiro e meios que fomentam o abastecimento de armas e materiais de apoio logistico que,diga-se de passagem,não são produzidos na região?
Ao contrario, afora os facões e enxadas, as armas que dão suporte ao terror talibã são produzidas em paises "civilizados" do ocidente que,curiosamente, integram as forças de coalisão ou pela China,Russia e outros centros econômicos do mundo globalizado.

quinta-feira, julho 29, 2010

Como nascem os países imaginários e as tragédias reais.







O Turquestão Oriental não é um país real.
Pouco importa.O importante é que esse dado não seja um empecilho para que o país imaginário receba milhões de dólares em ajuda externa das Nações Unidas e dos Estados Unidos.
A Turquia é a única nação que reconhece o Turquestão Oriental. Além da Turquia a Central Intelligence Agency (CIA) também reconhece a existência desse lugar mítico

O mais curioso é que o líder desse país não reside nas estepes da Ásia.
Ele mora em Chicago, Illinois.
O Turquestão Oriental se situa numa extensa área da província chinesa de Xinjiang, território que fica ao sul das montanhas Tian Shan e é habitado por oito milhões uigures, um milhão e Kazaks Kyrgyrs e 7.000.000 de chineses Han.

Turquestão Oriental foi feito país através da proclamação sui generis de Morton Abramowitz, ex-embaixador americano na Turquia, agente da CIA,membro sênior da Fundação Century Fuller e cientista político da Fundação Rand. Ele  trabalha formatando medidas extraordinárias para forjar uma nação "no exílio" situada na vasta região da China. Numa cerimônia que teve lugar em Washington DC, em setembro de 2004 esse Cristóvão Colombo às avessas nomeou Enver Turani, morador de Chicago, para servir como chefe do novo governo de um pais dos sonhos,quer dizer,mais um pesadelo norte americano.

No seu site thelastcrusade Dr Paull Williams que se diz PHD,porém,não diz em que,pode ser em paranoia islâmica,acredita que a “descoberta” do Turquestão Oriental é parte do movimento Gulen -Fethullah Gülen,um sujeito que existe é esquisitão e vive dentro de uma fortaleza na montanha Saylorsburg, Pennsylvania. Ele é considerado por muitas pessoas como "o mais perigoso islâmico sobre o planeta Terra."

Nos últimos anos, a CIA ajudou Gulen em seu esforço para restaurar o Império Otomano e criar uma nova Ordem Mundial Islâmica,canalizando bilhões para os cofres de seu movimento. 
Mais recursos foram fornecidas pela Unocal, principal patrocinadora da Gulen Cº, que mexe com petróleo e negocia interesses sobre o gás natural nos 'stands'da Ásia Central. 
Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, já trabalhou como consultor sênior para a Unocal.

Gulen, exilado da Turquia, usa parte desse dinheiro para financiar o Partido Democrático e Justiça (Adalet Kalkinma - AKP), que ganhou o controle do governo em sua terra natal.
Abdullah Gul, primeiro presidente islamita da Turquia, é um discípulo de Gulen,assim como o primeiro-ministro Tayyip Erdogan e o chefe do Conselho da Turquia de Ensino Superior,Yusuf Ziya Ozcan.
Sob a influencia do AKP a Turquia se transformou de um estado secular em um país islâmico.Com 85 mil mesquitas ativas – ou seja- uma para cada 350 cidadãos - o número mais alto per capita no mundo- agrega também 90 mil imãs, imãs médicos assim como milhares de professores das escolas estatais islâmicas.
Gulen usa parte de sua vasta fortuna para criar milhares de escolas islâmicas em todas as recém-criadas repúblicas russas do Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão e Azerbaijão.
Estes países foram ocupados pelos turcos.
Os turcos faziam parte do Império Otomano e controlam a prática aduaneira turca.
De acordo com Sibel Edmonds, que trabalhou como tradutor de governantes  turcos para o FBI e a CIA,Gulen tentou obter o controle do gás natural e de grande reservas de petróleo das repúblicas russas recém-criadas.Para isso usou a Turquia como uma 'proxy' pois os habitantes destes países continuam virulentamente anti-americanos.
Fethullah Gulen representa os meios para a CIA manter um pé na Turquia e nas repúblicas turcas.
Como os habitantes das novas repúblicas, Gulen é um turco.Sua intenção se concentra na criação de um califado universal.É um militante que pretende doutrinar a juventude nos ensinamentos políticos do Alcorão.
A estratégia tem funcionado como um encanto,amealhando milhões de habitantes da Ásia Central.Hoje,muitos são membros do movimento Gulen e buscam a unificação sob uma ordem islâmica.
Além disso, a Turquia, no âmbito do AKP, forjou uma sólida aliança com o Iran.
Esta aliança foi conseguida através da influencia do movimento Gulen entre a população azeri do Irã, que falam turco e não persa.(O Brasil entrou nessa jogada como moeda de troca barata,oferecendo apoio para o desenvolvimento do projeto nuclear iraniano)
Mas, para o controle total dos recursos naturais da Ásia Central a CIA reconhece a necessidade de ajustar o estágio para a anexação de parte da província chinesa de Xinjiang,que é habitada por muçulmanos turcos (Uyhars, cazaques e Kygyrs)para ali constituir um novo império pan-islâmico.
Os planos para alcançar este objetivo, de acordo com Sibel Edmonds e segundo muitos documentos judiciais,tornaram possível ao governo americano fixar Gulen como residente permanente nos Estados Unidos.Esse processo teve início em 1999 sob a administração Clinton.(Atenção moçada,não foi Bush,foi Clinton)
Os documentos relatam também que centenas de muçulmanos uigures de Xinjiang foram transportados para o Afeganistão graças à CIA para serem treinados no Afeganistão sob a orientação de Osama bin Laden e os mujahadeen.
Após a formação,os Uyghurs retornaram à Xinjiang para formar o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, uma organização filiada à Al Qaeda que lançou ataques terroristas em toda a província de Xinjiang.
Como o Movimento Gulen, o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental foi financiado pela CIA e por grana gerada pela produção dos campos de papoulas.
Sibel Edmonds disse que a forma dos Estados Unidos "para manter suas impressões digitais fora destas operações" tinha como objetivo evitar uma revolta popular na Ásia Central de graves repercussões na China e na Rússia."
Depoimentos de ex-funcionários gravados em tribunais conduzem as seguintes conclusões:
1. A CIA tem permitido o fluxo de heroína proveniente do Afeganistão para a Europa e os Estados Unidos a fim de financiar o movimento Gulen.
2. A CIA tem trabalhado para estabelecer um Estado pan-islâmico em toda a Ásia Central, incluindo a província de Xinjiang na China, a fim de garantir o acesso das empresas americanas a fontes. substanciais de petróleo e reservas naturais desta área geográfica.
3. A CIA tem trabalhado com Osama bin Laden, a fim de criar o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, uma organização islâmica que treina novos terroristas.
O Dr Paul encerra dizendo sua narrativa dizendo :"Infelizmente, o acima relatado é apenas a ponta do iceberg."



terça-feira, julho 27, 2010

Wikileaks - Uma controvérsia

O vazamento de documentos secretos e confidenciais do governo pelo site Wikileaks, pode ser analisada sobre varios aspectos.Para a revista Time o site Wikileaks "poderia tornar-se uma ferramenta jornalística importante,como o Freedom of Information.Para mim,pode representar,além disso, uma nova abordagem mercadologica das grandes empresas de comunicação.O Wikileaks esconde a identidade de quem vaza a informação.Nada mais conveniente ao mercado da informação que uma usina secreta de noticias.
Expor a verdade não é ilegal, a guerra que é!Sobre esse prisma tudo é possível.Desde que me entendo por gente vi surgir e desaparecer, sem nenhuma conseqüência positiva para a paz entre os povos e garantia a liberdade de opinião, relatórios secretos com mais de 100 mil paginas. Pra não regredir pra muito antes do século passado basta consultar os milhares de relatórios "top secret" disponibilizados ao publico pelos veículos de imprensa.Parece game virtual.Vc finge que fuçou por vias obscuras um maço de documentos "top secret" e a inteligência e os organismos de governo simulam um ataque de nervos.As pessoas ficam mais paranóicas e,num passe de mágica, os orçamentos para a segurança e para as forças militares se elevam as alturasl.Joguinho mole de adivinhar.Concordam? Antes do século passado também não era diferente. No século XX essa estratégia atingiu o ápice e permanece operante.Desde envolvimento norte americano na 1ª Guerra Mundial,passando pela 2ª,entrando na Coréia , Japão, Filipinas e China,na Guerra Fria e mais tarde Vietnam,Iraque sem falar nas intervenções na America Latina,África,Oceania e Antártida,Lua,Marte e os escambau,a montanha de documentos top secret revelados ao publico justificaram o arrocho econômico contra a sociedade civil.Curioso é que esse é o tema preferido da grande imprensa norte americana.Aliás,coincidênc
ia ou não,sempre que a grande imprensa revela invasões no sistema de defesa o orçamento militar dispara pra cima.Engraçado, né?
Curioso também é que todos sabem que os talibãs possuem uma extensa rede virtual, contudo, nenhum hacker engraçadinho e ultra libertário se dispõe a invadir o sistema e vasculhar o “esconderijo do dia” de Bin Laden ou a origem do aporte de grana e armamentos dos núcleos terroristas. Alías, nem a inteligência americana faz isso!
E,nós aqui, ávidos por noticias fresquinhas do front.

sexta-feira, junho 18, 2010

Alegrem-se com o Novo, envergonhem-se do Velho!


Alegrem-se com o Novo, envergonhem-se do Velho!
B.Brecht
Adriano de Aquino
06/2010
Guardo, sempre a vista, desde a adolescência, essa ultima frase do poema de Brecht intitulado A Procura do Velho e do Novo.Usada aqui como titulo é arrepiante.Pode ser entendida como provocação irritante,uma afirmação desprezível ao que um dia foi,como tudo mais,alegre,estimulante e que o tempo encarregou de tornar velho e nostálgico. À medida que diferenciamos os ângulos de observação essa curta frase se estende,amassa,enruga e volta a se esticar, recompondo-se e reintegrando-se as mais intimas questões ou ardendo em confrontos com os valores e ícones impostos pelos novos tempos. Afinal, fala de um destino irremediável do qual todo ser humano, arte, cultura e modelos civilizatórios estão tragicamente condenados. É bom frisar que minhas reflexões surgem e se desenvolvem à partir de associações livres.Não sou um expert em Brecht,muito menos um scholar. Não é minha pretensão revelar um conhecimento que não possuo sobre o processo criativo,envolvimento ideológico, objetivos políticos e estética revolucionaria do famoso poeta e dramaturgo. São reflexões desprovidas de intuitos históricos e desvinculadas de posições politicamente corretas,tão em voga em nossos dias. São apenas impressões que coletei nas minhas próprias experiências.Esclarecido isso, me ponho a apresentar os motivos que levaram essa frase a ser protegida e sobreviver em um micro clima mental durante tanto tempo. Por que ela sobreviveu,se renovou em diversos momentos de minha vida?Por que ela e não outras citações e idéias, mais amenas e aparentemente mais férteis?
Não sei se todos conhecem o poema na integra.Vou colar no final desse artigo.Se colar agora,nesse momento, os leitores irão se lixar para minhas elucubrações,pois, poesia tão poderosa tende a tornar banal e dispensável qualquer esforço em decifrá-la.
Pelos idos das décadas de 60/70quando resolvi acatar minha escolha pela vida artística, o mundo tinha uma configuração bastante diferente da que hoje vivenciamos. Achei, num texto que escrevi em 2008,um maço de anotações
[Quando lerem seus papéis
Pesquisando, dispostos ao assombro
Procurem o Velho e o Novo, pois nosso tempo
E o tempo de nossos filhos
É o tempo das lutas do Novo com o Velho] -valeu Brecht! que situa minha visão de mundo na época. Escrevi:... Para um jovem daquele período, que dava os primeiros passos no mundo da arte, um expressivo conjunto de valores da modernidade ainda permeava a mentalidade da época colocando em questão a idéia ocidental de Absoluto e focando o caráter efêmero da vida e da arte. As sucessivas marteladas de Nietzsche, que ainda ecoam como uma forma de desencantamento do mundo, a argúcia arrasadora de Freud contra as ilusões metafísico-religiosas e os fundamentos sócio-econômicos de Marx, dissolveu no ar o que ainda restava de oculto nas crenças e nos negócios do mundo moderno. As colunas centrais da religião, das instituições acadêmicas e as velhas hierarquias econômico/social, alvos de contestações de toda ordem, balançavam. As ruas tornaram-se palco da insatisfação. Movimentos de jovens transbordaram das universidades, escolas , museus, galerias, bibliotecas e espraiavam pelos campos e avenidas.Um enorme processo de desconstrução, que teve inicio na alta modernidade, encontrou nos jovens do século XX, sobretudo nos da geração dos anos 60/70, a voz e a potência para o confronto com toda autoridade constituída: Estado, família, arte, instituições, gênero,sexualidade, política, propriedade, ideologia, mercado, tradições, mente, corpo etc. No meu entender essa foi a derradeira agitação estético/cultural que, mobilizando e transformando inúmeros modos de expressão artística, curiosamente, não era em si, um movimento específico das artes. Não podemos esquecer que os grandes concertos de música, as polêmicas exposições de arte, a literatura, as leituras de poesia, etc. que empolgavam uma multidão de jovens ocidentais, não eram, ainda, fenômenos atrelados à indústria cultural ou submetidos a interesses econômicos mais objetivos. Essa geração se propunha reconstruir,ou melhor,revolucionar o mundo.Senão,ao menos, adentrarem uma vida melhor sobre as ruínas do passado. Havia uma alegria contagiante pelo Novo e certa vergonha pelo Velho!
Ainda bem que o ruído estridente das guitarras,os gemidos dos sexos emancipados, as viagem psicodélicas etc. não me impediram, por muito tempo, de ver que esse troço de arte jovem era uma arapuca,uma bobagem.
A grande arte é cúmplice do tempo!
As revoluções políticas que se consolidavam também não deixaram margem a duvidas sobre o caráter perverso do poder dominante de coloração extremada, que se estabilizou sobre os anseios de mudança e liberdade.
Quando as utopias amainaram vimos que a paisagem havia se alterado substancialmente. As ideologias políticas perderam muito do seu poder sedutor, regimes autoritários entraram em colapso, e arcaicas estruturas institucionais desmoronaram por completo.
Olha o novo aí de novo,gente!
Uma nova cultura econômica, aparentemente mais flexível, que acenava com a perspectiva de prosperidade para os povos surgiu no horizonte. Pouco importa o nome que se dê ao conjunto de forças políticas e econômicas que se empenharam nessa nova via. O fato é que a abundância de recursos trazidos por essas mudanças expandiu o mercado em todas as direções. Simultaneamente, uma embrionária rede tecnológica se expandiu e de forma magnífica transformou de um extremo a outro o panorama cultural. A dinâmica dos recursos oferecidos pela tecnologia da informação produziu um forte impacto em todo sistema produtivo. Na arte esse impacto é enorme. As modalidades de produção, as reações e a mentalidade que hoje se fixou no ambiente cultural dá margem a inúmeras considerações.
Parte da produção artística da atualidade, voltada para a produção de ícones, gestos, instalações, gadgets etc. e fundadas sobre a égide da efemeridade da vida e da arte acionou a partida de um NOVO discurso estético. Os produtos artísticos hoje em voga se apropriam de itens de um sub-repertório. Eventos inspirados em logos banais e cotidianos subiram ao status de arte. Parecem ao primeiro olhar, manifestações integradas ao complexo sistema de comunicação hoje disponível e um desdobramento conseqüente do impacto produzido pelos novos meios tecnológicos. Porém, se olharmos com mais atenção é possível vislumbrar um certo desconforto. Uma reação curiosa tenta ilustrar as virtudes de um novo mundo que conecta indivíduos de todo o planeta. O modelo de arte mundialista que nos últimos trinta anos enche as grandes mostras de arte internacionais parece afirmar que o desejo de ruptura das fronteiras geográficas, tão desejada pelos modernistas, tornou-se realidade,uma realidade restrita a grupos específicos. Artistas de diversas regiões do globo, oriundos de culturas há pouco tratadas como periféricas pelos grandes centros, aparecem, de repente, integrados ao Pantheon artístico universal. Para o otimista boquiaberto isso é uma constatação cabal de que as instituições se reinventaram e o ajustamento de suas políticas distribui saber e harmonia entre as diversas culturas do planeta.
Oh! Mundo maravilhoso!
Nunca na historia um movimento estético de ponta foi tão rapidamente assimilado,enriquecendo marchands,agentes e artistas da noite para o dia.
Porém,no subterrâneo, as coisas são bem diferentes. Muito mais do que se imagina. O surgimento das inúmeras ferramentas tecnológicas trouxe um grande problema para a arte. Incapazes de produzir, por meios tradicionais, estímulos aptos a fazer frente às trocas culturais disponibilizadas por novos recursos tecnológicos, uma parte da produção estética aderiu à demanda de uma nova fase promocional e mercantil, outra se fechou num circuito restrito de eleitos protegidos por curadores a serviço de instituições publicas e privadas. Contudo, as duas vertentes se submeteram a ideia de que uma aparente democratização das linguagens artísticas- uma espécie de vale tudo- é um recurso admissível. Contudo, essas iniciativas não responderam, muito menos ultrapassaram, os expedientes repetitivos de anunciar a morte dos meios tradicionais de expressão: a morte da pintura, da escultura do desenho etc. Tolice,sabemos que nada morre apenas por decreto.
Os artistas que desejam permanecer pintando,fazendo seus objetos sem se dar conta das transformações que ocorrem no tecido social,artistico e cultural tendem a se sentir excluídos da dinâmica do seu tempo . 
A recusa de refletir sobre as transformações que ocorrem ao seu lado é confortável,porem,não potencializa suas ambições a uma esfera mais ampla que seu atelie.    
Por outro lado,caso o envelhecimento e a morte das formas tradicionais de expressão artística fosse uma verdade, os modelos estéticos da atualidade teriam fatalmente que enfrentar a mesma sentença, seriam coagidos frente à dinâmica do presente. No entanto, essa duvida não é sequer cogitada.Bem,uma lógica que despreza o fato de que a arte quando poderosa,subverte preconceitos,modelos e sistemas,não consegue ir além do seu território de interesses.
Alheios a isso, os arautos de um modo de produção estética consolidado nos anos oitenta continuam repetindo a mesma bobagem. Talvez,porque essa é a forma mais fácil que encontraram para manter visibilidade na mídia e no mercado. Isso nos leva a supor que de 30 anos para cá a arte e o meio social atingiram perfeita harmonia.Se compararmos o modelo estético hoje dominante com as correntes estéticas do modernismo constatamos o quanto a contemporaneidade é repetitiva e entediante.
Isso fica escandaloso quando sabemos que nenhum movimento artístico do modernismo ultrapassou 10 anos de predominância de modelo.
É uma piada compararmos a mobilidade estética do modernismo com a     longevidade dos modelos da atualidade. 
As instalações,por exemplo,sua permanência como modelo estético  é um mistério de proporções faraônicas.Hoje,todo mundo é instalador,se não é agora,será um dia.Isso explica,em parte,o meu tédio nas visitas as megas exposições de arte. A longa permanência de um padrão estético levanta a suspeita de que a arte supostamente mundialista alcançou seu objetivo qual seja; recalcar o aparecimento de sucessivas experiências artísticas.
O Novo versus o Novo é o engodo da contemporaneidade.
Explico: no sentido inverso dos artistas da vanguarda histórica que contestavam toda forma de conservadorismo, regulamentos oficiais e regimes estéticos, um grande numero de artistas contemporâneos parecem satisfeitos com o padrão dominante e a regras institucionais seletivas.Em minhas considerações sobre a arte mais difundida nas ultimas três décadas não excluo a possibilidade de sujeição da atividade criativa à crescente centralidade da economia na vida contemporânea. Ao contrário de seus precursores, um grande contingente de artistas pós–modernos enxerga na institucionalização precoce uma virtude. Suas estratégias se montam a partir desse juízo. Os vários modos artísticos que surgiram no pós Segunda Grande Guerra herdaram e souberam usar a diversidade difundida pelos artistas da vanguarda histórica. Esses movimentos contestavam o sistema oficial de arte e a institucionalização pomposa. Os prodigiosos movimentos estéticos dos anos 50/60 são ricos, não apenas pelas obras que legaram e as questões que suscitaram, mas, também, pela abertura artística e cultural que disseminavam. Arrisco dizer que tal circunstancia permitiu aos artistas desse período inaugurar um fluxo produtivo fundado na autonomia criativa, ratificando, criticamente, alguns valores do modernismo e renovando a relação da arte com o imaginário da imortalidade. Esse último item é importante para entendermos melhor as repetitivas argumentações dos artistas atuais sobre a efemeridade como um enunciado estético que delineia as propostas da arte contemporânea. Ainda que o efêmero, anunciado como fundamento teórico da arte atual, pareça inédito ele não é. De fato, esse enunciado é um simulacro do imaginário da imortalidade diferenciado por artifícios conceituais.
Alguns segmentos das artes plásticas conceberam uma versão própria do relativismo nietzschiano mesclado a teorias dispersas coletadas em vertentes do pensamento desconstrucionista. A ligação com a vida acadêmica levou alguns artistas a adicionarem aditivos de antropologia cultural para acentuar o sabor de conhecimento pleno e funcionar como agente para rápida diluição de todo e qualquer critério artístico identificado,então, como reação conservadora. Munidos de fragmentos dispersos e convencidos da luta por uma causa nobre, artistas e teóricos partiram contra os focos de reflexão crítica e aptidão técnica, habilidades que vem sendo gradativamente desprezadas. Instalou-se, então, a crença de que vivemos hoje numa sociedade de homens livres e que todo individuo está apto a produzir o que bem entende sem mais se submeter a nenhum critério externo a si. Tal conceito se tornou um senso comum no campo artístico. Esse tipo de relativismo tornou-se o bálsamo para todos os males preenchendo de estratagemas a vaga idéia de que todo e qualquer procedimento estético tem o mesmo valor simbólico - a única coisa que os diferencia é a fama de quem os faz e o preço. Para consolidar sua permanência no meio cultural os adeptos dessa vertente falam da realidade como um fenômeno imutável e afirmam que a flexibilização dos meios de produção tornou possível a expansão da liberdade. Essas manifestações justificam nossa preocupação.É sempre bom lembrar que a confusão intelectual que se instalou é notável,porém, impotente contra a inevitável renovação crítica.
É até certo ponto compreensível, em uma sociedade altamente competitiva, a coexistência de grupos fechados. O recrudescimento das religiões, o consumismo galopante e outras formas de transferência imposta pelo cotidiano são dados que sempre levamos em conta quando refletirmos sobre a vida atual. A fragilidade das teorias dominantes que visam impor a idéia de que tudo que é avançado em arte é pleno de significado elevado e tem como objetivo a intervenção crítica imune às convenções, esbarra no fato de que o reconhecimento e a confirmação de suas investidas estão em conformidade com os pactos formais de que tudo que é identificado como avançado, inclusive o capitalismo avançado, espelham nossa época, a qual devemos nos curvar,cultuar e não contestar. Contestar a manipulação que sustenta o sucesso é hoje entendido como ataque histérico dos invejosos.Poucas vezes deparei com tão grande asneira. Uma asneira que se consolida e prolifera.Tem sempre um funcionário da imprensa para incensar o discurso de um ícone do mercado.As materias sobre cultura se concentram nas citações sobre preços e nas opiniões vaidosas sobre as preferências mercadológicas de um artista.Um diz que evita os leilões,insinuando uma diferença com aqueles que alcançam altos preços nesse sistema.Fica por aí!Sobre processo criativo,pensamento ou estética-O silencio! No fundo isso revela que importante mesmo é o negócio. O negocio da arte!
Warhol,considerado um visionario da cultura pop, adorava cunhar frases de efeito.Sua frase:"A arte suprema é o negócio" explodiu na cabeça de seus cultuadores como uma causa. Um contingente de artistas saiu repetindo esse aforismo sem mesmo se dar conta do que representava.Afinal, nem todos tem o talento de Warhol.Em suas performances sociais diárias,atras das lentes de seus óculos com olhar de caçador de raposa, Warhol sussurrava para legião de seguidores que o prestígio do artista recluso era Velho, Novo era o brilho das celebridades, Um Novo onde o negocio da arte é uma ferramenta imprescindível.
Um negócio que, de um tempo para cá, ganhou mais visibilidade que a própria arte.
Alegrem-se com o Novo! Envergonhem-se com o Novo de novo.Ele é Velho!
A poesia:
Procura do Velho e do Novo
Bertold Brecht
Quando lerem seus papéis
Pesquisando, dispostos ao assombro
Procurem o Velho e o Novo, pois nosso tempo
E o tempo de nossos filhos
É o tempo das lutas do Novo com o Velho.
A astúcia da velha trabalhadora
Que toma ao professor seu saber
Como um fardo pesado demais, é nova
E deve ser mostrada como Novo.E velho
É o medo dos trabalhadores,durante a guerra
De aceitar os panfletos que tem o saber, deve
Ser mostrado como Velho.Mas
Como diz o povo: na mudança de lua
A lua nova segura a lua velha
Uma noite inteira nos braços.A hesitação dos receosos
Anuncia o novo tempo. Sempre
Determinem o Já e o Ainda!
As lutas de classes
As lutas entre o Velho e o Novo
Ocorrem também dentro de cada um.
A disposição de ensinar do professor:
O irmão não vê, o estranho vê.
Examinem todas as ações e emoções de seus personagens
Na busca de Velho e de Novo!
As esperanças da mercadora Coragem
São fatais para seus filhos: mas o desespero
Dos mudos com a guerra
Pertence ao Novo. Seus movimentos desamparados
Ao arrastar o tambor salvador para o telhado
A grande ajuda, devem enchê-los
De orgulho ,a energia
Da mercadora que não aprende, de compaixão
Pesquisando , dispostos ao assombro
Alegrem-se com o Novo, envergonhem
-se do Velho!

terça-feira, junho 15, 2010

Ciberespaço?Onde fica?Pra que serve?

Há algum tempo me sugeriram que falasse sobre o que leva tantas pessoas, eu inclusive, a manter contínuo contato através das redes sociais. Como entusiasta dessa onda achei que seria útil colocar algumas considerações sobre essa coisa chamada relacionamento virtual. Topei a idéia. Ocorre que escrever sobre um fazer que já se tornou quase um hábito é complicado.Além do mais , uma série de compromissos, datas e trabalho intenso mantinham meus pensamentos longe desse assunto.Fui adiando o intento enquanto pude.Afinal,sentar diante do micro e passear pelas paginas do Facebook,saber das pessoas,ler textos e poesias e trocar mensagens é um prazer,porém,falar sobre as coisas que fazemos e porque fazemos dá um trabalho danado e exige dedicação.Não basta um tempo livre.São tantas idéias que vagam distantes.Junta-las num bloco de notas demanda uma cabeça afim de encarar a missão.Abri as gavetas da mente e digitei algumas coisas. Depois de inúmeras divisões e subdivisões essa primeira parte ganhou uma forma que acredito ser legível.

Espero que tirem proveito.

Adriano De Aquino

06-2010

Ao contrario daqueles que atribuem à comunicação virtual um papel secundário que, por alguma razão “nobre”, digamos assim, os mantêm alheios ou fazem piadas sobre os que se dedicam intensamente as trocas virtuais, penso que a atividade virtual colocou no plano concreto alguns fatores de considerável relevância.Não apenas o mundo da comunicação institucional/empresarial-jornal, revistas, propaganda e marketing - sofreram e vêm sofrendo abalos em suas estruturas formais e de negócios. O mundo, depois do advento e profusão das novas tecnologias da informação e comunicação, não é mais o mesmo.

Isso é fato!

Mas, como aferir essas mudanças?Ou, como comprovar que a vida social mudou, para melhor ou pior?O homem emancipou-se de velhos hábitos, costumes e preconceitos? E os meios de produção, se alteraram substancialmente?Essas são questões importantes, todavia, por tangenciarem aspectos objetivos exigem indicadores técnicos apurados. Esse não é um campo de forte interesse em minhas reflexões. Isso não quer dizer que eu não leia ou me interesse por argumentos, estudos e livros que aprofundem esses itens. A Sociedade em Rede de Manoel Castell e a Cultura da Convergência de Henry Jenkins, para citar apenas dois trabalhos do gênero, supriram minha curiosidade sobre as aplicações da TI na sociedade contemporânea e suas conseqüências na cultura e na vida social. Seria inútil, pelo menos nessas reflexões, tentar argumentar por esse viés. Não conseguiria transferir para o leitor dados que pudessem contribuir para a compreensão do conjunto de indicadores que esses autores e outros mais fornecem de maneira clara. No entanto, no âmbito da observação e experiência pessoal, posso oferecer algumas notas sobre esse assunto

Recentemente, num encontro de amigos, esse tema veio à tona. Na ocasião ouvi uma serie de considerações contrarias a importância das redes sociais e coloquei algumas idéias sobre a substituição gradual dos meios de comunicação e sua influencia no transito de códigos sociais.

Observei que, em geral, as criticas a virtualidade se concentram em fatores econômicos (marketing pessoal vulgar, abusos contra o direito autoral, publicidade invasiva, etc.), na superficialidade da comunicação virtual e na atuação dos órgãos de inteligência que vasculham e monitoram as paginas da internet. Não duvido que esses fatores existam e que mereçam atenção e cuidado, contudo, uma das características da cultura é não submeter todos, de maneira hegemônica, aos insidiosos desejos de um poder predominante, seja econômico, político ou comportamental. Além do mais, definir como superficial as múltiplas possibilidades oferecidas pela rede de comunicação global é, em si, um diagnostico superficial. Todos sabem que a eficácia da cultura reside em sua dinâmica de constante mutação e, nesse sentido, sempre haverá desconfiança, dissidência, subversão e confronto com os valores impostos através da duvida sobre as intenções de uma noticia aparentemente “séria” veiculada num jornal, livro ou documento, ou por um post colado numa pagina de um site de relacionamento.

Na oportunidade propus que deixássemos de lado os aspectos econômicos, a espionagem e os riscos de invasão de privacidade que hoje afligem muita gente e olhássemos a internet como um sítio aonde a troca de experiências pessoais vem angariando dia a dia, maior valor. Alguns experts afirmam que os sites e outras ferramentas virtuais não tem se mostrado, no correr desses anos, eficientes maquinas de fazer dinheiro. Porém, sua rápida expansão vem gerando grandes prejuízos aos veículos de imprensa e as mídias convencionais. Talvez, por essas razões, a internet seja encarada por alguns como economicamente inconveniente.

Afinal, o compromisso com a noticia e a verdade dos fatos é mais conveniente quando gera recursos e sustenta um poder. Entretanto, o poder da grande imprensa, como todo poder, está sujeito a crises.

A crise da imprensa que hoje testemunhamos tem contornos graves.

É freqüente, em situações intricadas, se correr atrás de um responsável pelo prejuízo.

Já ouvi e li muitas explanações. A mais usual aponta a internet como a principal responsável pela crise da grande imprensa.

Será?

Não creio, melhor dizendo, não gostaria que a expansão da internet se concretizasse sobre a sepultura dos grandes jornais e revistas. Todavia, caso a internet seja de fato a principal responsável pelo prejuízo é bom que as grandes organizações da imprensa acelerem na direção correta, pois, tudo indica que a internet não diminuirá velocidade, ao contrario. Se a grande imprensa pretende permanecer tão poderosa quanto foi no passado recente, necessita urgentemente de um acelerador ligeiro e certeiro.

Assisti, dias atrás, uma publicidade da Folha de São Paulo veiculada na TV. Uma imagem bacana de um canto da cidade (São Paulo, certamente) é pano de fundo para a atriz Fernanda Torres anunciar as mudanças do jornal. Fernanda nos informa que a Folha mudou, sugerindo ao telespectador que o jornal adotou um novo estilo. A propaganda acertou na escolha da atriz para desempenhar uma mensagem informal. Figura e fundo se mesclam caprichosamente, despertando, de passagem, certa semelhança com muitos vídeos postados no Youtube.

Num ataque de São Tomé, visitei a pagina da Folha on line e constatei que mesmo não sendo uma propaganda enganosa, não deixa de ser uma mensagem equivocada.

É licito que a Folha anuncie. Afinal, ela precisa de novos leitores e, se possível, recuperar os que perdeu para a internet.Contudo,o êxito de tal desafio passa por questões mais complexas sobre as quais uma propaganda tem pouco poder de sedução.

Um leitor não compra apenas um jornal, compra uma quantidade de matéria jornalística bem tratada,credibilidade e uma boa leitura.

Se a propaganda que vi se comprovasse no acesso livre aos cadernos, as crônicas e outras matérias eu constataria, no ato, alguma mudança. Porém,assim como muitos jornais brasileiros, o acesso on line da Folha permanece restrito aos assinantes. A melhor propaganda de um jornal é seu produto e esse produto é feito por jornalistas e outros profissionais de imprensa que já constam da folha de pagamento da empresa. Por que pagar uma agencia de publicidade para anunciar um produto que só pode ser avaliado e credenciado através da leitura?

Essa pergunta torna-se mais evidente quando constatamos que qualquer navegante pode acessar livre e gratuitamente todas as matérias jornalísticas de muitos dos grandes jornais do mundo.

No meu ponto de vista o acesso livre às matérias jornalísticas não é o principal motivo que leva o leitor a abandonar a leitura dos jornais. Quando me pergunto sobre as causas que me levaram gradualmente a abandonar a leitura diária dos periódicos, quer dizer, do jornal impresso, e tento relacionar esse fato ao meu cotidiano na internet, a suspeita de sua responsabilidade na crise da grande imprensa torna-se um álibi frágil.

Motivações mais danosas para o gradual afastamento do publico podem ser investigadas em outros cantos. Por que não no equivoco das estratégias da grande imprensa para conviver e sobreviver às mudanças radicais dos últimos trinta anos?

Nesse período, pessoas com mais de 50 anos viram seu campo de trabalho virar de pernas pro ar. Indivíduos mais reticentes e mesmo os mais flexíveis foram empurrados para um novo tempo. Sujeitos de faixa etária produtiva foram compulsoriamente aposentados. Isso não ocorreu apenas no trabalho regular ou no emprego fixo de setores mais graduados da população. O fato é que uma multidão de pessoas foi excluída de uma participação econômica e social mais ampla. Gostemos ou não isso é um fato. Nas artes, na política, nos negócios e nas relações interpessoais ocorreram mudanças substanciais.

Essas reflexões advêm de uma duvida- como disse acima; se inúmeros experts afirmam que a internet não é uma fonte de lucros para todo e qualquer negócio, sobretudo para aqueles do campo da comunicação, por que seria para um jornal?

Os núcleos comerciais das empresas jornalísticas parecem desconhecer esse fato. Será que não sabem que se alguém tem interesse numa matéria especifica publicada por um jornal de acesso restrito, algum amigo de sua rede de relacionamento, assinante do diário, poderá lhe enviar a matéria inteira por email ou pelas ferramentas disponíveis nos sites de relacionamento? Simples assim!

Muitas pessoas parecem não entender e resistem em vão a uma nova realidade.

O fato é que a internet não atrai as pessoas porque usurpa os direitos das “commodities jornalísticas” (o slogan é de Murdoch que agora integra o mundo virtual por vontade própria. Acusou o Google de surrupiar direitos e comprou o site de relacionamento MYSPACE que até 2006 reunia 106 milhões de usuários registrados. Se o Myspace fosse um país teria a 11ª população do mundo - entre o México e o Japão).

O poder da internet reside no fato de que conecta milhões de pessoas interessadas em trocar experiências e divulgar suas produções, coisa que as empresas de comunicação não têm condições de oferecer.Quando ocorre, é fruto de interesses por vezes difusos.

Não é apenas a tecnologia rápida de comunicação, ferramentas, joguinhos, noticias atualizadas segundo a segundo que conferem valor crescente e, até certo ponto, incontrolável à internet. O livre trânsito e a franquia de espaços como as redes sociais, onde pessoas se expressam livremente, postam imagens, vídeos, textos, teorias, poemas e tudo mais que transita no dia a dia, vem credenciando a internet como um vetor de comunicação plural e democrático. É muito difícil, pra não dizer impossível, que as grandes empresas de comunicação consigam superar essas ofertas.

A adoção de um marco legal é uma medida positiva, creio que sua aprovação evitara o predomínio do vale tudo e dos abusos que circulam na rede,prevenindo grandes prejuízos às empresas e indivíduos .O governo brasileiro vem conduzindo de forma correta sua elaboração. Entretanto, qualquer tentativa, por parte do Estado,dos empresários e organizações privadas de comunicação de conter a expansão da internet através de medidas extremas, reverterá em conseqüências dramáticas para a liberdade de expressão.

Muitos navegantes manifestam a opinião que os anseios do homem ultrapassam as questões econômicas e que a informação é um bem comum que não deve estar sujeito apenas às diretrizes empresariais, ao gosto e ditames das editorias. Essas pessoas encontraram na internet um lugar para trocas produtivas.

É por essa e outras razões que milhões de pessoas buscam as redes sociais

Entendo que a multidão de experiências em transito possa parecer confusa e inócua para aqueles que se abrigam na duvida diante do novo e tendem a reduzir as trocas virtuais a questões factuais: O que fazemos aqui?Onde isso nos levará? O que tudo que dizemos e ansiamos pode ser realizado concretamente?

No sentido mais amplo essa pergunta não é nova. Precede a existência da internet. Foi feita repetida vezes por persas, gregos, romanos e toda a sorte de gente da antiguidade, do oriente milenar ao ocidente moderno.

A filosofia, no correr de sua existência expandiu o horizonte do saber, as religiões continuam garantindo a segurança celestial para aqueles que aceitam e obedecem a seus mandamentos e a ciência, um vetor do conhecimento supostamente mais equipado para responder essa questão ou uma parte dela, coloca, à medida que desvenda alguns mistérios, outros, mais complicados ainda.

Porém, nós, indivíduos, como nos posicionamos diante do que vem ocorrendo no mundo?

Aceitamos os postulados religiosos e vamos em frente, filiamo-nos a uma corrente do pensamento filosófico, nos abrigamos nas ideologias, nos entregamos de corpo e alma aos pareceres científicos?

O fato é que na vida cotidiana esses fatores são boa parte do tempo relevados, esquecidos. Enfiamos-nos em relações amorosas, em negócios e carreiras que nos transferem uma carga pesada de compromissos e obrigações.

Então, nos confrontamos com a missão de cumprir uma existência amorosa, realizar um trabalho que nos recompense, se possível enriqueça. Enfim, sair do anonimato, ser reconhecido e alcançar a felicidade. Dito assim parece simples, mas, sabemos, é um desafio que até Hercules temeria enfrentar. Ocorre, entretanto, que nessa missão estamos sozinhos. Afora os livros de auto-ajuda, nenhum texto sério, tratado científico ou teologia religiosa secular se aventuraria a responder a todos de uma só forma. As escrituras sagradas, as pesquisas científicas ou os textos filosóficos foram e são gerados na tentativa de responder as grandes questões do homem e da natureza, num patamar elevado onde a fé ou o método, nem sempre infalíveis, tornam-se opacos, diante das necessidades pessoais do dia a dia.

Bem! Então, o que fazemos aqui, no ciberespaço?

Entendo que um grande número de pessoas, cansadas dos modelos verticais de intermediação social e comunicação, busca um lugar onde possam trocar livremente pensamentos, experiências pessoais e produção. Hoje, com a internet, ninguém mais espera que um crítico generoso ou um jornalista sensível note e divulgue o quão importante é a obra de um poeta desconhecido ou de um artista extraordinário, sem visibilidade na mídia, ações, instalações, gestos e outros meios disponibilizados no atacado ou varejo da arte. Atualmente, o poeta navegante, seus amigos e fãs se ocupam de divulgar o que consideram admirável. Centenas de pessoas o lêem, comentam e apreciam. Esse é o maior valor que circula na internet. Trocando em miúdos; nesse local, o que você pensa, posta e comenta tem VALOR. Nada e ninguém têm poder para interromper, desviar ou adulterar esse fluxo. Nesse NOVO canto do mundo os diretores de seção e os editores de pauta até uma “nova ordem”, foram aposentados.

segunda-feira, abril 05, 2010

2010-Projeto para grande pintura


2010 Project
Studies for a large painting-Rio de Janeiro

segunda-feira, março 15, 2010

Capacitação Humana

Esse recente texto de Vargas Llosa, publicado na imprensa brasileira, me entristeceu.
A manifestação publica desse grande escritor agravou meu sentimento de vergonha quanto ao silencio dos intelectuais e artistas brasileiros na violência que vem sendo praticada pelo regime cubano contra seu povo. Vargas Llosa é um escritor consagrado e suficientemente rico para se dedicar apenas a aprimorar sua arte e usufruir os prazeres da vida. Porém, não é isso que esse homem faz. Ele se indigna! Não permanece apenas “literariamente” indignado, ele se mobiliza, participa de seminários a favor da liberdade de expressão e se manifesta publicamente contra a opressão, a tortura e a morte impetrada pelos regimes ditatoriais, onde quer que se encontrem.
Convivi com alguns intelectuais brasileiros de esquerda que se indignavam e manifestavam a favor da redemocratização, escreviam e subscreviam abaixo assinados mobilizando a sociedade civil. Hoje, onde foi parar o protagonismo público dos artistas e intelectuais?
No meu entender, os intelectuais de esquerda, simpatizantes do regime cubano, seriam as pessoas mais indicadas para abrirem um dialogo publico produtivo, que buscasse resultados objetivos e avanços concretos a favor de uma flexibilização do regime castrista. Salvo honrosas exceções, nada nesse sentido é ao menos cogitado. A maioria parece acreditar que o socialismo cubano é uma experiência política frágil que deve ser mantida a custo de muitas prisões e de milhares de mortes. Contudo, o regime castrista já dura mais de 50 anos. É, talvez, o regime político mais longevo e estável da América Latina. Será que esses intelectuais e artistas simpatizantes não percebem que o apoio fraterno indiscriminado vem funcionando como uma “carta branca” para o regime infligir o medo, o silencio, a dor, a prisão e a morte aos cidadãos que pensem diferente do governo?
As miseráveis crianças abandonadas nas ruas das grandes capitais brasileiras não recebem nem uma vírgula de apoio às suas causas. Contudo, quando qualquer individuo manifesta repudio ao que vem ocorrendo em Cuba, os simpatizantes do regime se perfilam na tropa dos apedrejadores dos “burgueses”, “imperialistas”, “colonialistas”, “capitalistas sanguinários”, “máfia de Miami”, e toda a lenga lenga constante do manual doutrinário, para justificar os horrores do regime.

Com a palavra:

MARIO VARGAS LLOSA
A decepcionante visita de Lula
O ESTADO DE SÃO PAULO – domingo- 07/03/2010

Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.
Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que,provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e deira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.
Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.
DESCARAMENTO
Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de
um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.
O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas. Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo. Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.
Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.
O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.
O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao "estadista"
brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário "democrático" latino-americano.
Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de "progressistas" que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos. Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: "Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos." O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus -foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera. De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã. Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.
O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina

terça-feira, março 09, 2010

A Fabula do Lobo e da Ovelha - versão pós -pós moderna


Desde o fim da IIª Grande Guerra, quando a hegemonia cultural se transferiu da Europa para os Estados Unidos, os europeus tentam retomar a liderança perdida.
Sabemos que toda perda impõem conseqüências psicológicas complexas.
Lutas duras e investimentos vultosos não conseguiram dar sustentação a ambição européia de retomar o centro do debate artístico/cultural. As tentativas mais objetivas, realizadas pelas políticas de estado europeias  transitaram, nos últimos 60 anos, entre a implantação de novos equipamentos -Beaubourg, New Tate,novos museus alemães,etc- e o crescente incentivo fiscal para a participação do capital privado nos negócios de arte e cultura.
No âmbito do mercado as ações mais agressivas visando alçar as alturas o preço da arte européia encontrou em Saatchi um agente eficaz. Às vezes imagino que esse brilhante homem de negócios é um agente secreto tipo 007. Ele se destaca de todos os demais. Sua potencia econômica e suas investidas táticas são tão bem feitas que lembram um plano estratégico elaborado pelos serviços de inteligência das agencias do governo britânico. Esse negociante inglês viu com clareza que a New Art inglesa seria  mais eficiente se tomasse de assalto o mercado norte americano, começando o ataque pelo foco central da arte contemporânea- Nova York. Foi o que fez. Aliou-se a Gagossian -outro agente secreto- e, montados em grosso volume de capital, deram inicio a uma nova fase da arte britânica em escala global.
Xinguem à vontade mas, até agora, o plano está dando certo e rendendo milhões. Saatchi inaugurou uma colônia artística britânica overseas muito influente e poderosa a contragosto dos artistas, críticos e marchands norte americanos. Contudo, o esforço europeu de centrar o foco no velho modelo das bienais continua afundando. Argumentos de lá e de cá não configuram nada que valha a pena comemorar. Tentativas de incluir a arte de países considerados periféricos até agora não surtiram resultados que abonem as 154 bienais espalhadas por todo o mundo. Ficam na mera ação de mostrar,mostrar e mostrar,porém, a integração cultural além fronteiras geográficas permanece um entrave real.
Segundo Carolyn Christov, a nova curadora de Kassel, “as bienais possuem uma certa independência territorial e independência enquanto laboratórios de experimentação para novas praticas artísticas e novos modelos de sociedade”. Só por essa afirmação amalucada já da pra sentir a bobagem que vem por aí. Pretender que, nos dias de hoje, um evento de arte seja o laboratório onde se processam as “novas praticas artísticas” e, pasmem, “novos modelos de sociedade” é um delírio juvenil. Nem os hippies de outrora, com a cabeça cheia de maconha, diriam tal sandice.
Pois, é! Será nas mãos e na cabecinha dessa moça que os alemães pretendem dar o novo recado estético ao mundo. Vocês não esperam que eu contra argumente o laboratório de uma doidona. Processar, em circuito fechado, uma nova arte, lembra doutrina de estado fascista. Paro por aqui!Não vale a pena ir adiante, pois, qualquer movimento que exclui o que esta sendo processado aqui fora, no real e no cotidiano, é tema para agentes da KGB que, alias, já encerrou sua missão no fim da guerra fria.
Nesse conjunto de fatores as ações mercantis, desavergonhadas e ultra agressivas de Saatchi soam como algo mais eficiente, compatível com o tempo de predominância econômica sobre todas as coisas e, portanto, passível de ser discutido,contestado e atacado.
Já, os “bonzinhos” gestores das Bienais, protegidos por paradigma falso e mentiroso, de interação radical com a cultura e,supostamente, desvinculados do mercado, praticam o mal maior para as artes de nossos dias.